quinta-feira, 17 de julho de 2014

BRINQUINHOS DA MINHA ALDEIA.

                                           O "MEU" LARGO DAS CARVALHEIRAS.

                                                           As Carvalheiras em 2014.               

             Do "meu" Largo das Carvalheiras só algumas referências restam que o identifique. Continuam lá algumas casas de então mas vestidas de novas roupagens, de cara lavada, maquilhadas como as senhoras idosas numa boda ou baile de festa de fim de ano. As oliveiras, algumas, são as mesmas mas mudaram de local, a maior parte. Arrumadinhas, alinhadas, encostadas para dar largueza ao espaço. O chão é, agora, liso, perdeu a ondulação onde a bola de trapos dos intermináveis jogos de futebol que ali se disputavam do alvorecer até a lua chegar à vertical, se era cheia, ou mesmo à pálida luz de uma lâmpada da iluminação pública, mudava de direção, aos saltinhos, e era confundida com os calhaus que abriam em sangue a ponta dos dedos dos pés, contornando o tronco das muitas oliveiras crescendo a esmo.

              Foi aqui que eu "me fiz" na companhia de uma "catrozada" (termo que na gíria quer dizer muito)  de artolas que "moravam" mais no Largo das Carvalheiras do que em casa onde só entravam para comer (se havia...) ou dormir, após ouvirem um ror de chamamentos dos pais.  Éramos dezenas, rapazes mais do que raparigas, que ali nos juntávamos, mais fora do tempo da escola e sobretudo aos sábados e domingos,  para chutar uma bola num "vira aos quinze acaba aos trinta", ver os adultos a jogar chinquilho, jogar a bilharda, bater o arco, brincar ao eixo, à escondidinha ou engalfinhados como franganotes a medir forças para fazer valer na bulha a nossa  razão, depois de três passagens do dedo molhado com cuspo na cara um do outro a ganhar coragem para atacar primeiro.


           
           É, agora, outro o"meu" largo. Modernizou-se, lavou-se, cresceram em número as casas. Tem chão de paralelipípedo,  estrada de asfalto no meio, uma caixa submersa para recolha de lixo. E tem um fonte. E tem espaço, sombra e higiene, um lavadouro público sem uso, desocupado. 

Asseadinho, escovadinho, penteadinho. Um brinquinho.

            Tem tudo, até silêncio. A mais: NÃO TEM CRIANÇAS.


               Do lado direito, a Corredoura "velha" feita jovem; do esquerdo, a "nova". 

                          Quem a conheceu e quem a vê agora, a moradia ao fundo.


                     Só estas conhecem a História do recinto. Terão crescido depois de terem substituído os carvalhos primitivos senhores do espaço que em tempos ali terão existido; muitas vezes o ouvi dizer dos meus progenitores e vizinhos. Perdeu autenticidade mas tem identidade assninalada em placa: LARGO DA CORREDOURA.

                     



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