sábado, 20 de dezembro de 2014

BRINDE SEM PREÇO NO ÚLTIMO DIA DO OUTONO.

          


              Quem pôde desfrutar de coração e mente limpos o último dia de outono de 2014 prestes a findar só tem que agradecer a Deus ou à Natureza em conformidade com a sua opção mística, a luminosidade e celestial beleza que hoje pudemos gozar. Sol brilhante de luz, céu azul com pequeninos novelos de algodão branco a fazer de nuvens esquecidas para se banharem de calor, ausência de brisa e com temperatura de primavera, pintou-se o ambiente de uma pintura que nenhum artista jamais poderia criar.




          Adeus Sol de hoje, Bem necessário à vida, amigo da Terra e do Homem, Senhor do Destino da Humanidade, Bem gratuito inestimável, Alimento dos carentes, Beleza Pura. Até amanhã, se Deus quiser.

           



ESCOLA SECUNDÁRIA RECUPERA MURO EM RISCO DE RUIR.

           
´           A Escola Secundária de Lanheses do Agrupamento Escolar de Arga e Lima teve que proceder à recuperação de parte do muro exterior do lado ocidental, em virtude de na extensão de alguns metros o mesmo apresentar sinais evidentes de ruir. A eventual  queda do muro não oferecia porém  quaisquer riscos para a integridade física dos alunos da Escola nem para outras pessoas, já que não está próximo de acessos humanos ou trânsito ou  necessário.

             As obras estão praticamente concluídas faltando apenas o reboco dos blocos e a indispensável pintura.

NÃO HÁ MEL NA FEIRA DO MEL!

            

        Noutros tempos ainda não muito antigos, a última feira quinzenal antes do Natal que se realizava em Lanheses no Largo da Feira e que atualmente tem atribuído o nome do benemérito Capitão Gaspar de Castro,  era popularizada pela designação de "Feira do Mel", justamente porque ali acorriam os apicultores a vender o mel das colmeias próprias que abundavam nas encostas das courelas de muitos lavradores desta freguesia e de mais longe, como das localidades encrustadas nas vertentes da Serra d'Arga, São Lourenço da Montaria, Cerquido, Estorãos a que se juntavam de outras freguesias do concelho de Ponte de Lima.

         Recordo-me de os ver instalados junto à berma da estrada que atravessa o Largo, na placa onde agora está o chafariz sem água, em número variável que poderia atingir a meia dúzia. Traziam o mel em recipientes de latão e em frascos, que às vezes colocavam em cima de cortiços redondos (eram mesmo feitos com a cortiça natural) e sob uma pequena banca usavam por um prato com mel sobre uma toalha branca para o freguês saborear a qualidade e escolher o preferido.



         Muitas estórias se passaram com a venda do mel nas condições acima descritas e, as mais comuns eram protagonizadas pelos rapazes (eram tantos, nessas épocas...) os quais, trazendo da padaria Dantas um trigo pelo preço de 2,5 tostões (um cêntimo pouco mais ou menos da moeda atual), outras vezes oferecido pela senhora Maria a dona da padaria e, com ele no bolso das calças aproximavam-se das vendedoras (eram quase sempre mulheres) para, à sucapa e de forma ladina o deixarem cair no prato das provas e, logo, num ápice besuntá-lo de mel indo a correr saboreá-lo longe dali, repetindo "a graça" mas já com a vendedora bem avisada.

         Já adultos, faziam-se  "vaquinhas", isto é, dividia-se o custo do mel pelo grupo  e, na Tia Brígida ou na Mariana, "limpávamos" um litro do douradinho e macio néctar da abelhas bem embebido em pedaços de broa quente ou bocados de trigo e saciava-se o apetite até ao Natal do ano seguinte.

         Fui hoje à feira atraído pelo curiosidade de ver se lá alguém tinha aparecido a vender mel teimoso em preservar a tradição. Não estava um que fosse! O tempore o mores.

         Sim, talvez tenha sido pela ação das vespas asiáticas. É um facto a devastação de inúmeras colmeias nesta região pelas asiáticas assassinas de há dois anos para cá. Mas, também, é causa bastante o cada vez menor número de apicultores dedicados à indústria do mel doméstico.

         Já não há mel na "Feira do Mel", em Lanheses! 


Remígio Costa
Texto e fotos
         

          


        

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ACADEMIA SÉNIOR DO IPVC ENCERRA COM TERTÚLIA LITERÁRIA ATIVIDADE DO ANO DE 2014.

                                         Vista geral da sala

             A Academia Sénior do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), a funcionar na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), encerrou ontem, quinta feira, dia 18 de dezembro, no restaurante Abrigo do Postilhão, na vila de Darque, com a II Tertúlia Literária de Língua Portuguesa, a atividade letiva do ano de 2014, completando simultaneamente o quarto ano da sua entrada em funcionamento.



                            Mestre Carvalhido da Ponte               

                Esta II Tertúlia, à semelhança da que ali ocorreu no ano passado, foi coordenada pelo orientador da disciplina Mestre jubilado José Luís Carvalhido da Ponte, com a presença dos fundadores principais e atuais responsáveis da Academia, doutora Ermelinda Jaques e dr. Sintra Coelho e a vice-presidente do IPVC, Florbela Correia. Quiseram confraternizar com os académicos nesta Tertúlia, atuais e anteriores professores voluntários de diferentes disciplinas abordadas e familiares dos alunos.

                 Nesta II Tertúlia intervieram quatro grupos de seis alunos cada, tratando cada um deles um autor da sua escolha previamente trabalhado nas aulas  em dois tempos letivos.


                                   João Viana e Margarida



                                Santos Silva                 

                O grupo inicial abordou o escritor e político Manuel Alegre, optando pela obra "Cão Como  Nós", da qual foram lidas passagens alternadamente pelos componentes do grupo bem como dados biográficos respeitantes à sua qualidade de autor. Graças ao excelente ritmo da apresentação, mereceram bem os aplausos dos presentes.



                                   Meira Teixeira

                                         António Almeida


                       Amândio Silva                 

            O segundo grupo de trabalho optou por  Miguel Torga, o que à partida era garantia de ótimo acolhimento por toda a assembleia dos presentes, face ao prestígio e valor da obra do escritor transmontano e dos seus muitos admiradores presentes, incluindo o moderador Mestre Carvalhido da Ponte. Um casal que integrava este grupo teve o privilégio de conhecer e conviver em Coimbra com Torga, tendo divulgado possuir um dos três únicos livros por ele autografados que o escritor, médico da esposa do apresentante, lhe tinha oferecido. Um trunfo, bem aproveitado pelo Bedel da turma, que valorizou ainda mais a excelente exposição do tema. Mais aplausos.

                                          Jaime Silva

                                     Xavier Gonçaves

                              Arlete Gonçalves


                 O grupo terceiro na exposição, escolheu Soeiro Pereira Gomes e um dos seus livros mais apreciados e lidos: Esteiros. Bem preparada, a obra foi escalpelizada criteriosamente e apresentada com classe, tendo sido dado o devido destaque à qualidade do autor e ao tempo em que a escreveu baseada no conhecimento real do personagens na vida dura que então viveram. Mereceram os aplausos que lhe prestaram.

 A intervenção dos grupos foi concluída pelo quarto grupo, no qual estava incluído. Referirei os seus nomes, não tendo feito o mesmo em relação aos dos restantes grupo por não os ter anotado e, neste momento, não conseguir lembrar-me de alguns deles. As minhas desculpas.


 
Arminda Martínez 

Fátima Costa

Fátima Curralo




                                Filomena Fernandes           
                                            José Moreira


                            Mário Pinto

                                      Remígio Costa
             

             Participei com: Arminda Martínez, Fátima Costa, Fátima Curralo, Filomena Fernandes, José Moreira, Mário Pinto. Quebrando com algum atrevimento o protocolo tácito, os nossos autores preferidos  e trabalhados foram dois: António Pedro e José Saramago. Razões? Muitas e fortes.
                 
               António Pedro foi um vulto de grande destaque na cultura portuguesa prematuramente desaparecido (1966, com 57 anos de idade). Foi multifacetado na intensa atividade que exerceu e dedicou à nossa região um paixão profunda. Tinha casa em Moledo onde passava as suas férias e conhecia profundamente a gente simples do Minho. Surpreendemos, com a apresentação do seu "protopoema da Serra d'Arga e com uma sinopse biográfica, em merecida homenagem.

                 Não optamos por José Saramago propriamente pela qualidade da sua vasta e bem estudada obra ou pelo Prémio Nobel que justamente mereceu. Demos referência de tudo isso numa síntese biográfica. Foi nosso intuito surpreender os tertulianos, indo buscar a um dos seus romances, a História do Cerco de Lisboa, uma passagem onde ele descreve com um minúcia tal que chega ao ponto de identificar dois "desgraçados" combatentes mortos em estado lastimável um, Galindo, e outro, REMÍGIO,  este de "setas  trespassado, duas de lado a lado" (sic); ora, como eu um dia, depois de ter lido o livro,  escrevi ao senhor Saramago "desagradado" com o fim inglório do meu homónimo e, tendo recebido resposta não dele que tinha mais que fazer, mas da responsável do seu Gabinete de Apoio, Rita Pais propus, e os meus colegas concordaram, que deveria incluir no trabalho a divulgação das referidas missivas. Bom, não cabe a mim  relatar a impressão que causamos aos presentes, apenas acrescentarei que nas mesas só havia naquele momento garrafas de água...mas, correu bem, podem acreditar.


    Da esquerda: Sintra Coelho, Florbela Correia, Ermelinda Jácome, Maria dos Anjos, Abílio Faria, Antunes Abreu e engº Horácio (de costas).

                                               Diretora da AcademiaErmelinda Jaques

                                   A vice presidente do IPVV, dr`Florbela Correia


                   Carvalhido da Ponte. Encerramento da II Tertúlia.

                O encerramento propriamente desta II Tertúlia coube ao professor e moderador do encontro, Mestre Carvalhido da Ponte. No seu jeito próprio de falar fácil com graça natural própria de quem conhece do que fala e como deve expor, ofereceu-nos momentos de raro encanto e gozo pessoal, ao ler de Raúl Brandão, pedaços a esmo da obra "Os Pescadores", onde descreve as maravilhas paisagísticas e a excelência do pescado da orla marítima de Caminha a Esposende, com pena de eleição.   

                Segui-se a confraternização à mesa entre todos os participantes com o serviço de um jantar  com ementa simples e frugal que foi oportunidade para comentar as incidências do ano terminado na Academia e para nos congratularmos com os momentos agradáveis que este convívio nos proporcionou.                                       




remigiocosta@sapo.pt
                

"OS GAITEIROS DO MINHO", com a participação especial da fadista Raquel Tavares.



Bilhetes à venda no Teatro Municipal Sá de Miranda (horário da bilheteira).
No dia do espetáculo se a lotação não estiver esgotada, os bilhetes estarão à venda na bilheteira do Centro Cultural, entre as 16h00 e as 21h00.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

CREPÚSCULO POÉTICO.





OS VERSOS MEUS

Não duvido que quem as ler,
 Pequenas e toscas, atamancadas
Como socos de pau de amieiro escavados,
Palavras em verso
Por mim escritas à toa
sem pitada de sal ou de fermento
Para, sem pejo, as dar a conhecer,
Lhe ocorrerá, pronto, um pensamento
Que mal maior não poderia acontecer
A quem tão despidamente apregoa
Estados de alma ou modos de ver.

Batem meus dedos os carateres do teclado
Que abrem na página do word em branco
O que o meu pensamento dita por sensato
Para não ferirem princípios e causar espanto;
São soltas, depois, sem maturar o tempo
Que a prudência requer e bem ensina,
Quase em tosco como veiga por lavrar
Expondo-as a que ao dobrar de breve esquina
Uma súbita asa de vento para longe as levar.

Os meus versos não esperam ressarcimento,
Panegíricos piedosos por mérito que não têm;
Satisfaz-me que sejam suficiente alimento
À vontade de ir mais longe e fazer sempre bem.

2014.12.13


Remígio Costa




quarta-feira, 17 de dezembro de 2014