segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

SINAIS NATURAIS DA PRIMAVERA.

  

                    Magnólias belas mas efémeras na duração.
  

      Falta cumprir um mês até que chegue a primavera do calendário, mas a Natureza enche-se a cada dia de sinais inequívocos que anunciam a sua aproximação a curto prazo. O aumento do período diário da luz solar é já substancial, salvo algumas situações pontuais os higrómetros registam números mais baixos de humidade do ar e a temperatura amenizou, nos ramos das árvores despontam os embriões da folhas, e a alegria da estação pelo colorido e perfume que lhe concedem está à vista na gama das muitas plantas em adiantada floração. É o caso das magnólias, camélias e dos "carneirinhos" dos salgueiros da margem dos rios, que dão notícia antecipada da bem vinda, maravilhosa e ansiada  primavera do ano de 2017.

           Os "carneirinhos" têm pressa em antecipar a primavera.

                    Copa branca que se renova a cada primavera. Ao contrário da cabeça dos velhos...


      Magnólia, japoneira, azevinho silvestre, estrelícia e toranjas, referências sugestivas.

Foto; doLethes
Remígio Costa

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O FUTEBOL DA NOSSA TERRA.


AF Viana do Castelo
Campeonato distrital da 1ª divisão
 Primeira divisão
18ª jornada
2017.02.19

                         A JORNADA EM SÍNTESE:

           - CAMPOS INFÉRTEIS PARA O UD LANHESES RESULTAM NO SEGUNDO DESAIRE FORA DE CASA, MAS FICA A QUATRO PONTOS DO PRIMEIRO LUGAR.

            - NÃO HÁ ENGANO: O ATLÉTICO DOS ARCOS (1º) PERDEU COM O VALENCIANO (PENÚLTIMO).

            - VIANENSE EM BOA ONDA GANHA AO PIÃES E RONDA A LIDERANÇA.

            - TÁVORA AJUDA À FESTA DAS SURPRESAS DA JORNADA À CUSTA DA MÁGOA DO CERVEIRA.
          
            - MONÇÃO "ABASTECE" VILA FRIA COM NOVE GARRAFAS DE ALVARINHO 
                
                                                RESULTADOS
    
Data Hora Visitado
Visitante
19-02-2017 15:00 ACR Arcozelo 1 - 2 Correlhã
19-02-2017 15:00 AD Campos 2 - 1 UD Lanheses
19-02-2017 15:00 Chafé 3 - 1 Castelense
19-02-2017 15:00 Monção 9 - 0 Vila Fria
19-02-2017 15:00 Neves 1 - 1 Courense
19-02-2017 15:00 Távora 0 - 0 Cerveira
19-02-2017 15:00 Valenciano 1 - 0 Atl. Arcos
19-02-2017 15:00 Vianense 1 - 0 Vitorino Piães

                         JOGOS A SEGUIR COM EXPETATIVA:

             - UD LANHESES - Arcozelo
             - Cerveira - Valenciano
             - ATL. DOS ARCOS . SC VIANENSE
 CLASSIFICAÇÃO GERAL

Equipa J V E D GM GS DG P DP
1 Atl. Arcos 18 10 6 2 41 22 19 36 0
2 Vianense 18 11 2 5 39 14 25 35 1
3 Cerveira 18 9 7 2 38 16 22 34 1
4 Vitorino Piães 18 9 5 4 32 15 17 32 2
5 UD Lanheses 18 8 8 2 35 19 16 32 0
6 Neves 18 9 5 4 37 22 15 32 0
7 Correlhã 18 8 6 4 33 20 13 30 2
8 AD Campos 18 8 2 8 24 37 -13 26 4
9 Monção 18 8 1 9 28 24 4 25 1
10 Courense 18 5 7 6 24 26 -2 22 3
11 Chafé 18 6 4 8 27 30 -3 22 0
12 Castelense 18 5 6 7 28 21 7 21 1
13 Távora 18 5 4 9 23 28 -5 19 2
14 Valenciano 18 3 6 9 21 33 -12 15 4
15 ACR Arcozelo 18 4 3 11 16 30 -14 15 0
16 Vila Fria 18 0 0 18 4 93 -89 0 15

"TEATRO EM LANHESES" COMO TEMA DA 1ª TERTÚLIA DE 2017, PROMOVIDA PELA JUNTA DE FREGUESIA.

 ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA DE LANHESES



  O "Teatro em Lanheses" é o tema da I TERTÚLIA de 2017 promovida pela Junta de Freguesia de Lanheses (Viana do Castelo), a decorrer no próximo dia 24 do corrente mês de fevereiro, sexta feira, pelas 20:00 horas, na sala da biblioteca da sede. Por limitação do espaço da sala onde irá realizar-se, os interessados em participar nesta iniciativa deverão proceder a inscrição prévia até ao dia 22, quarta feira, as quais serão consideradas segundo a ordem de entrada.

Foto: doLethes

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

ALFAIATE: A PROFISSÃO EXTINTA EM LANHESES


Old tailor workshop with sewing machine, fashion dummy and cloth

  ( Foto internet  )

    ALFAIATE POR MEDIDA, ARTE EXTINTA EM LANHESES
  
      Há já alguns anos que se extinguiu em Lanheses a profissão de alfaiate.  Atualmente, não conheço nem tenho notícia de que alguém natural da freguesia tendo aprendido a arte a exerça em qualquer outro lado em Portugal ou no estrangeiro.

     Desde o princípio dos anos quarenta que guardo memorizadas algumas recordações referentes aos que nesse tempo faziam fatos por medida e exerciam a arte como profissão única. O primeiro que conheci e de quem guardei imagens com nitidez de pormenor, é o meu pai, Artur, de seu nome.

     Na sala grande da casa de habitação do piso superior, uma mesa larga de linhas retangulares permitia ainda assim fácil circulação à sua volta. Brincava ao redor dela lançando no ar aviões de papel que o meu pai fazia para me entreter sem o perturbar enquanto trabalhava. Em cima, três metros de fazenda bem estendida, moldes, giz branco e fino de formato redondo, fita métrica pendurada à volta do pescoço e uma tesoura enorme manejada com mão firme a recortar sem desvio de milímetro pelas linhas traçadas. Preparam-se as entretelas, forros e chumaços para equilibrar o casaco nos ombros. Juntas as peças no formato da roupa a executar, seguras por pontos largos feitos à agulha com linha branca, era dada a primeira prova antes de passar à Singer junto à janela. A seguir, trrrr, trrrr, trrr, tangida pelo pedal iam ficando ligados pela agulha frenética da máquina, peça por peça, os recortes da fazenda dando forma à obra final, e pode o cliente a seguir fazer a segunda prova. Veste, ajusta, corrige e remarca com o giz, descose se for necessário, segura com dois alfinetes, e está concluído o trabalho para os acabamentos de pormenor: bainhas cerzidas com a agulha e dedal no dedo, abertura das casas e fixação de botões. A tarefa cabia ao ajudante aprendiz, João Franco, que viria a entrar para a família pelo casamento com a irmã da minha mãe, de nome Olívia. Mais tarde, porque o meu pai encetou um rumo diferente à vida e deixou definitivamente a profissão, foi o tio João que assumiu a alfaiataria com porta aberta para a estrada em macadame, no rés-do-chão.

       Nunca soube, ou apagou-se no escaninho das memórias adormecidas se alguma vez o ouvi contar a alguém, como optou e com quem aprendeu o meu progenitor a profissão de alfaiate. Dos meus avós não terá sido porque o avô materno não tinha esse ofício e faleceu novo em Espanha para onde emigrara em acidente de trabalho que desconheço qual fosse, e desde que tomei consciência de quem era e o que fazia, o paterno explorava uma loja de mercearia na casa onde residia.

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´Foto internet

       Antes de ter emigrado para o Brasil, ainda jovem e no estado de solteiro, o meu pai e o irmão mais velho, Moisés, como ele alfaiate, abriram em sociedade no Largo da Feira, atual Largo Capitão Gaspar de Castro, uma alfaiataria. Não deu certo porque à época eram escassos os clientes com posses em moeda para vestirem fatos por medida, e já bem especializados no jogo das damas com que iludiam o tédio das horas sem trabalho, decidiram tentar no Rio de Janeiro a compensação da arte que exerciam, com fama de artistas de gabarito a fazer fé nos testemunhos dos seus contemporâneos de que mais tarde viria a ter conhecimento. Regressaram alguns anos depois, não sei quantos, e com o casamento projetado e consumado sem muita delonga, nasceram as minhas duas primeiras irmãs e, comigo na lista de espera na terceira posição, voltou o meu pai com o irmão, pela segunda vez, a atravessar em trinta dias o Atlântico para chegar à terra de Santa Cruz. Contudo, as saudades apertaram a estadia e o adeus ao Rio, ao Corcovado no Pão de Açúcar e a Copacabana, tornar-se-ia definitivo.

 

        Ao tempo a que reporto a nomeação dos primeiros alfaiates que conheci trabalhava no ofício Joaquim Vacondeus Palma Marinho, ou Joaquim Curjães no tratamento comum, com oficina no Lugar do Outeiro; mais tarde, passou a residir com a família e a trabalhar no Lugar da Corredoura, na casa onde mora atualmente o filho único,   José Amado Palma Marinho, o Zé Amado, o qual, tendo o pai falecido e usando de alguma prática adquirida na colaboração dada ao seu progenitor, foi assegurando após o falecimento do pai por mais algum tempo a manutenção da modesta oficina aceitando esporádicos serviços de arranjos de vestuário, o que presentemente, ao que presumo, já não faz.

        No Lugar do Barreiro trabalhou durante alguns anos, por conta própria, Castro Vítor, desconhecendo eu com quem e onde aprendeu o ofício, e apenas o mais velho dos seus vários descendentes, o Eugénio, o ajudava e seguiu algum tempo com ele a aprendizagem, não tendo porém prosseguido o mester por ter enveredado pela ação política onde atualmente ainda milita.

 Nascidos em Lanheses e que se fizeram alfaiates e exerceram atividade profissional de relevo noutros ambientes, nomeio três: Joaquim Rebouço ou Joaquim Paulinho, Joaquim Palma Nunes Franco e Adriano Palma Fernandes. O primeiro, já falecido há algum tempo, fixou-se em Almada e fundou alfaiataria com vasta clientela entre destacadas personalidades da vida social e político da grande Lisboa, asseverado pelo amigo Joaquim Nunes Franco, que com ele conviveu durante os anos de permanência na capital. O Joaquim, enquanto profissional de alfaiataria e encarregado geral em atelier de confeção de roupas por medida, frequentou cursos especializados de estilismo antes de emigrar para os Estados Unidos onde permaneceu largo período da vida, regressando há já alguns anos à terra natal fixando residência em Viana do Castelo na situação de reformado. O Adriano Palma, que os amigos tratavam por Diamantino Viseu por ser grande apreciador das touradas e admirador do famoso toureiro, foi também ele emigrante-alfaiate nos Estados Unidos, faleceu em janeiro de 2014 sem ter feito carreira em Lanheses.


  
       Agitando num sopro mais forçado as cinzas demoradas que me restam da evocação dos tempos idos nesta matéria, uma ténue brasa traz-me à relação dos nomeados o nome de António Silva, conhecido por António da Palmira, o qual teria tido a profissão de alfaiate antes de fixar residência nesta freguesia no Lugar do Outeiro, porque o que melhor recordo é a casa de petiscos e comidas que possuiu e explorava no Largo da Feira onde hoje está a Ourivesaria de Lanheses.

     Os alfaiatas tinham que concorrer já nesse tempo com a roupa de “pronto a vestir” vendida na feira quinzenal de Lanheses, que então decorria no Largo principal da freguesia, com a famosa casa “Cardoso da Saudade”, com sede em Braga. Os fatos estavam exposto num trailer amovível de grande dimensão onde era possível aos clientes escolher numa gama atraente e variada à medida, ajustada com preços muito rateados. A mudança de hábitos no vestir, a inovação no estilo, o desenvolvimento da indústria, o markting, a importação e a oferta intensa resultante da proliferação dos grandes armazéns que esmagaram os preços e a adesão em massa dos clientes beneficiando da melhoria substancial do poder de compra e da acessibilidade fácil, foram decisivos para a quase extinção dos alfaiates tradicionais, dando lugar ao aparecimento dos ateliers estilizados e a costureiros altamente credenciados no design e na originalidade da oferta.

Fotos: em cima; à direita: Joaquim Nunes e esposa. Em baixo: José Amado.


Remígio Costa, 2017/fevereiro.