segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

NOVO "CORTIÇO" CLANDESTINO DA VESPA ASIÁTICA.

         

            Um morador do sítio de Salvaterra perto da Zona Industrial, que possui colmeias de abelhas que vêm sendo atacadas pelas vespas velutinas, informou-me da existência de mais um ninho da espécie invasora que está a desenvolver-se nesta região vai para três anos, no cimo de um alto eucalipto localizado do lado direito à entrada da Rua do Seixô, perto da estrada que segue para a auto estrada e Meixedo. De acordo com a informação que colhi,  existência do enxame é conhecida dos serviços de protecção da natureza de Viana do Castelo há já vários dias, mas, além da deslocação de um elemento dos bombeiros ao local nenhuma outra providência prática foi até agora tomada.





         Outros "cortiços" foram localizados na freguesia vizinha de Meixedo, um dos quais formado na habitação de duas idosas e que terá sido destruído por elas em condições que colocaram em risco a sua própria segurança contra as venenosas picadas das vespas.

sábado, 30 de Agosto de 2014

CARAMURU E CATARINA E O FOLCLORE DA ANTIGA PRAÇA DA RAÍNHA.

              
            A Praça da República em Viana do Castelo, esta manhã. Caramuru e a esposa Catarina Ipaguaçú parceiros passivos da iniciativa que ali ocorre hoje, último sábado do mês de Agosto, onde a freguesia de Vila Franca da margem esquerda do rio Lima é responsável pela animação da antiga Praça da Rainha, mostrando os produtos da produção local de fabrico artesanal, doçaria, broa, enchidos, vinhos, licores e artefactos vários, apresentados por mulheres e homens em traje regional e tocadores de concertina.

             Hoje, a praça é deles, vilafranquenses.  Caramuru e Catarina, petrificados, imóveis, escuros, intrusos, destoam do colorido e animação do evento castiço e tipicamente minhoto do local e do bulício das gentes que circulam ou conversam sob os toldos das esplanadas coloridas que avivam as cores das pedras escuras dos genuínos e primitivos edifícios que a tipificam.


sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

A LENDA DE SANTO AGINHA.

 (Do livro de Lendas de Fernando Frazão)

Perdida entre os arvoredos da serra de Arga, a pouca distância de Caminha, está a pequena aldeia de Arga de S. João. Aí existe uma minúscula capela de branquíssima frontaria, dedicada a Santo Aginha, e mandada edificar em memória do milagre que vou contar. 
Diz a tradição do lugar que Aginha era um perigoso salteador de estradas e casais. A região vivia em pânico porque não havia dia que o homem desse sossego às pessoas. Ai de quem jornadeasse sozinho pelos carreiros e descaminhos da serra! Quando menos esperasse, via aparecer-lhe pela frente, de punhal em riste e chapelão de abas largas descaídas sobre os olhos, o malfadado Aginha. E se não levasse fazenda ou moeda consigo, passava um mau bocado porque o assaltante só desistia da presa depois de a esbulhar, nem que fosse da roupa que trazia. Se, por outro lado, arriscasse um gesto de autodefesa, poderia ficar bem maltratado, pois o salteador, ainda que por vezes fosse mais fraco do que a vítima, era homem habituado a rudezas e de uma agilidade de gato bravo. 
Dizem que, um dia, Aginha caiu sobre um padre que vinha de dar a extrema-unção a uma velhota que vivia num pequeno casal escondido nas brenhas. E, não se sabe como, o padre teve modos de o converter ao bom caminho e persuadir a abandonar aquelas malas-artes. Como penitência, o padre mandou que permanecesse no monte, só, nos mesmos locais onde antes atacava os viandantes, mas agora auxiliando quem passasse do modo que pudesse. Aginha obedeceu e por ali ficou, esperando que cada gesto bom que fizesse lhe apagasse, acto a acto, o passado. 
Certo dia, descia a serra uma carroça puxada por dois pachorrentos bois, carregada de lenha e com um carreiro sentado no varal. 
Aginha estava encostado a um carvalho, mastigando pensativamente uma azeda, quando viu a carroça virar-se repentinamente: uma roda passou por sobre uma pedra maior, desequilibrou-se e tombou para o lado. 
O carreiro, aflito duplamente - pelo desastre e por se saber em terras de Aginha - olhou em volta procurando auxílio. Soltou dois palavrões, tirou o chapéu, coçou o cocoruto e disse mal da sua vida. Subitamente, os seus olhos deram em Aginha, que se levantava para o auxiliar. Fez-se branco de pavor. E ignorando a conversão do salteador, crendo que ele se aproximava para o maltratar, pegou na machada da lenha e, automaticamente, desferiu-lhe uma pancada tão cheia de pânico que o matou. Com o coração angustiado, desatou a correr serra abaixo até chegar à aldeia. Dirigiu-se às entidades a declarar o sucedido, tanto mais que sabia - pensava esperá-lo uma moeda de ouro, por recompensa. As autoridades tomaram conta do ocorrido e disseram-lhe que mais tarde se certificariam do facto. 
Voltou o carreiro, com o coração mais leve, ao local do crime para finalmente socorrer os bois e trazer o carrego para a aldeia. Sentia, contudo, no fundo das tripas um certo horror pelo que fizera e por isso tratou de tudo como um burro empalado, olhando em frente, evitando encarar o corpo que estendera no chão. 
Quando dias depois as autoridades se dignaram a subir a serra para verificar o óbito do assaltante, encontraram incólume o corpo de Aginha e, segundo dizem, exalando um suave cheiro de flores silvestres numa madrugada de Maio. 
Esta é a história do assaltante que foi tão santo e fez tais milagres que o povo, agradecido, passou a venerá-lo na capela de Arga de S. João.


 

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

SÃO JOÃO D'ARGA.

            
                                       SÃO JOÃO D'ARGA


            Há quem lá vá todos os anos e muito poucos aqueles que pelo menos uma vez na vida não tenham ido à romaria de São João d'Arga, que se celebra nos dias 28 e 29 de Agosto em Arga de Baixo, concelho de Caminha, em plena serra d'Arga, se  gosta de participar e conhecer romarias e festas típicas e paisagens deslumbrantes onde acontecem na diferente e mui portuguesa província do Minho.


                                                  A CAPELINHA
             

              A capelinha que se ergue no espaço interior do velho mosteiro que se levanta sobre um extenso vale com vista para norte do sistema montanhoso que o envolve,  tem características românicas que remontam a sua existência ao século XIII, sendo objecto de devoção de muitos crentes que ali se deslocam para dar três voltas ao redor da capela em cumprimento de promessa ou graça recebida, entrando seguidamente no pequeno templo para orar junto do altar de São João, deixando depois o seu óbulo em dinheiro nunca se esquecendo de deixar uma parte para a figura que representa o diabo, "não vê ele tecê-las", o que significa apaziguar os malefícios que o mafarrico possa causar na vida do romeiro.

                             INTERIOR DO TEMPLO E OS ANDORES
            

                    Não tanto como era tradição e exigência de sacrifício para quem tinha promessa a pagar, ainda há muitos romeiros que ali se deslocam vindos de longes percursos atravessando em caminhadas,  só ou em grupos mais ou menos numerosos, a serra durante várias horas até ao local da festa. Acampam alguns em tendas montadas entre pinheiros onde perto passa um ribeiro, se vêm de véspera, regressando outros pelo percurso da ida ou em transporte próprio.

                 ALTAR-MOR COM A IMAGEM DO ORAGO.É AQUI QUE OS ROMEIROS CUMPREM O RITUAL DO "TOQUE" COM A CRUZ NA IMAGEM.

                 
            Ontem, quarta-feira, dia 27 já lá estavam montadas um elevado número de tendas, e, pelos mais ínfimos recantos ainda não assinalados como ocupados, muitas viaturas faziam manobras para se arrumarem numa nesga da espaço livre. No acesso ao mosteiro e à capela, alinhavam-se já em funcionamento os bares ambulantes, as tendas para o serviço de refeições e bancas com produtos de consumo e de brinquedos. À entrada, as tendas onde se servia cerveja, vinho e a típica aguardente com mel, tal como no recinto interior onde estava montado e pronto a servir o cabrito à moda da Serra  d'Arga um verdadeiro restaurante, não faltando sob as varandas de pedra escura do antigo mosteiro e pousada temporária, as barraquinhas com bebidas e tapas apropriadas, bem como o departamento das informações e publicidade.

                  O RETÁBULO DO "ANJO MAU" OU DIABO QUE É PRECISO APAZIGUAR COM ALGUMA MOEDA. (Ainda que seja das "escuras"...)
          

             A noite da véspera da romaria de São João d'Arga é o ponto alto da enorme concentração de romeiros que ali se aglomeram. O espaço, fora como dentro do recinto, é muito escasso para tanta afluência e manifestações espontâneas de exibições folclóricas e musicais. São rusgas populares vindas de aldeias distantes, cantares ao desafio de cantadores já conhecidos e de voluntários que os tentam imitar, concertinas e bailes que duram até à alvorada. Entre os velhos sobreiros, no coreto uma banda interpreta peças ajustadas ao ambiente e os pares atropelam-se no rodopio dos corpos embalados pelo ritmo da música.

                   Vou arriscar nos meus conhecimentos de arte sacra e dizer que estamos em presença de um belo retábulo maneirista, está correcto dr. AAA?
         

                 Há histórias mil pessoais ou não, que se espalham avulso sobre esta típica e castiça romaria genuinamente popular que atrai à serra, esteja o tempo de chuva ou sol de verão, gente de muitas proveniências e condição social. A mais conhecida e que facilmente se pode conhecer numa busca na internete é a de Santo Aginha, ou Oginha, como muitos preferem. Conta a saga de um bandido que assaltava os romeiros no Serra mas que  um dia se converteu por intercepção do orago e deixado de exercer a função de ladrão. Mas não teve muita fortuna porque, quando pretendeu ajudar numa dificuldade alguém que estava em apuros, acabou por ser morto por quem procurava ajudar, os quais não conheciam a sua regeneração.




          Vivi pessoalmente uma  aventura na primeira vez que atravessei a serra a caminho de São João d'Arga, na companhia da minha mãe e um grupo bastante numeroso quase todo formado por mulheres com alguma idade e por jovens, que sonhavam com a ida o ano inteiro, teria uns sete anos de idade. Já depois de escalada a "muralha" que se depara aos caminheiros após se passar São Lourenço da Montaria, as nuvens que tapavam o céu abriram-se em cataratas de água e a breve trecho formavam cascatas naturais pelo percurso que seguíamos, liderada por uma cidadã já entradota nos anos que dizia conhecer bem a pista até São João. Durante algumas horas a chuva foi inclemente caindo sem cessar. Nem guarda-chuvas, nem abrigo por detrás dos penedos, nem o encosto às saias da mãe impediram um banho que não deixou um linha de roupa enxuta a nenhum cristão. Abrandou ao fim de muito tempo o temporal desabrido mas formou-se a seguir um espesso nevoeiro que reduzia a visibilidade a alguns metros. A "guia" desorientada, chorava; os poucoa homens praguejavam, as mulheres rezavam indecisas entre esperar ou caminha em frente, à aventura. A certa altura, já com as nuvens mais altas, ouviu-se o estrondo de foguetes e demos conta de que estávamos, afinal a menos de um quilómetro do ponto de chegada.  Encharcados até aos ossos, cansados, esfomeados,  com o farnel em papas, viramos costas à capela e regressámos a casa. Soube, depois, que um casal que fazia parte do grupo, voltou a São João pelo mesmo trajecto  depois de mudar de roupa.



          Fui lá, a pé, há cerca de cinco anos integrado num numeroso grupo de alunos e professores da Escola Secundária de Lanheses. Foi uma caminhada que principiou às 10:00h e terminou em São João d'Arga pelas 16.00h. Tinha que honrar o compromisso que assumi com os meus companheiros de viagem a Viena de Áustria, em 27 de Maio de 1987, quando o Futebol Clube do Porto se tornou campeão europeu de futebol pela primeira vez...


          Alguém registou numa máquina fotográfica a minha "pose" de chegada, com a promessa de me oferecer o retrato como recordação Estou ainda confiado que isso vai acontecer. Enquanto não tiver em meu poder a prova da minha desobrigação, vou continuar a rogar a São João d'Arga miraculoso e justo que não deixe Bella Gutman quebrar a maldição dos cem anos de jejum de vitória em finais europeias de futebol lançada sobre um clube de que foi treinador...


          De algum anos a esta parte, satisfazendo um pedido da minha mulher, vou a São João d'Arga, de carro evidentemente, na ante-véspera dos festejos. Estive, pois, lá ontem durante pouco mais de trinta minutos. Chuviscava , o que me desencorajou a ficar mais algum tempo e até de petiscar. Colhi uma fotos, deixando aqui algumas para estimular aqueles que porventura ainda se não decidiram a ir até lá, divertirem-se e apenas  regressarem amanhã e só descansarem no Largo de São Lourenço da Montaria.



         Não vão arrepender-se, mas devem esperar muitos obstáculos para o conseguir.

         
                                                        O MOSTEIRO











        




                                                                            fim

Texto e imagens doLethes
Remígio Costa

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

FESTA NO MILHEIRAL, EM LANHESES (Viana do Castelo)

         Volta ao Parque Verde de Lanheses, em 6 e 7 de Setembro próximo, a Festa do Milheiral 2014, uma iniciativa organizada pela Junta de Freguesia que leva já alguns anos de existência.

          Ainda não está fechado o programa desta original festa-convívio que decorre num espaço com árvores e relva abundantes, no cenário ribeirinho do Lima e das veigas onde o milho e outros cereais se cultivam, o qual tem vindo progressivamente a ser dotado de condições para a realização de eventos ao ar livre onde se espera venha a participar um número elevado de pessoas. Para proporcionar uma melhor fruição dos eventos que decorrem depois do sol posto, foi recentemente alargada a rede eléctrica fixa  e instalados holofotes em postes fixos que aumentam a área iluminada do espaço para actividades nocturnas em melhores condições das que antes existiam.

            Entretanto, foi tornado público um flyer da Festa do Milheiral que a seguir se divulga. O programa definitivo será divulgado logo que esteja concluído.

           


domingo, 24 de Agosto de 2014

A FESTA DOS BOMBOS.

    


   Às doze horas deste sábado 23 de Agosto teve lugar na na Praça da República a tradicional  "Revista dos Gigantones" que concentra no local mais característico de Viana do Castelo, várias fanfarras que desfilam em círculo na Praça ao som simultâneos de dezenas de bombos, enquanto as enormes figuras dos gigantones e os pequenos cabeçudos evoluem em movimentos grotescos no centro do espaço onde se aglomeram alguns milhares de pessoas a assistirem ao desfile.

       O barulho é ensurdecedor durante mais de meia que dura a espetacular exibição ininterrupta das fanfarras que, em determinados momentos a ao longo do percurso que repetem três vezes, param para uma exibição própria. 



       Antes do desfile, na Praça de visita incontornável para quem visita Viana do Castelo,   num coreto junto ao monumento de Caramurú e Catarina Ipaguaçú, vai animando o ambiente com composições de música popular que alguns pares mais afoitos aproveitam para uns passos de dança. À sua volta e nos lados laterais da Praça, engrossa à medida que se aproxima a hora prevista para o inicio da "Revista" como o número de espetadores que também se apinham nas escadas do chafariz e nas varandas dos prédios ao redor, com o Taurino Viana Clube a ficar "à cunha" quando a "festa dos bombos" principia.

       Nas sacadas do edifício dos antigos Paços do Concelho, algumas figuras da administração camarária, designadamente o presidente José Maria Costa acompanhado da artista plástica Joana Vasconcelos, que é a presidente da Comissão de Honra deste ano das Festas  d'Agonia deste ano, a vereadora da Cultura e, Francisco Sampaio, o "pai" do Turismo da região norte e principal figura da organização da Romaria mais famosa de Portugal há vários anos.

       A Romaria da Senhora d'Agonia termina amanhã, domingo, dia 24, realizando-se pelas 16:39h a Procissão Solene da Senhora d'Agonia. Depois das 21:30 decorrerão concertos musicais na Praça a República e no Jardim Marginal onde se concentram as últimas atividades da Festa com exibição de vários Ranchos Folclóricos, para, pelas 00:00 principiar a sessão de fogo de artifício no estuário do Lima concluída com  a espetacular cascata de luz que formada na ponte Eiffel.
      
                                  ANTES DO DESFILE, NA PRAÇA DA REPÚBLICA
                     INÍCIO DA RUA MANUEL ESPREGUEIRA.

                                                  PRAÇA DA REPÚBLICA







                                A CHEGADA À PRAÇA DOS GIGANTONES.











                                    AS FANFARRAS PREPARAM-SE PARA O DESFILE.




O PÚBLICO ALINHA JUNTO AOS PRÉDIOS PROCURANDO A SOMBRA.
OUTROS, ENFRENTAM O SOL





UMA VISTA PELO ROTEIRO.

NO ANTIGO PAÇOS DO CONCELHO ENTIDADES AGUARDAM O COMEÇO.
                              
                               PRONTOS. PRINCIPIA O DESFILE.








































                                 DRONE



































JOANA VASCONCELOS, ATENTA.





                             
                                 ESPIÃO DE OLHO ABERTO.










JOSÉ MARIA COSTA E A PRESIDENTE DE HONRA 2014.





                    A "JOANINHA" DÁ UMA ESPREITADELA A IMITAR A MÃE.



                               A TERMINAR,


                               VISTA A PARTIR DO INÍCIO DA RUA DA BANDEIRA.





                                                                    FIM, ATÉ AO ANO.

Fotos e texto:
Remígio Costa.