terça-feira, 21 de abril de 2015

À ESPERA DO PÔR DO SOL...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

PARQUE DE ESTACIONAMENTO AUTOMÓVEL EM CONSTRUÇÃO.

                    


                    O projeto e início de construção do parque de estacionamento para viaturas automóveis que está a decorrer a nascente da Rua da Estrada da Igreja nas imediações da antiga Casa da Barrosa, é uma iniciativa que transitou do executivo de Junta de Freguesia anterior e foi assumido, com algumas alterações, pela administração atual de Filipe Rocha. As diferenças introduzidas resultam de entendimento obtido entre a Junta e o proprietário de terreno e latada confinantes , a norte,  Joaquim Damasceno, o qual cedeu uma parcela do campo confrontante para alargamento da entrada do futuro parque por troca com outra localizada ao fundo do espaço que ocupa.


                    A execução da obra decorre com os meios humanos e mecânicos de que a Junta dispõe estando os trabalhos bastante adiantados. O objetivo da autarquia local visa essencialmente criar mais condições para o estacionamento de viaturas ligeiras que sirvam a capela mortuária em dias de funerais, a feira quinzenal e o próprio Agrupamento Escolar de Arga e Lima e possa, ainda,  complementar o parqueamento no Largo Capitão Gaspar de Castro e atos religiosos de maior projeção que ocorrem na Igreja Paroquial e trazem para o local um número acrescido de viaturas.

       

Fotos: doLethes
Remígio Costa      

SANTO ANTÃO ABRE O CICLO DAS FESTIVIDADES EM LANHESES (Viana do Castelo) EM 2015.

FESTA EM HONRA DE SANTO ANTÃO

                              14, 15, 16 E 17 de Maio de 2015
 
                Quarenta dias depois da Páscoa a Igreja católica celebra a Ascensão de Jesus Cristo.Ressuscitado ao céu: "Da Páscoa à Ascensão, quarenta dias vão", dizia o povo e, todos sabiam que essa era a data em que ocorria a festa em honra de Santo Antão, cuja imagem se acolhe e pode ser venerada na singela capelinha que lhe é dedicada e está erguida no local mais elevado do Lugar (quiçá da freguesia)a quem o orago deu o nome. Houve tempo em que a festa ocorria à quinta feira (a décima quarta a seguir à Páscoa) por coincidir com o cumprimento daquele período e o dia era considerado santo; mas as alterações introduzidas pela autoridade religiosa no calendário do culto dos santos nas igrejas determinou que a evocação festiva de Santo Antão passasse a ser no domingo seguinte. Paralelamente ao Dia da Ascensão, ocorre uma tradição antiga conhecida pelo "Dia da Espiga", que muitos comemoram colhendo dos campos pontas de plantas, as espigas, das quais fazem raminhos que oferecem e são pendurados na parte anterior das portas das casas. Pelo que conheço das nossas tradições, este costume não estava muito generalizado embora houvesse trocas entre pessoas ligadas por laços afetivos ou simbolismo religioso.

             Sou santoantoniense porque nasci em Santo Antão, à vista do Santo, ali ao lado. Não tenho memória do tempo em que vivi naquele Lugar, porque foi muito breve antes de passar a morar na Corredoura onde decorreu toda a minha adolescência e juventude. Talvez isso seja a causa de uma certa empatia com o orago protetor dos animais, que todos somos, e que tenho como recíproca atendendo a que não tenho razões de queixa da preservação do corpo e, vá lá, sem jactância alguma, do espírito... (se alguém não estiver de acordo que o diga agora ou cale-se para sempre!).

             A festa de Santo Antão só mantém das primitivas características o ritual do culto católico cristão. Os animais domésticos, raiz principal da sua implantação popular e sua verdadeira característica, desapareceram do cenário atual de que eram o principal fator e razão de existência e o recinto, outrora ocupado por dezenas de cabeças de gado bovino, caprino, equino e outras espécies utilizadas no cultivo dos campos e produção de carne e leite para sustento dos lavradores, está reduzido nos últimos anos a uma parelha de vacas, gado caprino e um cavalo de equitação.

            Aparte o arraial profano do programa que comporta obrigatoriamente um conjunto musical que dá ao vivo concerto de música para dançar até às tantas e o fogo de artifício condicionado ao volume e variedade pelo seu custo, é o cabrito que atrai a Santo Antão dezenas de apreciadores. Do sarapatel preparado a preceito com os miúdos do cabrito e condimentado q.b, também sobram apreciadores e escasseia o pitéu, que só o verde carrascão pode suprir até que se diga "basta".

            Festa é festa. Mas a tradição, acreditem, tem pouco ou nada a ver como era vivida no passado, há pouco, muito pouco tempo atrás...




domingo, 19 de abril de 2015

sábado, 18 de abril de 2015

VEJA, PASSO A PASSO, COMO SE PREPARA A LAMPREIA NO ESPETO À MODA DO "CANINHAS".

                   A preparação da lampreia para ser assada no espeto não é muito complicada mas é bastante demorada. Entre o início da operação até à sua assadura ideal, o processo pode levar cerca de duas horas e trinta minutos e. nalgumas das suas fases, requer o auxílio de duas pessoas.

             Acabo de registar fotograficamente as operações principais a fazer para preservar as qualidades gastronómicas deste longilíneo e viscoso invertebrado (terá sido ultimamente incluído na família dos peixes...)  que percorre milhares de quilómetros vindo das águas quentes do Mar dos Sargaços do Atlântico norte para desovar o mais perto que puder das nascentes dos rios de água doce da Europa do sul, para logo morrer cumprindo um ciclo sazonal de migração com início em Dezembro e que termina entre março e abril (aproximadamente).

              Vejamos como é:



            Ingredientes: água, muito limão e sal

                                          Lampreia viva no aquário ventilado

                                         Primeira lavagem em água corrente

 Primeiro corte antes do início da boca...

                                         ...continua.

                                  Usando um pano, segura com as duas mãos.

                         Primeiro corte junto à boca para extração de órgãos não comestíveis, introduzindo o dedo indicador por baixo e levantando o conteúdo. É aqui que se encontra a espicha, uma espécie de cartilagem em forma de osso que, caso não seja retirada torna a lampreia intragável.

         Outro golpe, agora na parte anterior, um pouco acima do orifício dos dejetos expelidos pelo animal, para extrair uma tripa.



Um terceiro corte junto ao último orifício de respiração da lampreia, para retirar a tripa por onde passa o alimento. Em cima e em baixo.




                            A cada operação sucede-se a passagem em água corrente da torneira e, a seguir, é introduzido um varão de aço pela boca até ao rabo para levar ao assador. As três fotos seguintes.



                        Mais uma lavagem.
                        


                       Passa a seguir a ser aquecida sobre brasas de madeira, principiando pela cauda, em operações sucessivas: aquecida uma parte, é a seguir raspada à faca e levada à torneira para humedecer a pele, evitando que se enrugue e torne mais difícil  É o que se vê nas seis fotografias seguintes, em que a tarefa é repetida até se retirar todo o limo escorregadio do corpo da lampreia.




                               A pele retirada pela faca.


                                       

 Entretanto, a mesa da operação é cuidadosamente limpa

                                        
  Mais uma passagem pelo fogo para estender a pele. Esta operação tem o mesmo efeito que a água a ferver quando a lampreia é cozinhada de outra maneira, como com arroz.

                                         
                                               De novo na água...
                                               
                                              ...uma demão de limão e sal e....

                            ...vai para o assador rotativo cerca de duas horas, vigiada pelo expert que lhe vai dando uns furos com um garfo para melhor sair a gordura, volta a receber uma ou duas passagens de água com sal e limão, e, fica pronta para a travessa. Uma para quatro onde estejam dois que não gostem...

                      E o "Jacob" na varanda grasna furioso porque não o deixam provar nem que fosse a cabeça da lampreia!


  Fotos: doLethes
Remígio Costa

               

 


VOLTEIAM JÁ NOS ASSADORES AS LAMPREIAS PARA GÁUDIO DOS APRECIADORES.

            Aqui estão elas,  gordinhas e vivinhas da silva

Ao calor do assador rodam lentamente as lampreias pescadas no rio Lima, sob o controle do experiente preparador deste apreciado pitéu regional, António Costa, da freguesia vizinha de Vila Mou, amigo pessoal do bem conhecido e popular Caninhas, que coordena e prepara o apreciado ciclóstomo, nesta segunda festa da lampreia levado a cabo no Largo Capitão Gaspar de Castro, em Lanheses (Viana do Castelo), numa iniciativa patrocinada pela Junta de Freguesia a qual tem por fim único angariar fundos para incentivar e promover nesta freguesia a prática da canoagem. 



                    Às armas! Não, às lampreias!
           

              No local está montada uma tenda onde decorrem os preparativos de culinária que esta espécie requer, não faltando os habituais mirones atentos aos mais pequenos gestos dos operadores não se coibindo de comentar e formular perguntas sobre o processo de preparar a lampreia assada. E há sempre quem conte uma história ou episódio relacionada com a pesca que envolve interesses pessoais dos detentores dos locais do rio onde são pescadas...Ao lado, dentro da réplica de piroga monóxila construída pelo Manuel João Caninhas dentro da água agitada artificialmente, alguns exemplares vivos aguardam, rabejando incessantemente,  a vez de passarem à banca de preparação e, a seguir, enfiadas no espeto para serem reduzidas a cerca de metade do seu volume para ficarem no "ponto" e serem consumidas. O processo é simples mas exige bastante trabalho e cuidado e o tempero é o mais básico que se pode pensar: água e limão!


                         O Tone Silva segura, o Caninhas separa.

    O "suplício" do fogo reduz o tamanho a menos de metade.
         

               Os interessados podem abastecer-se no local e levar para comer em casa ou, então, entrar num café ou restaurante existentes no Largo. Não fiz questão de perguntar mas, pelo que é usual, todos eles têm hoje à disposição pratos de lampreia cozinhados de forma diferente, a partir deste momento e durante o resto do dia e os preços são bem mais interessantes do que por vezes se pagam noutros locais.


                António Costa, o "especialista" no assador.
            

               É popular, tradicional e de confiança o produto oferecido e tem um objetivo louvável que é o de fomentar em Lanheses a prática de um desporto para jovens que já está a ser apoiado de há algum tempo a esta parte por centros federados cuja credibilidade e projeção é reconhecida a nível nacional e internacional.

            Ora vamos lá à primeira tora assada. Mais logo, talvez "de feijoada" para saborear e ficar a saber que gosto tem.

        

             








              
Fotos: doLethes
Remígio Costa