terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

"OLHO" COM ICTERÍCIA.

      


         Na época das chuvas dá-se ares de regato porque aumenta o volume de água, apesar de não se transformar em corrente. Fica maior, só, o espaço alagado que às vezes se estende além dos limites do simples rego de águas mortas do verão em que se transforma, ocupando agora parte dos campos de lavradio que atravessa. A novidade (que o não será de todo porque noutros anos se terá verificado o mesmo) é que o velho "olho" apareceu de há tempos a esta parte colorido de amarelo barrento. Está cheio de icterícia depois de ter sido fossa de efluentes domésticos (coitado).


       Barro, é o que mais por lá existe e até já dali saiu a matéria prima para fazer as telhas, no Barreiro, que cobriram o Convento de Mafra. E se nalgum campo, a montante, a terra foi lavrada a água da chuva arrastou o terreno arado mole e "pincelou" a icterícia que abaixo se nota no rego. Um pouco estranho, convenhamos, porque as lavradas na "veiga de cima" (e já agora na "de baixo", também), só principiam conforme uso tradicional depois do "dia das soltas" (que significa que era consentido que o gado pastasse, solto,  em qualquer courela), o qual acontecia no dia 3 de Maio, pela festa "das Cruzes".


      Nada tem a ver com a importância histórica e atual que o Nilo representa  para o Egito o que acontece entre pontes no sitio de Linhares e Coladas, em Lanheses, mas também aqui se pode esperar que algo de benéfico possa trazer ao "olho" o arrastamento de inertes de terrenos produtivos. Sempre haverá uma quantidade que fica depositada no fundo a qual poderá ajudar a restituir ao leito do rego a fecundidade que a poluição matou e que, muito lentamente, dá sinais de estar a acontecer.

      Assim seja, e que possamos ver ali outra vez, as lindas flores dos nenúfares. 


Fotos: doLethes
Remígio Costa

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O DIZER DO POVO SIMPLES.

             
Drª Ana Maria Craveiro Malheiro Pereira da Castro
Licª em História (UC)
Professora jubilada do ensino secundário com exercício docente em vários estabelecimentos de ensino, designadamente no Externato liceal e Escola EB 2,3/S, em Lanheses, onde concluiu a carreira.
Tem residência nesta freguesia na Quinta de S. Filipe a qual pertenceu ao seu pai Capitão Gaspar M. Pereira de Castro, emérita figura da freguesia de Lanheses (Viana do Castelo). 
  »«»«»«»«»«»«»«»«»«.


              Já depois de termos caseiros na quinta só os dois primeiros campos em frente à casa é que eram cultivados por nós. Lembro muito bem da Rosa Filipa e da sua filha. O meu Pai mandou fazer canteiros orlados de cravelinas brancas e lá se plantavam também as hortaliças para consumo da casa. Como sempre tínhamos um cão fox terrier. Estes cães são óptimos caçadores de ratos. A Maria um dia perguntou-me: -"Ó menina estes cães "rescenderão" de gatos?". Falavam de uma maneira muito engraçada. Por exemplo: a troca do R pelo L. Diziam almário e não armário. A troca da 1ª pessoa dos verbos pela 3ª: eu fez isto ou aquilo, etc.. Asfalto diziam asfalque e muitas outras coisas idênticas.

Nota do gestor do blogue - Apesar de serem cada vez em menor número, há ainda entre nós quem pronuncie palavras de forma semelhante à descrita no texto.

AMC 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

BRAVO, FÁTIMA!

Não, não é um aplauso de incitamento à minha mulher embora ela sem dúvida alguma o mereça, se melhores razões não houvesse, pela paciência com que atura as minhas bizantinices de todos os dias desde há um ror de anos. As palmas, porém,  dirigem-se a Maria de Fátima Bravo, uma cantora que deu brado na fase alta da sua carreira embora a sua atividade como cantora fosse de curta duração por ter cessado com o casamento. Linda na voz e bela na figura, deixou-nos ainda assim um lote valioso de interpretações de que recordo esta que era, então (e continua a ser) uma das que mais gosto de ouvir ainda agora -Vocês sabem lá.



A ARARA DO ANTÓNIO OU O TONE DA ARARA.

            

                                                    -Olá, olá, diz, olá. Tá bem!

              De quando em vez ouve-se um kuaaaaak estridente e pouco comum aos ouvidos dos habituais frequentadores do Largo Capitão Gaspar de Castro e, por alguns momentos, aqueles que ainda não estão familiarizados com o estranho som, interrogam-se sobre a sua origem de onde vem e o emissor que o produz. Mais um e, logo a seguir, outros kkkuaaaaaak levam os olhos dos curiosos para a sacada em ferro com vasos floridos de um prédio do Largo onde está encavalitada e presa com corrente por uma pata, uma enorme ave exótica a abrir as avantajadas asas de cor azul a contrastar com a mancha do amarelo vivo que lhe veste o grosso do corpo. Trata-se ao fim e ao cabo de uma arara, quiçá uma arara-canindé como julgo ter identificado numa visita sumária à coca-bichinhos wikipédia, uma espécie típica das florestas de alguns países da América do Sul que partilham da mancha amazónica do Brasil, pulmão do Mundo (a caminho de infeção pulmonar irreversível), pertencente a António Faria da Rocha, com registo de autorização legal como não poderia deixar de acontecer.


                               Provado ficou que ave e dono se dão bem.

                  Já todos estamos habituados a algumas excentricidades do Tone da América e, se ele entender proporcionar a "menina" tão vistosa uma paisagem aproximada da que deveria ser o seu habitat natural, ninguém vai estranhar que ele a coloque num dos ombros, salte para o volante do seu trator e a leve até à margem do rio Lima onde pode, tal como o dono, espreitar as lampreias enquanto a treina com vista a que ela possa algum dia aprender a falar.  - Dá um beijinho, dá, pede o Tone à "rapariga". -Kuauuuuk, kuaaaak, "diz" ela a lembrar um bebé a pedir biberão. Ele: -Vai falar, é novinha e já diz "papá" (perdão, kuauuuuk , kuuuaaaak, entendi eu que no conhecimento de línguas sei que são ótimas com ervilhas e arroz ).


                                          A arara-canindé.
               
                 Foi o registo de um momento de cavaqueira com amigos junto ao Lima, numa tarde bonita de sol e tépida temperatura, a olhar a corrente onde se adivinham lampreias mil a deslizar na areia fina do seu leito.

              O António Rocha mora em S.Pedro de Arcos mas não perdeu a oportunidade para sacar uma selfie com a tolerante formosura


Fotos: doLethes
Remígio Costa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

MUDANÇA DE HÁBITOS NOS ANIMAIS PODEM RESULTAR DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS.

                 
 Membro da colónia de sardões existente nas moitas, em Lanheses, Viana do Castelo. Imagem obtida no início do mês de Fevereiro corrente.

        Continuam aparecer na Natureza sinais claros de alterações climáticas que os especialistas atribuem aos "efeitos de estufa" ou "aquecimento global", com origem na poluição produzida a partir da Terra e que provoca a rotura da camada de ozono que protege a atmosfera terrestre dos efeitos dos raios ultravioleta nocivos a qualquer forma de vida. É frequente ouvir-se dizer e os estudos científicos comprovam-no que o tempo decorre alterado relativamente a um passado recente e, a desconformidade da entrada das estações do ano com as datas do calendário é uma realidade que todos vimos a comprovar seja pela experiência ou pelas notícias que a informação disponibiliza. Há inúmeros fenómenos que acontecem por toda a parte relacionados com as mudanças climáticas anormais, que tanto quanto os registos existentes sempre aconteceram, mas, se converteram atualmente em fenómenos frequentes e violentíssimos cujos efeitos são, em grande parte, dramaticamente devastadores.



                 Com os animais verificam-se novas formas de comportamento que se atribuem na mesma linha  às alterações climáticas. Temos constatado que as cegonhas brancas, que escolheram Lanheses para habitat, o que nunca antes se tinha visto, regressam em Janeiro das regiões quentes para onde emigraram depois da nidificação que fizeram aqui, a  norte, onde as temperaturas apenas costumavam subir com a chegada da primavera e são, neste momento, estranhamente, bastante altas para o que para nós seria o normal fazer.


                Outro fenómeno que pude recentemente comprovar e que de um modo geral todos os que vivem nas aldeias conhecem, é o prematuro aparecimento neste ano de sardões e cobras aos primeiros dias do aparecimento do sol, em Janeiro, quando, no passado recente só na estação quente saíam das tocas onde estiveram em hibernação desde o verão do ano anterior para se aquecerem sobre as pedras quentes ou nos paralelos de calcetamento das vias de trânsito.



                 Há um "relógio do tempo"  criado por um organismo internacional baseado em dados científicos colhidos em centros de estudo e investigação de todo o mundo, que mede o limite de poluição a partir do qual é insustentável a existência de vida na Terra como a conhecemos até agora. Se os homens ignorarem os tratados e acordos que subscrevem mas adiam o seu cumprimento imediato continuarem a negligenciar a saúde do "planeta azul", restam apenas neste altura SETE minutos antes de atingir o do "Apocalipse"... 

                Dá que pensar.


Fotos: doLethes
Remígio Costa

FALECIMENTO.



                           MARIA OTELINDA ARAÚJO DE LIMA, viúva, de 84 anos de idade, com domicílio no lugar de Casal Maior, em Lanheses, faleceu hoje sexta feira, dia 5 de Fevereiro, por motivo de doença.

                  O funeral da nossa conterrânea vai realizar-se amanhã, sábado dia 6, pelas 15:00 horas, saindo o corpo em cortejo fúnebre da capela mortuária de Nossa Senhora da Esperança onde se encontra exposto em câmara ardente para a Igreja Paroquial de Lanheses, onde decorrerão as exéquias fúnebres, findas as quais irá a sepultar no cemitério local.

                   Apresento as minhas condolências à família em nome pessoal e da minha família.

CARNAVAL COM LIVROS EM TERRAS DE ARGA E LIMA


 (Informação de cortesia)
 

        Convido os seguidores do doLethes a participarem através  do link abaixo inserido no « Carnaval com livros»  que hoje o Agrupamento Escolar de Arga e Lima promoveu e fez desfilar pelas ruas que levam ao Centro Cívico de Lanheses (Viana do Castelo), mantendo uma tradição iniciada desde a criação da Escola Secundária há 25 anos. . A leitura e a interpretação de diferentes tipos de textos deram o mote e fizeram luz nas pequenas cabeças . O  engenho e a arte fizeram o resto. De Oriente a Ocidente, Aquém e Além-Mar, por terra e por mares nunca dantes navegados alunos, professores , funcionários e encarregados de educação partiram à aventura. 


Vamos lá acompanhá-los ,  virtualmente