Algo surpreendido mas agradado pelo convite que pessoalmente me foi oferecido, estive ontem quarta feira dia 29 de agosto na vizinha freguesia de Vila Mou, da União de freguesias partilhada com congénere da Torre, Viana do Castelo, com vista a participar no ato solene da benção eclesiástica de uma capela consagrada ao orago Santo Amaro, integrada numa propriedade particular com o nome de Quinta de S. Bento pertencente à família de Maria da Conceição Araújo Batista e Manuel Israel Batista Rebouço, a qual se dedica em exclusivo à atividade agrícola e à venda dos produtos cultivados pelos métodos tradicionais.
A capelinha, anexa à linda residência própria recentemente restaurada, tem a fachada virada a poente, rente à rua estreita que termina um pouco abaixo quando principia a veiga que margina o Lima, cujo acesso é feito subindo alguns degraus de uma escada em pedra até ao nível do primeiro andar da casa, estava desativada e fortemente deteriorada desde o final dos anos sessenta, como sublinhou o responsável pela Paróquia ao evocar o tempo em que nela celebrou.
A tramitação do processo de legalização da represtinação da funcionalidade do pequeno templo cristão que decorreu na Cúria Diocesana de Viana do Castelo, sancionada pelo Bispo D. Anacleto Oliveira, teve a agilização útil do pároco residente da paróquia de Santa Eulália de Lanheses, Daniel da Silva Rodrigues, além do assentimento, impositoriamente, do pároco da freguesa de Vila Mou, o historiador Manuel Fernandes Moreira.
No ato da consagração pela água previamente benzida do espaço da Capela, do Crucifixo, do altar e das imagens de Santo Amaro, São Bento e N.ª S.ª de Fátima a que presidiu o sacerdote Daniel Silva, estiveram presente todos os membros da família Batista Rebouço, nomeadamente os cinco filhos, quatro homens e uma mulher, os cônjuges e os netos bem como outros familiares próximos, e bem assim os convidados e residentes amigos.
O grupo coral da Paróquia de São Martinho de Vila Mou fez o acompanhamento musical dos atos litúrgicos.
Decorreu, a seguir, a assinatura da ata referente à sessão ora concluída, aberta pelos componentes da família proprietária e subscrita seguidamente pelos presentes. À porta de entrada da Capela estava disponível um "Livro de Honra" para registo de comentários ou simples assinatura de presença, para memória futura.
Tendo o espaço titularidade privada, deverão os proprietários cuidar da sua manutenção e abertura pública facultando o acesso ao templo de pessoas interessadas, mantendo-o aberto o maior tempo possível ou disponibilizando a chave através de zelador idóneo disponível no caso de o não poderem fazer por si próprios.
Na feira quinzenal de Lanheses onde sempre se pode adquirir géneros hortículas de confiança produzidos na Quinta de S. Bento, onde a Monsanto multinacional não coloca nem jamais colocará (confio) uma milésima de veneno, o Israel, vendedor, levantando em cada mão uma sã e loira meloa, estende o fino bigode num sorriso, e desafia o cliente:
-"as meloas do Israel, sabem a mel!"
E, não é que sabem!?
Saí, despercebido, antes de principiar o convívio. Noblesse oblige. Ninguém terá dado conta e isso tranquiliza-me. Boa sorte, amigos. Quem é honesto e trabalha, merece o que possui.
Fotos: doLethes
Remígio Costa
DELMINA DAS DORES MARTINS, viúva, de 93 anos de idade, com domicílio em Lanheses, faleceu de morte natural, hoje, quinta feira dia 30 de agosto.
O funeral da nossa conterrânea deverá decorrer amanhã, sexta feira dia 31 de agosto, pelas 19:00 horas, saindo o corpo em cortejo fúnebre da capela mortuária de N.ª S.ª da Esperança, em Lanheses, para a Igreja paroquial da mesma localidade, donde, findas as exéquias fúnebres religiosas irá a sepultar no cemitério da mesma freguesia.
À família da extinta particularmente aos familiares mais próximos apresento em nome próprio e da minha família sentidas condolências.
Vai na oitava edição a FESTA DO MILHEIRAL que decorre no paradisíaco cenário do denominado PARQUE VERDE, na realidade multicolorido num painel de tons onde o verde do arvoredo e o dourado do milho predominam, localizado no histórico sítio da Passagem na margem direita do rio Lima, em Lanheses, concelho de Viana do Castelo, constituindo um rincão paisagístico identificado com o Alto Minho e típico das terras de Arga e Lima.
Se a data em que o evento decorre pudesse coincidir com a presença da maioria daqueles que, por tempo mais ou menos prolongado, estão afastados da terra natal no exercício da sua profissão e escolhem os meses de julho e agosto para mitigar saudades junto das respetivas famílias por algum tempo, bem se poderia considerar que a louvável iniciativa da Junta de Freguesia poderia ser tida, apesar de não programada, como a FESTA DA COMUNIDADE LANHESENSE; com efeito, a concentração no local, começando por um piquenicão constituído maioritariamente por grupos familiares residentes, converte-se depois num convívio generalizado onde todos partilham de tudo em boa harmonia e igual contentamento.
Numa consulta ao elenco das variadas opções que o programa oferece, há eventos para todos os gostos e para todas as idades; haja sol e calor bastante e uma manta por baixo, e até alguém possa adormecer à sombra dos salgueiros e amieiros embalado pelo som das músicas e bater uma bela soneca. É verdade.
Para quem estiver disposto a experimentar e ainda não conheça o local saiba que não há melhor acesso em qualquer outra festa do género. Nem tão desafogado espaço para estacionar a viatura e tão perto donde escolher acampar. Tem água e energia elétrica de borla (coisa rara!), WC, pode almoçar ou merendar na cozinha do recinto, bebericar, ou, até, preparar no assador ao gosto as marguese, febras e demais viandas.
E o rio do encantamento para velejar, nadar ou só estar.
Ah, e sacos e recipientes para colocar os excedentes. O Parque é Verde e é de TODOS.
Good promenade.
Fotos: doLethes
Remígio Costa
SÃO JOÃO D'ARGA
Há quem lá vá todos os anos e muito poucos aqueles que pelo
menos uma vez na vida não tenham ido à romaria de São João d'Arga, que
se celebra nos dias 28 e 29 de Agosto em Arga de Baixo, concelho de
Caminha, em plena serra d'Arga, se gosta de participar e conhecer
romarias e festas típicas e paisagens deslumbrantes onde acontecem na
diferente e mui portuguesa província do Minho.
A CAPELINHA
A capelinha que se ergue no espaço interior do velho
mosteiro que se levanta sobre um extenso vale com vista para norte do
sistema montanhoso que o envolve, tem características românicas que
remontam a sua existência ao século XIII, sendo objecto de devoção de
muitos crentes que ali se deslocam para dar três voltas ao redor da
capela em cumprimento de promessa ou graça recebida, entrando
seguidamente no pequeno templo para orar junto do altar de São João,
deixando depois o seu óbulo em dinheiro nunca se esquecendo de deixar
uma parte para a figura que representa o diabo, "não vê ele tecê-las", o que significa apaziguar os malefícios que o mafarrico possa causar na vida do romeiro.
INTERIOR DO TEMPLO E OS ANDORES
Não tanto como era tradição e exigência de sacrifício
para quem tinha promessa a pagar, ainda há muitos romeiros que ali se
deslocam vindos de longes percursos atravessando em caminhadas, só ou
em grupos mais ou menos numerosos, a serra durante várias horas até ao
local da festa. Acampam alguns em tendas montadas entre pinheiros onde
perto passa um ribeiro, se vêm de véspera, regressando outros pelo
percurso da ida ou em transporte próprio.
ALTAR-MOR COM A IMAGEM DO ORAGO.É AQUI QUE OS ROMEIROS CUMPREM O RITUAL DO "TOQUE" COM A CRUZ NA IMAGEM.
Ontem, quarta-feira, dia 27 já lá estavam montadas um elevado número de
tendas, e, pelos mais ínfimos recantos ainda não assinalados como
ocupados, muitas viaturas faziam manobras para se arrumarem numa nesga
da espaço livre. No acesso ao mosteiro e à capela, alinhavam-se já em
funcionamento os bares ambulantes, as tendas para o serviço de refeições
e bancas com produtos de consumo e de brinquedos. À entrada, as tendas
onde se servia cerveja, vinho e a típica aguardente com mel, tal como no
recinto interior onde estava montado e pronto a servir o cabrito à moda
da Serra d'Arga um verdadeiro restaurante, não faltando sob as
varandas de pedra escura do antigo mosteiro e pousada temporária, as
barraquinhas com bebidas e tapas apropriadas, bem como o departamento
das informações e publicidade.
O RETÁBULO DO "ANJO MAU" OU DIABO QUE É PRECISO APAZIGUAR COM ALGUMA MOEDA. (Ainda que seja das "escuras"...)
A noite da véspera da romaria de São João d'Arga é o ponto
alto da enorme concentração de romeiros que ali se aglomeram. O espaço,
fora como dentro do recinto, é muito escasso para tanta afluência e
manifestações espontâneas de exibições folclóricas e musicais. São
rusgas populares vindas de aldeias distantes, cantares ao desafio de
cantadores já conhecidos e de voluntários que os tentam imitar,
concertinas e bailes que duram até à alvorada. Entre os velhos
sobreiros, no coreto uma banda interpreta peças ajustadas ao ambiente e
os pares atropelam-se no rodopio dos corpos embalados pelo ritmo da
música.
Vou
arriscar nos meus conhecimentos de arte sacra e dizer que estamos em
presença de um belo retábulo maneirista, está correcto dr. AAA?
Há histórias mil pessoais ou não, que se espalham avulso
sobre esta típica e castiça romaria genuinamente popular que atrai à
serra, esteja o tempo de chuva ou sol de verão, gente de muitas
proveniências e condição social. A mais conhecida e que facilmente se
pode conhecer numa busca na internete é a de Santo Aginha, ou Oginha,
como muitos preferem. Conta a saga de um bandido que assaltava os
romeiros na Serra mas que um dia se converteu por intercepção do orago e
deixado de exercer a função de ladrão. Mas não teve muita fortuna
porque, quando pretendeu ajudar numa dificuldade alguém que estava em
apuros, acabou por ser morto por quem procurava ajudar, os quais não
conheciam a sua regeneração.




Vivi pessoalmente uma aventura na primeira vez que atravessei a
serra a caminho de São João d'Arga, na companhia da minha mãe e um
grupo bastante numeroso quase todo formado por mulheres com alguma idade
e por jovens, que sonhavam com a ida o ano inteiro, teria uns sete anos
de idade. Já depois de escalada a "muralha" que se depara aos
caminheiros após se passar São Lourenço da Montaria, as nuvens que
tapavam o céu abriram-se em cataratas de água e a breve trecho formavam
cascatas naturais pelo percurso que seguíamos, liderada por uma cidadã
já entradota nos anos que dizia conhecer bem a pista até São João.
Durante algumas horas a chuva foi inclemente caindo sem cessar. Nem
guarda-chuvas, nem abrigo por detrás dos penedos, nem o encosto às saias
da mãe impediram um banho que não deixou um linha de roupa enxuta a
nenhum cristão. Abrandou ao fim de muito tempo o temporal desabrido mas
formou-se a seguir um espesso nevoeiro que reduzia a visibilidade a
alguns metros. A "guia" desorientada, chorava; os poucos homens
praguejavam, as mulheres rezavam indecisas entre esperar ou caminha em
frente, à aventura. A certa altura, já com as nuvens mais altas,
ouviu-se o estrondo de foguetes e demos conta de que estávamos, afinal, a
menos de um quilómetro do ponto de chegada. Encharcados até aos ossos,
cansados, esfomeados, com o farnel em papas, viramos costas à capela e
regressámos a casa. Soube, depois, que um casal que fazia parte do
grupo, voltou a São João pelo mesmo trajecto depois de mudar de roupa.

Fui lá, a pé, há cerca de cinco anos integrado num numeroso grupo de
alunos e professores da Escola Secundária de Lanheses. Foi uma caminhada
que principiou às 10:00h e terminou em São João d'Arga pelas 16.00h.
Tinha que honrar o compromisso que assumi com os meus companheiros de
viagem a Viena de Áustria, em 27 de Maio de 1987, quando o Futebol Clube
do Porto se tornou campeão europeu de futebol pela primeira vez...
Alguém registou numa máquina fotográfica a minha "pose" de
chegada, com a promessa de me oferecer o retrato como recordação Estou
ainda confiado que isso vai acontecer. Enquanto não tiver em meu poder a
prova da minha desobrigação, vou continuar a rogar a São João d'Arga
miraculoso e justo que não deixe Bella Gutman
quebrar a maldição dos cem anos de jejum de vitória em finais europeias
de futebol lançada sobre um clube de que foi treinador...
De algum anos a esta parte, satisfazendo um pedido da minha mulher, vou
a São João d'Arga, de carro evidentemente, na ante-véspera dos
festejos. Estive, pois, lá ontem durante pouco mais de trinta minutos.
Chuviscava , o que me desencorajou a ficar mais algum tempo e até de
petiscar. Colhi umas fotos deixando aqui algumas para estimular aqueles
que porventura ainda se não decidiram a ir até lá, divertirem-se, e
apenas regressarem amanhã e só descansarem no Largo de São Lourenço da
Montaria.
Não vão arrepender-se, mas devem esperar muitos obstáculos para o conseguir.
O MOSTEIRO
fim
Texto e imagens doLethes
Remígio Costa