segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ESTÁ EM CURSO A INSTALAÇÃO EM LANHESES DE UMA FÁBRICA DE CIMENTO.

        

                

  FÁBRICA DE CIMENTO NA ZONA       INDUSTRIAL DE LANHESES


               Depois da fábrica de reciclagem de alumínio, a Zona Industrial de Lanheses deverá acolher uma fábrica de cimento, decorrendo neste momento o processo de licenciamento de acordo com a consulta pública divulgada. Com efeito, sob o título de "Projeto da Unidade Industrial da CEMEVIANA",  a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), enquanto Autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental, divulgou que o Estudo de Impacte Ambiental, incluindo o Resumo Não Técnico, se "encontram disponíveis para Consulta Pública" durante 21 dias úteis, de 26 de Dezembro de 2012 a 24 de Janeiro de 2013".

             O "resumo não técnico" relativo ao impacto ambiental exigido para fundamentar a decisão para a autorização do projecto diz, na introdução, terem sido feitos estudos no período de Junho e Julho de 2012 e que "permitiram obter uma caracterização da situação ambiental atual", tendo-se procedido "à realização de amostragem de água, de medição dos níveis de ruído, identificação dos biótipos da fauna e das espécies de animais e plantas que aí ocorrem, e a atual caracterização do atual uso do solo".


            Depois de aludir aos antecedentes do EIA (Estudo de Impacto Ambiental), o resumo informa que, em Janeiro de 2012 a "candidatura teve uma resposta favorável", tendo sido apresentado o trabalho concluído em 2008 em Fevereiro do último ano "considerando que o projeto de execução não tinha sofrido alterações", tendo porém o processo sido encerrado com a "Declaração de Desconformidade do EIA". Tendo em consideração o parecer emitido pela Comissão de avaliação foi apresentada uma actualização do mesmo.


           Do estudo convém realçar que a fábrica a instalar "não se insere em nenhuma área importante sob o ponto de vista da conservação da natureza" e que "o local de implantação...permite melhorar a competitividade das empresas" "através da exploração de sinergias ou de economia de escala na sua localização".


           Segundo a mesma fonte este projecto "tem por objeto a construção e operação de um moinho de cimento", "com uma capacidade de produção de 103 ton/h." "envolvendo a moagem muito fina do clínquer e mistura de eventuais aditivos (filler, calcário, cinzas volantes, escórias siderúrgicas, etc)", e o produto final utilizado “tanto na construção de edifícios e vivendas...e toda a construção em geral", tem como destino de exportação "países africanos do Magrebe e África Ocidental, nomeadamente a Tunísia, Líbia, Argélia, Marrocos, Mauritânia, Gana, Guiné e Nigéria".


          A fábrica a construir produzirá betões, argamassas e cimentos e ocupará uma área de 2,5 hectares, sendo formada por 8 zonas, a saber:

                       - Armazenagem de clínquer;
                       -           "            "   matérias-primas;
                       - Moinho de mistura;
                       - Ensacadora;
                       - Escritório, laboratório, vestiário e oficina;
                       - Armazenagem de cimento e argamassas; 
                       - Báscula de entrada,
                       -       "de saída.

           O processo fabril começa com a recepção das matérias-primas, puzulana, clínquer, calcário e gesso, para ser armazenado em silos, sendo dali  levadas à entrada do moinho através de cintas subterrâneas. Depois da moagem os produtos terminados passarão para 5 silos de armazenagem até ao ensacamento. 

           Prevê-se no estudo de que me socorri que, na fase de construção e finalização, serão precisos 100 trabalhadores, estimando-se em 70 os postos de trabalho directo durante o período de produção, que trabalharão em 3 turnos de 8 horas, da área da engenharia, química, administrativos, operários de descarga, para além do "emprego que se gerará indiretamente" em actividades de logística e serviços.

           Não foram consideradas alternativas ao projecto.


           Diz-se, depois, que "com a construção ocorrerá um conjunto de impactes, negativos, mas de pouca importância", incidindo estes na fase de construção "ao nível da qualidade do ar, ruído, tráfego e acessibilidades", mas não serão significativos "para a fauna e flora, qualidade da água, geologia e hidrologia e arqueologia e património", descrevendo, ainda, o cenário que poderá vir a ocorrer na fase de construção ao nível da poluição sonora, poeiras e tráfego.


          Mais à frente, refere-se que na fase de funcionamento "não ocorrerão impactes relevantes" no Clima, Alterações Climáticas, Geologia, Hidrogeologia, Recurso Hídricos Superficiais, Resíduos, Fauna e Flora, Uso do Solo, Paisagem, Património Construído e Arqueológico, sendo "expectável a ocorrência de impactes negativos pouco significativos sobre a Qualidade do Ar, Ruído e Tráfego e Acessibilidades e de impactes positivos, muito significativos sobre a Sócio-Economia e Ordenamento do Território".

Em termos de qualidade do ar "as emissões de partículas...estarão em cumprimento com a legislação", acrescentando que "a implantação do projeto da unidade  industrial o estado da qualidade do ar será afetado ainda que de forma pouco significativa". Em relação aos níveis sonoros "prevê-se um aumento" mas "não se prevê incomodidade na população".


              As fábricas
de cimento são escorraçadas pelas populações onde estão ou estiveram instaladas. Ninguém as quer em parte alguma. Está ainda na memória de todos o que foi a luta do povo de Souselas, em Coimbra, no tempo em que José Sócrates foi ministro do ambiente, para o encerramento das fábricas ali instaladas. Tal como aconteceu com a da Serra da Arrábida, na península de Setúbal, pelos danos que provocava naquela reserva florestal turística.

              A indústria cimenteira é uma das que mais polui e mais danos provoca ao ambiente com reflexos irreversíveis na qualidade do ar e água e pelos efeitos colaterais que incidem sobre a agricultura e as plantas em geral, árvores de fruto e legumes. A confirmar-se este empreendimento, vão dobrar os factores de risco para a região com reflexos na qualidade de vida da população lanhesence, e, numa área alargada das freguesias mais próximas, uma vez que na Zona Industrial já está em funcionamento há dois anos uma unidade de reciclagem de alumínio, cujos efeitos malignos para a freguesia já se vêm reflectindo no dia a dia dos cidadãos, especialmente nos produtos da lavoura atribuídos pelos lavradores aos resíduos que se espalham na atmosfera.


             Lanheses alimentou expectativas favoráveis quanto à criação de uma zona industrial com vista a inverter a tendência ancestral da emigração dos seus habitantes, mas, nunca a desejaria se tivesse previsto que ela fosse para acolher a produção que ninguém quer, as fábricas excomungadas, pois que como é subejamente reconhecido, os benefícios  económicos que eventualmente possam gerar e nos pretendem fazer acreditar se reflectirão no emprego,  não cobrem minimamente os irreparáveis prejuízos que causam.

                       

7 comentários:

  1. abaixo fabrica do cimento. ou adeus LANHESES..Aldeia fantasma.
    LIXO DO NORTE SÓ EM LANHESES.

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  2. já em tempos este presidente de camara mudou o grau de poluição desta z.industrial para o mais elevado! tudo sem dizer nada á população. agora de certeza que nada é com ele. mas eu tenho a certeza. é ele que está por de trás desta situação. porque não quer a porcaria junto de viana. os lanhesenses que votem nele outra vez. desta vez é cimenteira para a próxima tenho a certeza ainda vai ser muito pior. j.antonio

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    1. Caro j. António, não vejo, em 1º lugar, qual a justificação do seu comentário, deve ser uma pessoa muito bem informada, então a culpa é do presid. da camara? Como iria colocar a fábrica na cidade, ou é de caracter urbano ou é de caracter industrial, e neste caso é uma fábrica portanto, e bem, coloca-se numa zona industrial.
      e não venha cá com politicas porque se lhe arranjarem emprego lá aceitarei logo.
      Em segundo lugar, e contrariando a opinião de muitos lanhesenses, não vejo o porquê de tanto alarido por causa da fábrica! O resumo do AIA, embora seja o não técnico, pois o técnico muita gente não entenderiam dada a sua especificidade, revela alguns impactes não significativos, tanto em construção como em operação da empresa, por outro lado cria cerca de 70 empregos.
      Tendo em conta a problemática das questões ambientais, certamente a empresa cumprirá os valores máximos admissíveis durante a produção, portanto não palpitemos assuntos da boca para fora, só porque...ouvi dizer que...enfim.

      R.BMA

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  3. Bom,dizem que o governo nao presta nao faz emprego,rouba os velhinhos com cortes nos subsidios,o povo emigra para o estrangeiro culpa do governo,rouba o povo do norte com portagens e sei là o que culpa do governo!MAS de repente faz-se emprego jà ninguem quer,é lixo,é porcaria,é....enfin culpa do governo !!! malandrisse é o que é,LANHESES precisa da ZI a travalhar a 100%,infelismente esta a 20%,e com este andar os proprios Lanhesenses(alguns) ficariam contentes que fechacem a ZI.saudaçoens Lanhesenses

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  4. foi só para( polo desportivo)( prometeu) e os traidores do PSD votaram NELE. agora que comam apoeira.

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    1. pois è mas se toda a gente fosse outra coisa que trabalhadores so isistiam , nem escrevo para nao ser malcriado, deixem trabalar quem precisa quando os vossos filhos vao fazer rali para o rio, e que as pessoas estao a descanssar do esfoço que fazem duramte o ano de esforço que fizerao para levar a vida fora da terra, pourque nao havia trabalho para estar na terra aonde nasceu mas isso nao se ve

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  5. O ser humano nunca está contente, se não é do _ _ é das calças!
    Bem haja a quem quer investir nesta aldeia, que outrora foi Vila!!!
    Como tudo na vida há prós e contras,porém, analisemos o que efetivamente é mais importante para os Lanhesenses, estar:
    - desempregados;
    - empregados, mas emigrados; ou
    - empregados e a residir com as famílias em Lanheses.
    Para o Sr. Primeiro Ministro Português, empregados e emigrantes, mas para nós, Lanhesenses, empregados e a morar na terra que sempre viveram.
    A nossa aldeia cada vez perde mais coisas, piscinas (que só ficaram na promessa), correios… O que se segue?
    Não quero com isto dizer que o ambiente não é preocupação! Muito pelo contrário, devemo-nos preocupar e muito. Mas a legislação ambiental, se não for cumprida, cabe-nos a nós como população ativa, desempenhar a nossa obrigação … participar aos organismos competentes, que com certeza gostarão de aplicar coimas! Atuação que está muito na moda, senão, vejam as repartições de finanças relativamente ao Imposto Único Automóvel.
    Viva o EMPREGO! Viva o AMBIENTE! Em harmonia e com honestidade tudo é possivel.

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