sábado, 26 de março de 2016

FEITOS AO BIFE.

      



                 Cresce de ano para ano a moda do "bife da Páscoa", multiplicando-se o número de locais onde é servido e dos aderentes que participam neste género de convívio coincidente com a semana pascal. Um pouco por todo o lado e em maior ou menor escala e antiguidade na tradição, reunindo centenas de apreciadores ou apenas constituídos em grupos de amigos e conhecidos, em alguns casos abertos somente ao sexo masculino ou apenas feminino em crescente reivindicação da igualdade de direitos entre os dois sexos (ai, o divórcio...), cada vez mais iluminados pelos holofotes das televisões para compor os noticiários da atualidade e com direito a espaço com fotografia nos periódicos da nação, não é de modo algum despicienda a convicção de que estamos todos "feitos ao bife"! Todos, todos é capaz de ser excessivo se se quiser crer que a crise (encoberta) pode ter a cabeça no cepo mas ainda agita o rabo...





        Lanheses segue a linha da modernidade porque não gosta que lhe passem a perna. Em nada. Se outros comem bife, comamos nós bife também. Do melhor e q.b..

        Não garanto que não haja outros locais onde hoje se tivessem juntado à mesa "fazendo-se ao bife", grupos tanto ou mais compostos do que aquele que se formou no "Papagaio", um recanto com a intimidade ajustada para o deguste pausado e religioso recolhimento. Certo é que, embora apertada, a salinha estava "à cunha" e o proprietário João e os filhos a andarem numa sanfona dentro e fora com as travessas encasteladas de nutridos nacos do lombo do boi de encher o prato. Até espanhóis, a repetir como se fossem portugueses a servir-se de gasolina nos postos do outro lado da fronteira...

       Mata-se que farta por toda a parte por tudo e por nada. Só a fome não morre. Estamos "feitos ao bife". 

        "É a vida".
        




Fotos: doLethes
Remígio Costa

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