segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A EXTRAORDINÁRIA RESILIÊNCIA DO VETUSTO RODODENDRO DO JARDIM DA CASA DO PAÇO, EM LANHESES (Viana do Castelo)

   

               O tronco do rododendro do qual apenas um dos seus braços continua vivo.

              É como se a vida emanasse de um esqueleto humano, é o que se pode concluir do facto de o centenário RODODENDRO existente no jardim da Casa do Paço dos Condes de Almada, em Lanheses (Viana do Castelo), continuar surpreendentemente com a seiva a circular no tronco em decomposição, alimentando um único ramo onde uma flor já abriu e mais cerca de trinta outras em breve irão enfeitar e formar o ramalhete que atesta a sua extraordinária resiliência na  luta pela sobrevivência.  Amputado de grande parte dos seus ramos, porque inúteis, ergue-se para o alto em forma de "V" o que resta do corpo seco do arbusto feito árvore pelos anos de vida somados e, horizontalmente, carcomido, esburacado e a desfazer-se um braço falsamente inútil porque, de si nasce a tocar o solo, um ramo com folhas verdes carregado de botões em vias de mostrarem as belas flores de aveludado carmim.  



                      Folhas verdes do ramo nascido na ponta de um dos braços onde mais de trinta novas flores estarão em breve abertas.

             Certamente mais antigo do que o pelourinho símbolo do domínio autárquico do extinto concelho de Vila Nova de Lanheses, considerado monumento de interesse público, que perto dele se levanta, o rododendro testemunha a vivência de algumas gerações da família Almada, discreto sob a farta ramada de uma magnólia gigante teimosamente agarrado à vida  pelo húmus que as suas decrépitas raízes  são capazes de filtrar da terra.

     Até quando!? 



       O braço carcomido na ponta do qual cresce o ramo com folhas verdes e flores.





       Pelourinho da antiga Vila de Lanheses, classificado monumento de interesse público.

Fotos: doLethes
Remígio Costa 

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