segunda-feira, 20 de abril de 2015

SANTO ANTÃO ABRE O CICLO DAS FESTIVIDADES EM LANHESES (Viana do Castelo) EM 2015.

FESTA EM HONRA DE SANTO ANTÃO

                              14, 15, 16 E 17 de Maio de 2015
 
                Quarenta dias depois da Páscoa a Igreja católica celebra a Ascensão de Jesus Cristo.Ressuscitado ao céu: "Da Páscoa à Ascensão, quarenta dias vão", dizia o povo e, todos sabiam que essa era a data em que ocorria a festa em honra de Santo Antão, cuja imagem se acolhe e pode ser venerada na singela capelinha que lhe é dedicada e está erguida no local mais elevado do Lugar (quiçá da freguesia)a quem o orago deu o nome. Houve tempo em que a festa ocorria à quinta feira (a décima quarta a seguir à Páscoa) por coincidir com o cumprimento daquele período e o dia era considerado santo; mas as alterações introduzidas pela autoridade religiosa no calendário do culto dos santos nas igrejas determinou que a evocação festiva de Santo Antão passasse a ser no domingo seguinte. Paralelamente ao Dia da Ascensão, ocorre uma tradição antiga conhecida pelo "Dia da Espiga", que muitos comemoram colhendo dos campos pontas de plantas, as espigas, das quais fazem raminhos que oferecem e são pendurados na parte anterior das portas das casas. Pelo que conheço das nossas tradições, este costume não estava muito generalizado embora houvesse trocas entre pessoas ligadas por laços afetivos ou simbolismo religioso.

             Sou santoantoniense porque nasci em Santo Antão, à vista do Santo, ali ao lado. Não tenho memória do tempo em que vivi naquele Lugar, porque foi muito breve antes de passar a morar na Corredoura onde decorreu toda a minha adolescência e juventude. Talvez isso seja a causa de uma certa empatia com o orago protetor dos animais, que todos somos, e que tenho como recíproca atendendo a que não tenho razões de queixa da preservação do corpo e, vá lá, sem jactância alguma, do espírito... (se alguém não estiver de acordo que o diga agora ou cale-se para sempre!).

             A festa de Santo Antão só mantém das primitivas características o ritual do culto católico cristão. Os animais domésticos, raiz principal da sua implantação popular e sua verdadeira característica, desapareceram do cenário atual de que eram o principal fator e razão de existência e o recinto, outrora ocupado por dezenas de cabeças de gado bovino, caprino, equino e outras espécies utilizadas no cultivo dos campos e produção de carne e leite para sustento dos lavradores, está reduzido nos últimos anos a uma parelha de vacas, gado caprino e um cavalo de equitação.

            Aparte o arraial profano do programa que comporta obrigatoriamente um conjunto musical que dá ao vivo concerto de música para dançar até às tantas e o fogo de artifício condicionado ao volume e variedade pelo seu custo, é o cabrito que atrai a Santo Antão dezenas de apreciadores. Do sarapatel preparado a preceito com os miúdos do cabrito e condimentado q.b, também sobram apreciadores e escasseia o pitéu, que só o verde carrascão pode suprir até que se diga "basta".

            Festa é festa. Mas a tradição, acreditem, tem pouco ou nada a ver como era vivida no passado, há pouco, muito pouco tempo atrás...




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