segunda-feira, 6 de abril de 2015

FAMÍLIA TIPO QUE SE MANTÉM FIEL À TRADIÇÃO DA PÁSCOA, EM LANHESES.

                                Olívia e Fernando Cunha, na visita pascal em sua casa.



                 É um facto facilmente constatável que está a diminuir gradualmente de ano para ano, o número de famílias que mantêm a tradição de receber nas suas casas o Compasso Pascal. Só em situações pontuais que de algum modo afetem o bom ambiente familiar é que alguém deixa de "abrir a porta" em dia de Páscoa.

          Mesmo para quem não tem conhecimentos de sociologia encontra facilmente algumas das razões que explicam este aparente alheamento progressivo das famílias desta freguesia tradicionalmente bastante ortodoxa no cumpridoras do rito católico cristão , embora haja sinais de que o processo estará a abrandar, ou, até, a regredir. 

         Esta manhã fui à procura de uma família-tipo da nossa freguesia que segue e cumpre com regularidade as obrigações e os ritos próprios da religião católica que professam e herdaram dos seus antepassados. Trata-se do casal lanhesense bastante conhecido que formam Fernando Cunha e a esposa Olívia, pessoas com quem me relaciono há muitos anos.


         Enquanto aguardávamos no seu domicílio no Lugar da Forcada a chegada do Compasso, trocamos breves palavras relacionadas com o tema da diminuição de aceitação de visitas e perspetivas sobre o que poderá vir a acontecer no futuro a este respeito. O Fernando, que foi emigrante no Canadá durante vários anos e lá continuam os seus descendentes, confessou que apenas em dois anos teve que abdicar por razões de força maior de "abrir as portas". Porém, garantiu que manterá no futuro a tradição e irá motivar os seus familiares e amigos para que voltem a receber a Cruz nesta quadra nas suas casas.


          Entretanto, houve que interromper o diálogo porque chegavam muitos dos seus familiares e conhecidos a quem convidava, ao lado da esposa Olívia, a entrarem no vasto salão onde iria, dentro de momentos, dar a Cruz a beijar. Assim aconteceu e o casal diligenciava para que os presentes se servissem do bufete que tinha preparado sem cerimónia e, o dono da casa afirmava com evidente satisfação, ter sido ele a preparar todos os doces caseiros que estavam a ser servidos. -Sozinho.Todos feitos por mim e a meu gosto, diria, sem desmentido da esposa que ao lado dele o confirmava, sorridente. Provei, para lhe ser agradável e, de facto, o sabor era ótimo.

           Tudo parecia simples e muito contido. Sem exageros ou despropositada necessidade de afirmação de desafogo económico, que o casal não pratica no dia a dia. Normalidade entre os convivas, prática comunitária, partilha e relacionamento social.

           Que contras há para virar costas á tradição que sacrifícios extraordinários precisam fazer-se para a manter?

           Poucos, ou nenhuns, a meu ver.

                      A VISITA EM IMAGENS











Fotos: doLethes
Remígio Costa
          

1 comentário:

  1. obrigada senhor remigio por nos mostrar a nossa pascoa ai em lanheses que soudades nos temos nao poderer mos estar ai muito obrigada por nos mostrar a nossa terra

    ResponderEliminar