quinta-feira, 30 de abril de 2015

ATO SOLENE DA COMEMORAÇÃO DO "DIA DA FREGUESIA", EM LANHESES (Viana do Castelo)

          

  Da esquerda: Filipe Rocha, Agostinho Gomes, Víctor Lemos e Alberto Amorim

                               

                     Para assinalar o "DIA DA FREGUESIA" que celebra a data da assinatura do foral da Rainha D. Maria I, em 29 de Abril de 1793, que elevou Lanheses a Vila concelhia, a Junta de Freguesia promoveu um conjunto de ações com vista ao envolvimento da população na solidificação da tradição iniciada em 2011 e à interiorização do simbolismo do relevante ato para a História desta localidade.

                    As formalidades previstas tiveram início na Igreja paroquial ao cair da tarde de ontem, onde foi colocada uma coroa de flores no túmulo brasonado dos Ricaldes existente na Capela Mor, a favor de quem o foral foi concedido, pelo atual representante da família dos Condes d'Almada, D. Lourenço d'Almada, no qual foi acompanhado pelo presidente da Junta de Freguesia, Filipe Rocha.


                              A sessão solene decorreu como estava previsto na sala de leitura e exposição fotográfica da sede da Junta, com a presença dos convidados Víctor Lemos, vice presidente da Câmara Municipal concelhia e do diretor do Agrupamento de Escolas de Arga e Lima, Manuel Agostinho Sousa Gomes, bem como de Filipe Rocha, presidente do executivo e a presença na mesa do presidente da assembleia geral. Antes das intervenções de fundo, houve lugar à declamação de duas poesias por alunas do ensino secundário local, Manuela, em "Regresso ao Lar", de Guerra Junqueiro e, "Balada da Neve", de Augusto Gil, respetivamente, numa evocação sentimental do tempo da escola primária que ali funcionou e onde então se liam poemas de poetas portugueses. As duas meninas ocupavam na sala um carteira comum nas escolas primárias da época do Estado Novo.




                    O presidente da Junta, Filipe Rocha

                  O presidente Filipe Rocha, que é simultaneamente professor de Biologia na Escola Secundária Local, usou depois a palavra para fazer a apresentação formal do evento, explorando o tema "O Ensino em Lanheses, democratização, cidadania  e liberdade", onde abordou com o à vontade de quem domina a área e conhece profundamente o desenvolvimento estrutural do ensino em Lanheses ao longo do tempo e a importância que representa para o progresso social e económico dos lanhesenses a qualidade da cultura e o ensino na formação dos cidadãos; firmou a sua convicção num futuro de qualidade onde todos devem participar, pois que, afirmou "muitas vezes é preciso uma aldeia para educar uma criança", Eu, diria mesmo, um país...


                      Diretor do Agrupamento Escolar d'Arga e Lima, Agostinho Gomes.

                    O diretor do Executivo do Agrupamento Escolar de Arga e Lima, também obviamente educador e professor, focou a sua intervenção na agrupamento que dirige há um quarto de século, historiando a "epopeia" que foi o arranque da Escola Secundária erguida na antiga Quinta da Barrosa, o seu gradual e linear crescimento, a gestão empenhada e a dedicação à Escola, os problemas de gestão surgidos com os agrupamentos, a atenção que vota à vida da população escolar e aos problemas que eles enfrentam no seio das famílias onde se integram e  a diversidade étnica que geriu sem quaisquer conflitos, o crescimento das instalações, as suas preocupações que são as do próprio país quanto ao decréscimo da população escolar (de mais de 1200 alunos que já frequentaram a escola são agora aproximadamente metade!), a qualidade dos professores que estão ou passaram pela Escola e os elogios que lhe fazem as entidades oficiais e outras individualidades que a visitam e se comprazem com o seu aspeto limpo e "saudável" como se tivesse edificada não há 25 anos mas há um ou dois. Não deixou, também, de realçar a contribuição e disponibilidade da Câmara concelhia para a resolução de muitos e complicados problemas com que se deparou no decorrer destes largos anos de funcionamento. A concluir, e depois de referir a ação que desenvolveu enquanto professor, etnógrafo, historiador e escritor, Agostinho Gomes leu versos do professor Gabriel Gonçalves escritos na derradeira visita que fez à Escola, inéditos para a maioria dos presentes.


                       O vice presidente da Câmara, Victor Lemos

                    Por último, numa breve intervenção, o representante da Câmara Municipal, Victor Lemos, que vem acompanhado de perto e interveio em resoluções que visavam satisfazer necessidades prementes da Escola ao longo do seu tempo de existência, não pretendendo alargar-se em considerações sobre o atual estado do ensino no pais nem apontar responsáveis,  reiterou a sua homenagem ao diretor pelo trabalho que vem desenvolvendo e afirmou a mesma disponibilidade de sempre da Câmara para ajudar aos interesses da Escola e das populações que serve.

                                         Manuela


                                            Elvira



                   Com a sessão a findar, fui instado a usar da palavra a convite do meu antigo e último diretor na carreira, Agostinho Gomes, com quem colaborei nos primeiros anos de funcionamento da Escola Secundária na qualidade de seu chefe de serviços administrativos. Surpreendido e, por isso, sem preparação prévia, não alonguei as minhas palavras muito além do realce da consideração e admiração que tenho  pelo valor do trabalho que o professor Agostinho tem vindo a desenvolver desde que assumiu o difícil cargo e, que muitos outros com mais competência e propriedade lhe reconhecem e amiúde pessoalmente lho manifestam, aproveitando, porém, a oportunidade para manifestar a importância para o meio local que a Escola representa e o orgulho que sinto quando por muitas vezes me falam com admiração do excelente funcionamento escolar da Escola de Lanheses.


 D. Lourenço d'Almada, à conversa na confraternização


           No final da sessão foram os presentes, que compareceram em número que não desiludiu os promotores, convidados para um convívio boufet informal que decorreu no átrio coberto da antiga escola primária, hoje sede da Junta.

                      No Auditório Gabriel Gonçalves



                    Segui-se, no auditório Gabriel Gonçalves, do Centro Dramático de Viana,  um peça de teatro escrita e interpretada por Ricardo Simões, baseada no livro "Capitão de Abril - História da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril", que mereceu no final fartos aplausos do público presente.


Fotos: doLethes
Remígio Costa.

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