quinta-feira, 19 de junho de 2014

O DEVER DE VALORIZAR O NOSSO PATRIMÓNIO COMUM.



 A fachada da Igreja Monumento de S. Francisco (no interior não é permitido obter fotografias)


  Não é propósito deste texto oferecer aos visitantes do doLethes uma lição de história. Muitos já visitaram os monumentos aqui focados outros terão já estudado, lido ou ouvido programas que falaram em pormenor de tudo o que eles representam e as suas principais caraterísticas e importância dos tesouros que guardam.
O que mais do que tudo pretendo é lembrar e suscitar a curiosidade por valores que não estão na prioridade das nossas preferências, apenas porque não estamos muito informados ou até desconhecemos da sua existência e do valor que encerram. 


A rosácea e a imagem de São Francisco, o Patrono

Recomendo, por isso, a quem por ventura me ler e se tiver possibilidade para o fazer, uma visita à Igreja Monumento de São Francisco, ao Palácio da Bolsa e, logo ali ao lado o Mercado Museu Ferreira Borges e, estou seguro de que no fim da visita não terão dado por mal aproveitado o tempo que disponibilizaram para enriquecimento cultural. Que até pode ser nesta quadra festiva de São João, que também não haverá outra igual em todo o mundo.


                                  Colunas salomónicas

Quer na Igreja Monumento de São Francisco quer no Palácio da Bolsa abundam os estrangeiros à procura destas maravilhas que, por mais ricos e importantes que eles sejam, não as têm tão genuínas e ricas como as que preservamos nos nossos belos monumentos, ou, se as possuem (e há museus cheias delas)  não devem sentir muita vontade de esclarecer como é que elas chegaram ali...


O Convento passou por fases de construção em diferentes épocas.

As visitas são acompanhadas de guia em serviço e quando iniciamos o contato com o interior do antigo convento franciscano, atualmente apenas a funcionar como museu e espaço para a cultura e concertos musicais clássicos, somos  confrontados com a extrema riqueza do seu interior que nos tira o folgo ,com exemplares únicos de talha dourada e altares magnificamente decorados e de grande representação simbólica e riqueza histórica, numa variedade de estilos e gostos impressionantes.


                           Pormenor

Notável, entre outros, o retábulo do altar que representa a "Árvore de Jessé" , que pretende representar as 12 imagens dos reis de Judá, encimada pela escultura da Virgem com o menino e de S. José. Porém, muitos outros pormenores ali podem ser admirados mas o que de fato impressiona é a profusão e variedade das talhas existentes, a representação figurativa e o órgão que acompanha os concertos que ali se realizam. Qualquer descrição, por mais rigorosa e precisa que que fosse ficaria sempre àquem da realidade que só os olhos de cada um pode contemplar.


No local há ainda a possibilidade de conhecer a  Casa do Despacho e o Cemitério Catacumbal, também eles de inegável interesse e com recheio valioso bem conservado, podendo ver-se muitos túmulos no chão e nas paredes laterais de figuras da burguesia portuense dos séculos XVII e XVIII, estando no entanto despojados das ossadas dos seus donos cujos restos foram colocados num ossário acessível à vista dos visitantes.


                                 A CASA DA BOLSA DO PORTO




DETALHES DO INTERIOR, A SEGUIR:



 Soalho formado por placas de madeira justaposta, fixas pela pressão e sem uso de cola ou pregos.
 Símbolo da Associação Comercial Portuense, na sala solene das eleições dos corpos gerentes.
As paredes são construídas em gesso.



 SALÃO ÁRABE, A JÓIA DA CASA DA BOLSA.





                           ESCADA MONUMENTAL DE ACESSO AO ANDAR SUPERIOR

No Palácio da Bolsa não faltam salas e salões e até o gabinete onde trabalho Gustav Eiffel, ricos de história e grandiosidade e o seu espaço mais famoso e conhecido que é o Salão em estilo árabe construído apenas por portugueses, o qual deixa qualquer um verdadeiramente assombrado perante a elegância da construção e a riqueza dos seus pormenores e rendilhados ao estilo dos palácios árabes retocados de uma pintuta fina a ouro.


                             Museu do Mercado Ferreira Borges


Ao lado, o antigo mercado da fruta e das flores do Porto está o mercado Ferreira Borges, hoje transformado em museu, na sua estrutura metálica de cor de barro e linhas absolutamente simples mas muito elegantes.

É uma visita que se faz com todo o agrado, enriquecedora culturalmente  e  que constitui  razão de grande  orgulho para os portugueses pelo que significam os locais referidos e pela História viva que a todos nos ensina e gratifica.




Estes museus aqui referidos situam-se na a poucos metros da zona da Ribeira, perto da Ponte metálica de D. Luís que liga sobre o rio douro as cidades do Porto e de Gaia, um local que está na moda internacional para vistas turísticas e onde abundam muitos motivos de interesse e possui uma paisagem verdadeiramente assombrosa.





                                                                   F    I     M

Texto e fotos: Remígio Costa.

3 comentários:

  1. Muito bem Sr. Remígio
    Concordo que deve mostrar o que de espetacular temos ao pé de nós. Muitas vezes só valorizamos o estrangeiro. Mal. O Porto tem muito mais. Incentivo-o a fazer mais reportagens sobre esta cidade. A história da Sé (atualmente ligada a nós por D.Pio Alves) e as suas vistas; os Clérigos; a Foz; Parque da Cidade; os pormenores da escadaria entre a Sé e a Ribeira; Gaia; Fontainhas; tanto...tanto...

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  2. Anónimo 14:45

    Tenho mantido a raiz do doLethes que é, e procurará ser, essencialmente focado na vida quotidiana de Lanheses e divulgá-la aos lanhesenses, privilegiando os que dela não participam presencialmente por razões da sua vida particular.

    Porém, muitas vezes aqui tenho trazido temas regionais, sobretudo dos concelhos de Viana do Castelo e Ponte de Lima, com mais destaque naturalmente para a nossa cidade sede de concelho. Procuro não me alargar muito nos temas que abordo, porque a verdadeira intenção é dá-los a conhecer, simplesmente lembrá-los porque muitos os conhecem mas não puderam dar-lhe a atenção que deviam e suscitar a curiosidade motivadora de uma visita.

    O Porto é um cidade de uma riqueza histórica invulgar, sobretudo no "casco" urbano". Já aqui trouxe o Museu Soares dos Reis, a Torre dos Clérigos e, ultimamente, Igreja de São Francisco, o Palácio da Bolsa e o Mercado Ferreira Borges. Já mencionei o Bom Jesus e estivemos em Guimarães. Falei também do Museu do FC do Porto by BMG mas no meu outro blogue. Vale a pena um visita mesmo para quem não consome futebol.

    Tenho lembrado aos responsáveis do grupo em que estou inserido, visitas à Casa da Música e, mais empenhadamente, à Casa de Serralves e, obviamente, à Sé do Porto. Há porém dificuldade de agenda porque há projetos previstos para a região em que estamos inseridos, como a Brejoeira e outras que estão equacionadas mas ainda sem data.

    Como vê, com algum tempo lá chegarei. Só espero que haja mais visitantes do doLethes a interessar-se por estes assuntos e que não deixem de o manifestar como está patente no comentário acima registado e que, sinceramente, muito agradeço.

    Remígio Costa.

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