quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O TÚNEL PSICADÉLICO.

              A passagem para peões desnivelada, vendo-se na parede do fundo a placa onde está o nome do Doutor Alexandre Rodrigues.


               A criatividade até é aceitável e o preenchimento das paredes de passagens subterrâneas para peões com desenhos, quando criativos e com um mínimo de qualidade, não é de todo agressiva para quem os utiliza. Muitos já terão por ali passado e os painéis dos desenhos já não chocam ou sequer merecem atenção, ainda que pouca.

             A passagem identificada na foto publicada liga por baixo da linha férrea, as ruas de Aveiro, a juzante e a de Manuel Fiúza Júnior, no sentido da Escola Secundária de Santa Maria Maior, na cidade de Viana do Castelo. Foi construído na sequência do túnel rodoviário de Santo António, mais a norte, no tempo em que Lucínio Pires de Araújo foi presidente da edilidade. Como funcionário daquela escola secundária transpus , tal como numerosas pessoas o faziam correndo risco de morte, a linha férrea sem guarda mesmo quando foram tapadas as aberturas após a criação do túnel acima referido, saltando os muros que ladeiam a linha. Lembro-me de um dia ter visto, lá empoleirado, um conhecido advogado e governador civil, entretanto falecido, quiçá numa clara chamada de atenção às entidades competentes para a necessidade de ser aberta a passagem desnivelada. Sem pretensões de protagonismo ou reivindicações de direitos de autoria inapropriados, beneficiando da amizade que me ligava ao senhor Lucínio Araújo algumas vezes lhe referi a utilidade que seria para os transeuntes uma passagem isenta de riscos no local.

             Não conheço a fundamentação nem os promotores da indigitação do nome de Alexandre Rodrigues para identificar a passagem a que me venho referindo. Conheci o ilustre vianense e conceituado professor de matemática do antigo Liceu e do prestígio que gozava então na cidade e bastas vezes pude testemunhar, através dos seus alunos e dos colegas que com ele integravam o corpo docente, mas, nada sei da sua biografia e de outros méritos que lhe deviam ser reconhecidos para que lhe devessem uma consagração pública. A imagem que dele conservo é a de que era muito respeitado, de reconhecida capacidade intelectual, extremamente acessível, democrata e muitíssimo popular. 

            Por isso, hoje, tal como na primeira vez que ali passei e deparei com a placa onde consta o nome do Doutor Alexandre Rodrigues, não posso conter um pensamento de protesto, de veemente discordância e reprovação pela ideia de pretender  homenagear um filho ilustre da cidade de Viana do Castelo através de uma lápide colocada numa parede entre dois lanços de escadas de um túnel...psicadélico.

3 comentários:

  1. Dois posts seguidos com um certo tom "psicadélico".

    Não me diga que anda a experimentar novas especiarias! ;-)

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  2. anónimo das 05:40

    Só canela...em pastel de nata. Uhm!

    rc.

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