sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

CORREIO E CARTEIRO PIONEIROS, EM LANHESES.

            CAIXA DE CORREIO
               

                 Vamos recuar até aos primeiros anos do século XX para reconstituir os primórdios da existência do correio em Lanheses através do testemunho de pessoas que guardam na sua memória as figuras que o asseguravam e os locais onde os postos estiveram instalados.

              A mercearia que pertenceu a Albino do Gregório aberta no então Largo da Feira no prédio actualmente ocupado por uma clínica, localizado junto à estrada nacional do lado norte-poente, terá sido o primeiro sítio de recolha e distribuição de correio postal, em Lanheses. O serviço regular era feito através das carreiras de transporte passageiros da empresa Transportes Mecânicos, de Braga, ocorrendo a troca dos sacos de lona castanha com as cartas e as encomendas, pelas 12h30:

                                          Adeus, ó lugar da Feira
                                          Onde canta a bela aurora,
                                          Onde se espera o correio
                                          Do meio-dia até uma hora.

             Antes da inauguração da antiga Casa do Povo em 1936, o serviço postal esteve algum tempo no primeiro andar da casa que pertenceu a João de Sousa do Vale e é, agora, o Café do Berto, passando dali para as novas instalações atrás referidas.


 Nesta casa que foi de João Manuel Lourenço, no lugar do Romão, funcionou um posto de recepção de correio.

             Não deverá ser já possível apurar por que motivo passou a caixa vermelha do correio a estar colocada à entrada da mercearia de João Manuel Lourenço, agora no Lugar do Romão, tendo passado mais tarde para a posse do filho Abel e encerrada após ter estado a funcionar alguns anos sob a propriedade da sua esposa. Daí, voltou para o Largo da Feira  tendo ficado sob a  responsabilidade de  João Castanho Correia, no local onde actualmente existe a drogaria de Francisco Agra, que sucedeu ao seu pai Mário de Castro Agra. É provável que, em período pouco dilatado, tivesse sido um membro da família Lagoela a detentora do serviço na residência que é, à data, a Pastelaria Arezes. A partir daqui, tendo sido criada uma estação própria de Correio com posto telefónico público, o serviço postal ficou localizado no prédio onde está actualmente.

 Mariana Vale recorda ainda a existência do correio na Casa da Lagoela e do sapateiro Luciano que ali trabalhava e que também se encarregava do tingimento de roupa que levava a Ponte de Lima.
                 

                 A caixa onde "aqui se lancao as cartas" cuja fotografia a seguir se publica, pode ter sido a que foi usada ao tempo em que o correio existiu no largo da Feira na casa da família das Lagoela, parente da família Dantas. A referência inscrita na tabuleta "Villa Nova de Lanhezes", pode significar que ela só pode ter sido construída e usada depois de 1793, a data a partir da qual Lanheses foi constituída vila. Se assim for (e a garantia de fidedignidade da peça é certificada pela honorabilidade do seu actual proprietário), parece coerente concluir-se, com grande margem de acerto, que a carteira de que falarei a seguir serviu-se dela para recolher a correspondência que lhe entregavam.

                  

 (Reservados os direitos de propriedade desta foto que não pode ser reproduzida ou de qualquer modo utilizada sem prévio consentimento do autor e do actual detentor do objecto fotografado)



              MARIA DAS DORES é apontada como tendo sido a mais antiga (e única?) carteira ao serviço do correio, em Lanheses. Viveu na intimidade da família Dantas numa casinha no interior do logradouro onde é hoje (e já era nesse tempo) a Padaria Dantas. Era solteira, natural de Vila Mou. Sendo analfabeta, usava uma forma peculiar de separar a correspondência por lugares e  nomes dos endereços: segurava o maço de cartas que recebia no posto no vértice do triângulo invertido formado pelo braço e antebraço, e, abrindo os dedos da mão, separava as cartas segundo os seus destinatários. Nunca se enganava!

             
                  Anos depois e por tempo bastante alargado, uma senhora de nome Laurinda, assegurava a partir do posto de Correio de Lanheses, a distribuição da correspondência por freguesias situadas no percurso até S. Lourenço da Montaria, onde residia e percorria diariamente, a pé ou à boleia de alguém conhecido; porém, não actuava nem estava vinculada à distribuição nesta freguesia.

 Alfredo Arouca (Janota) foi dos primeiros a lidar com o correio, em Lanheses             

                    Durante grande parte do período em que o posto do correio esteve nas instalações da antiga Casa do Povo, foi João Arouca quem se ocupou dele. Porém, o seu filho Alfredo Arouca (Janota), ainda moço mas já expedito e muito esperto, era quem tratava de receber e distribuir o serviço postal.

                Com o desenvolvimento do tráfego postal e o crescimento da estrutura administrativa e a variedade do serviço, foram admitidos no quadro novos carteiros, tendo-se tornado mais conhecidos pelo maior período de tempo em que estiveram nas funções em Lanheses, João Redondo, José Amorim e Germano Rodrigues, os quais deixaram de exercer há já vários anos por diferentes motivos. O giro para a entrega da correspondência ao domicílio nas freguesias da área do correio (Fontão, Meixedo, Vilar de Murteda, São Lourenço da Montaria, Soutelo, Vila Mou, Torre e Nogueira) era feito a pé ou de bicicleta. Na actualidade, os carteiros usam rápidos motociclos e, para maior distâncias, viatura automóvel.


                             Estação dos CCT, no Largo da Feira

             A continuação  nesta freguesia da actual estação de correios não está garantida. No caso de virem a ser privatizados os CTT, como parece ser intenção do actual poder instalado na governação do país, o encerramento poderá vir a acontecer, de acordo com as notícias que circularam há dois anos atrás e motivaram uma reacção veemente dos utentes das populações abrangidos por esta medida, traduzida numa manifestação participada por algumas centenas de habitantes da área servida pela estação, com o apoio da autarquia e deputados da Assembleia da República pelo círculo vianense.

           

2 comentários:

  1. Bem apropriado post, a lembrar época de muita correspondência de envio de Boas Festas, como sabemos. Agora os correios estão a tornar-se distantes das populações, fechadas que têm sido muitas das antigas estações.... a pontos de se perder disponibilidade de continuar a servir-nos dos serviços postais!
    Ainda a propósito: Desejo ao amigo Remígio um Feliz Ano Novo, com tudo de bom e do melhor.
    Nesta oportunidade, ofereço também uma prendinha... com isto:

    http://longrahistorico.blogspot.pt/2012/12/prenda-de-natal-livro-destino-de-menino.html

    Continuação de Boas Festas!

    Armando Pinto

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  2. Excelente artigo sobre um passado recente.

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