segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O RIO NÃO TEM CULPA.

         
                Nos últimos dias da semana passada choveu com bastante intensidade nesta região do Alto-Minho, o que contribuiu necessariamente para o aumento do caudal do Rio Lima e o alagamento de algumas zonas das suas margens e veigas com ele confrontantes, não tendo contudo a dimensão do que era frequente no passado acontecer aqui em Lanheses, quando a água cobria a estrada até à ponte nova de Linhares, mantendo-se nesse nível durante dias, às vezes semanas.


              
              Hoje, resolvi recuperar o hábito de caminhar muito cedo pela margem direita que tenho interrompido por razões de cumprimento de obrigações assumidas voluntariamente. Tomei o caminho rural que segue para oriente e entrei em Vila Mou, regressando pelo mesmo percurso depois de ter contornado o grande quádruplo amieiro que se ergue no cruzamento de vários caminhos. No regato que corre perto, junto ao pontilhão que ali existe, onde as margens haviam roído arrastando alguns amieiros, foram levantados muros em pedra que acabaram com a erosão dos terrenos de cultivo existentes no local e e com os prejuízos daí emergentes.




          
                    Já em terreno de Lanheses e a montante da ponte, pode constatar-se que o Lima continua a vencer a margem aproximando-se cada vez mais do caminho das moitas, alargando a fatia do bolo que rouba ao paúl  a camada de areia sobre que assenta, reduzindo-o a uma minguada facha mal segura. Ao longo de alguns metros, a margem arenosa esboroa-se como farelo entregando-se às meiguices das águas mansas que a arrastam para o leito, paulatinamente constante certa de que, tão cedo, não será incomodada na sua frutuosa sedução.

             

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