quarta-feira, 27 de julho de 2011

A AUTENTICIDADE DOS SIMPLES.

     
            MANUEL ALVES PEREIRA, é natural desta freguesia mas reside fora há já fartos anos. Tal como muitos do seu tempo, que é o do período que sucede à II Grande Guerra mundial, Manuel Pereira escolheu a única alternativa da juventude do seu tempo e imigrou para a dita capital do Império, o eldorado dos  muitos inconformados com o futuro que lhes estaria reservado se por cá permanecessem. Condicionado pelas raízes que, entretanto,  por lá criou, só esporadicamente vinha de visita à sua terra de nascimento para curar das saudades que nunca deixou de ter e aproveitar para tratar de um ou outro assunto que requeria a sua presença.
             Há alguns anos a esta parte apercebia-me da sua chegada sobretudo nesta época estival e, mesmo não se tendo proporcionado um relacionamento que seria natural, dei conta da sua presença em locais diversos da freguesia. numa atitude que denunciava um interesse iniludível de conhecer a evolução da sua terra natal e as diferenças entre a antiga e a nova aldeia, com o objectivo de identificar o sentimento e as aspirações dos seus conterrâneos aqui residentes.

             Um dia destes fui surpreendido por um chamamento à porta da minha casa, pela hora tórrida do pico do dia deste Verão algo intermitente, não sendo sem alguma curiosidade que o recebi pois não vislumbrava qual o objectivo que ali o trazia. Cumpridas as formalidades da apresentação, Manuel Pereira, que desde há muito me conhece tanto como eu próprio o conhecia a ele, vinha falar-me do encerramento da estação dos correios e da manifestação ocorrida há dias em frente às instalações onde funciona e na qual participara com a sua presença. Como tinha sido eu um dos oradores no protesto que contestei o fecho incompreensível daquele serviço público, este lanhesense que reside em permanência com a sua família na margem sul do Tejo, desejava que  lhe fosse dada a oportunidade de expandir o seu desacordo com a decisão de acabar com os correios. Tinha-se informado sobre a minha função de correspondente de "A AURORA DO LIMA", nesta localidade.

             Numa folha manuscrita pelo seu próprio punho, Manuel Alves Pereira escreveu, em verso, o que pensa sobre este assunto, de que agora dou conhecimento com a devida autorização do autor, ipsis verbis, com ligeiríssimas rectificações na ortografia de uma ou outra palavra.

                                     "OS DIREITOS HUMANOS, E BOA VONTADE"

                         1ª  O senhor Joaquim*, o seu nome é de batismo
                              Funcionário nos CTT, em Lanheses; e competente
                              Terra esta, que conserva o sivismo
                              Os serviços de Poste, fazem fila permanente.

                         2ª A ausencia, em Lanheses desta actividade
                             Será uma revolta, aqui, e na periferia
                             Vai fazer grandes distúrbios à Comunidade
                             Incluindo o protesto da nossa Confraria.

                         3ª É impreterível o CTT neste local
                             Para os turistas portugueses, e estrangeiros
                            Dá o conhecimento de Portugal
                            E estimula as centenas de passageiros.

                         4ª Quem visitar o Alto Minho
                             E em Lanheses passar
                             Este local é um  pergaminho
                             Para quem o souber admirar.

                          5ºResta-nos pedir, a quem de direito
                             A conservar estes serviços, para o bem,
                             Em Lanheses, terra de gente, com conceito
                             Evitando a deslocação para mais além.
                             
                                                                                Em 26-7-11
                                
                                                                         Por - Manuel Pereira.
                               
              Entendessem, os homens públicos, a voz autêntica do povo simples e num ápice se lhe daria o pouco de que necessita para ser feliz.

*(Nome do actual funcionário- NA)


           

        

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