domingo, 5 de abril de 2020

VIVER E SENTIR A PÁSCOA LIVRES DENTRO DE CASA.

      


     É um sentimento estranho, porque até agora nunca tinha sido experimentado, esta inédita situação de reverter para o seio do lar a celebração da Páscoa dos católicos, numa semelhança difusa e surpreendente que nos leva às catacumbas romanas dos primeiros tempos da era da morte e paixão de Cristo Crucificado.

      Numa evocação retroativa de algumas décadas até aos tempos que atravessamos, sempre a celebração pascal decorreu em ambiente social de grande envolvimento da comunidade católica cristã, e não só, não obstante o ritmado decrescimento da exuberância e dos costumes de antanho que atualmente acontecem.


      Na aldeia, nomeadamente na de Lanheses, as cerimónias da Páscoa na Semana Santa, Aleluia, e a visita da Cruz (ou Compasso, com é agora mais comum nomeá-lo), sempre foi feita com (muita) gente. Na missa da benção dos ramos de palmeira, a partir da Capela do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades, no Domingo de Ramos da pré-preparação do Dia Maior no domingo a seguir, e posteriormente em alguns lugares e hora, nas casas onde a Cruz era dada a beijar aos componentes da família visitada, e a quem a eles se juntava, nos cânticos tradicionais alusivos entoados ao transpor do sacerdote e do mordomo da Cruz a entrada e no fim da visita, no acompanhamento em procissão e do coro ad hoc no fim da visita em cada dia até à Igreja para o Ato da Benção, era feita com a participação de numerosos grupos de acompanhantes.


      A situação flageladora que a população de Portugal (e do mundo em geral) sofre neste momento, não recomenda nem a Lei o permite, a liberdade de cada um poder viver esta festividade tradicional como lhe aprouvesse fazer. Obrigados à retenção, este dia, que tradicionalmente era vivido no âmbito familiar aberto aos parentes próximos e amigos de convivência social, as pessoas inventaram novos espaços e tratamentos diferentes, e com a criatividade imaginativa e ativa que excede as previsões mais consensuais estão a comemorar o tempo pascal com uma amplitude e inovação verdadeiramente surpreendente.



      Estou, com a minha esposa, a viver na minha residência, o Domingo de Ramos, pela primeira vez em 56 anos de matrimónio. Os nossos filhos e netos seguem a regra estabelecida e permanecem nos seus respetivos lares. Entendemos por bem, trazer para dentro de casa a "nossa" velha vivência da Páscoa.

      Assim, como as fotos inseridas testemunham.


 FELIZ PÁSCOA PARA TODOS OS LANHESENSES E PARA PORTUGAL, EM GERAL.

Remígio Costa

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