terça-feira, 1 de setembro de 2015

O RITUAL DA LENDA DA QUEIMADA GALEGA.

                  


            A noite já caíra sobre o Parque Verde quando ainda não estava cumprido o programa da festa iniciado pelas 14:00 horas, de domingo. Antes da desfolhada que haveria de ser interpretada pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Lanheses, havia ainda que cumprir a "Queimada Galega", um "número" pouco conhecido para muitos e inédito na nossa comunidade na versão integral e na sua origem bem como nos objetivos e costumes que nela de contêm.

              Sendo verdade que a queimada é uma tradição da vizinha Galiza muito antiga, não há confirmação credível de que os Celtas a praticavam como costume que chegou ao povo galego no norte de Espanha até aos nossos dias, pelo que, em boa verdade, não passa de uma lenda.


              Contudo é certo que o ritual se cumpria em ambiente de intimidade familiar ou de grupos, e contêm princípios de bruxaria e ritual e misticismo pagãos, se bem que também lhe atribuem propriedades curativas. A preparação, como se viu fazer no Parque Verde, é feita à base de aguardente, mel, açúcar, limão, laranja e maçãs, juntando-se grãos de café enquanto a aguardente vai ardendo. 

               O ritual só fica completo com o "Esconjuro" que é uma espécie de invocação mística por um elemento do grupo reunido, de duendes, druídas, demónios, bruxas, nomes de santos que os presentes acompanham repetindo em coro os nomes pronunciados.




Copiei na wikipédia a seguinte versão:
 
"O esconjuro da queimada foi escrito por Mariano Marcos Abalo em 1967 e revisto em 1974.[3]

Recitando o conjuro.

Queimada a arder

Pequena queimada
Mochos, corujas, sapos e bruxas. Demônios, trasgos e diabos, espíritos das enevoadas veigas. Corvos, píntigas e meigas: feitiços das mezinheiras. Podres canhotas furadas, lar dos vermes e alimárias. Fogo das Santas Companhas, mau-olhado, negros feitiços, cheiro dos mortos, trovões e raios. Uivar do cão, pregão da morte; focinho do sátiro e pé do coelho. Pecadora língua da má mulher casada com um homem velho. Averno de Satã e Belzebu, fogo dos cadáveres ardentes, corpos mutilados dos indecentes, peidos dos infernais cus, mugido do mar embravecido. Barriga inútil da mulher solteira, falar dos gatos que andam à janeira, guedelha porca da cabra mal parida. Com este fole levantarei as chamas deste fogo que assemelha o do Inferno, e fugirão as bruxas a cavalo das suas vassoiras, indo se banhar na praia das areias gordas. Ouvi, ouvi! os rugidos que dão as que não podem deixar de se queimar na aguardente ficando assim purificadas. E quando esta beberagem baixe pelas nossas goelas, ficaremos livres dos males da nossa alma e de feitiço todo. Forças do ar, terra, mar e fogo, a vós faço esta chamada: se é verdade que tendes mais poder que a humanas pessoas, aqui e agora, fazei que os espíritos dos amigos que estão fora, participem connosco desta Queimada.

                                 De fonte anónima soube no momento em que decorria a queimada como número da Festa do Milheiral, que a ação foi desempenhada por um ator e uma atriz do Centro Dramático de Teatro de Viana do Castelo.



Fotos TELEMÓVEL:
doLethes
Texto: Remígio Costa

Sem comentários:

Enviar um comentário