segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

QUADROS FICTÍCIOS DOS TEMPOS NATALÍCIOS.

Veio primeiro a música para lembrar o Natal
  E o ambiente no Largo outro alento ganhou.
Chegou, logo a seguir, sem ruído especial
o presépio costumado que logo ali acampou.

À volta do chafariz onde a água já correu,
sem gruta e a céu aberto sob árvores naturais,
ficaram ali erguidos, parados como em museu,
S. José, Nossa Senhora, o Menino e os animais.

Por uma estrela guiados e já muito aproximados
estão os Reis Magos chegados, dos camelos desapeados;
Pois sabendo pela net de água estarem privados
deixaram-nos em Santa Marta entre a família (bem) alojados.




Vestidos de cores garridas, vermelho, verde e azul
para fintar descriminações e precaver altercação,
estão em adoração ao Menino, de rostos virados ao Sul, 
Seus pais muito zelosos e animais de estimação.

Deitado em manjedoura sobre palhinha dourada
Está o Menino dormindo, quem sabe quiçá sonhando
que quando chegar o Natal e a quadra terminada
Já a crise esteja passada e o crédito voltando.

Para o ano, quase tenho a certeza,
Que ali já não irá dormir mas sim, perto, na Teresa
Porque milagres, por estranho que pareça,
Sempre acontecem à farta em eleições que os mereça.





Guiados por uma estrela vindos lá dos Orientes
atravessaram desertos, Melquior, Baltazar e Gaspar;
em alforges escondendo bem guardados seus presentes
ouro, incenso e mirra para o Menino Deus honrar.

Do manhoso Herodes se livraram os Magos ricos
que pelo mesmo caminho não arriscaram voltar,
mas ficaram aterrados e aflitos quando leram escritos
os relatos dos inocentes que o bárbaro fez matar.

Melhor tivessem sido (pensaram eles) os velhinhos, por inúteis,
que só ocupam hospitais e recebem pensões (e contam tostões);
fossem aqueles velhos tempos os de agora, tão banais e fúteis,
que sem mais aquelas mandariam ministros inocentes p'ra prisão.


Como os tempos que correm não estão para floreados
já repararam que os materiais usados são reciclados
Vão ficar à prova dos rigores da época invernosa
dia e noite num dos mais desconfortáveis meses
Que a estadia lhes seja favorável e gostosa
Pois são bem-vindos estimados convidados 
na acolhedora e simpática freguesia de LANHESES.









Termino por recomendar, ao mago que o ouro transporta em risco,
que aquilo que eu faria para não sofrer assalto e tanto,
 era ir à sucapa à ourivesaria (que está pertinho) e, 
sem dar contas ao fisco,
trocava-o por notas novas de banco e ia de iate para um ignoto Paraíso.
 


fim


1 comentário:

  1. Fiquei triste por ver N.S. e S.José com caras tao feias!
    Mas se isto é arte!...

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