segunda-feira, 11 de agosto de 2014

NAMORAR (EM) VIANA ANTES DA ROMARIA DA SENHORA D'AGONIA.

         

Esta é a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, a espinha dorsal da cidade de Viana do Castelo, vista a partir da estação ferroviária situada no topo norte, onde se vê parte do monumento evocativo ao folclore representado por um par de bailarinos na posição típica da dança do vira. Do lado esquerdo do início da Avenida está o Tribunal e, do lado direito, o edifício dos correios.
            

 Uma multidão de gente vinda de todos os recantos de Portugal e também de grande parte de países do mundo, escolhe visitar Viana do Castelo nesta altura do ano atraída pela fama da Romaria da Senhora d'Agonia, pela diversidade, originalidade e profusão de opções que a riqueza do programa das festas contempla e pelo beleza natural e enquadramento paisagístico único onde a cidade minhota sede do distrito está implantada há alguns séculos.


Aqui é ainda a Avenida principal, vendo-se as bancadas amovíveis para o público assistir ao desfile do cortejo.
         
  Viana do Castelo oferece muitos atrativos interessantes que valem a pena conhecer em qualquer época do ano. São os que fazem parte do património multicultural  permanente e que se desdobram e complementam com outras iniciativas pontuais levadas a cabo nesta fase festiva.


Aqui é a Rua da Picota entre a Avenida e a Praça da República, o ex-libris da cidade antiga. É a zona turística por excelência com várias esplanadas e localizada cerca dos monumentos mais relevantes, como a Sé catedral, o Museu do Traje e do Ouro, A Igreja da Misericórdia, o chafariz e o edifício onde funcionou a Câmara de Viana do Castelo. É zona de comércio, bancos, exposições, concertos musicais eespetáculos e feiras artesanais promovidas pelas aldeias. É também nesta Praça que decorre um dos mais interessantes e apreciados números das Festas d'Agonia, com a parada dos gigantones e cabeçudos e as fanfarras de bombos a atuar em simultâneo.          

             Quando o primeiro objetivo do visitante é viver e festeja a Romaria da Senhora d'Agonia, irá conhecer uma cidade radicalmente diferente do que ela é na vivência quotidiana. Vai ficar seguramente deslumbrado com o cortejo etnográfico, com a festa do traje, com o fogo do meio, com os gigantones e o ribombar de dezenas de bombos na Praça da República, os concertos, com a animação no Campo d'Agonia, com a procissão que leva ao mar numa traineira a Senhora d'Agonia, escoltada por centenas de embarcações, com os tapetes que embelezam as ruelas estreitas do bairro dos pescadores, com a serenata no estuário do rio Lima, a cascata na ponte Eiffel, com o bulício das grandes aglomerações de público. Todavia, será necessário ter presente, em qualquer situação menos agradável, que todos nós temos hábitos comuns, necessidades e direitos iguais, e nestas situações atípicas,  nem tudo acontece a contento dos nossos legítimos interesses, como desejaríamos.




O famosíssimo tripto constituído pela fachada do antigo hospital da Misericórdia onde está a Igreja com o mesmo nome, o edifício da antiga Câmara e o Chafariz.. O espaço na forma atual  tem piso de data recente. Em frente, nasce a Rua da Bandeira e, para o lado direito fica a Sé a pequena distância; para a esquerda, o Passeio das Modormas, está a Câmara Municipal. Do lado sul da Praça fica o Museu do Traje e do Ouro, um edifício construído no Estado Novo para ser sede distrital do Banco de Portugal. E o monumento de José Rodrigues que evoca Caramuru, eleito como um relevante povoador de um região do sertão brasileiro.
          


             Como vianense bairrista e cioso da minha cidade, eu aconselharia a quem já decidiu vir a Viana do Castelo, o faça o mais depressa que puder. Esta é a melhor altura, e explico porque é assim: na cidade já se dá conta de que há mais pessoas do que é habitual, mas não se notam nos sítios mais procurados, saturação de qualquer espécie. As esplanadas estão bem compostas, são muitas e com mesas disponíveis. Estão a abrir locais de exposições, como a das pinturas no Palácio das Malheiras, a dos cartazes da Romaria no edifício da antiga câmara, estão abertas as portas do Museu do Traje e do Ouro, podem ser visitados o edifício, a magnífica azulejaria figurativa e a incomparável beleza da Igreja da Misericórdia, tomar um café numa das esplanadas da Praça, dar uma piscadela de olho à Catarina Paraguaçú nas barbas do marido e do bacamarte de Caramurú antes de entrar no Natário para provar uma das especialidades da doçaria de Viana, espreitar a Avenida dos Combatentes, a espinha dorsal da cidade, descer até à Praça da Liberdade junto ao rio e procurar interpretar o monumento da corrente interrompida do escultor José Rodrigues no meio de uma estrutura de ferro enferrujado, interrogar-se sobre os edifícios dos arquitetos Siza Vieira, a biblioteca, Fernando Távora, o complexo dos serviços públicos e de Souto Moura, o novo Centro Cultural, inaugurado no último ano, entrar no Gil Eannes e se for hora apreciar o bacalhau "à moda de Viana" e terminar, tranquilamente, um namoro romântico sob a sombra das árvores do jardim público junto à marina, com os pés nas águas mornas e quietas do Lima.


          Do Museu do Traje e do Ouro, a vista total da Praça da República que já foi da Raínha.          

Terá, depois, oportunidade de escolher um restaurante e beneficiar de um serviço personalizado, degustar uma especialidade da região, provar um vinho branco ou tinto de reserva recomendado, em ambiente mais seletivo ou mais popular ao seu jeito, com peixe fresco grelhado e petisco em tasquinhas recomendadas. Ou, por coincidência, assistir a um programa de música ou espetáculo no novo Centro Cultural ou na Praça da Erva.


A sugestiva fachada da Misericórdia e o Chafariz, com a Basílica de Santa Luzia ao fundo.
        


            Ainda vai dispor de tempo para visitar o Castelo de Santiago da Barra,  o Museu Municipal onde predomina a louça de Viana e o mobiliário estilo D. João V, A Igreja da Senhora da Agonia, de formato hexagonal o Convento de São Domingos, a Sé nova e a antiga, passar ao lado do "famoso prédio do Coutinho", admirar a preciosa talha dourada dos altares, as fachadas barrocas dos palácios e da  capela das Malheiras, o "casco" da cidade antiga, subir pela encosta no elevador ao monte de Santa Luzia e visitar o Santuário, subir ao zimbório, conhecer a  Citânia e a Pousada, extasiar-se num cenário infinito de céu, mar, estuário do Lima, aroma dos pinheiros da montanha, verde e azul e o casario, a seus pés. 


                     O início da Rua da Bandeira, a partir da Praça da República, com lojas de comércio e restaurantes.

           Um coração que intenta identificar a cidade de Viana
         

             Pode não desejar subir a Montanha mas passear junto ao mar na Praia Norte. Tomar uma água ou merendar numa esplanada aberta ou num dos restaurantes especializados. E, porque não, meter-se no barco de transporte fluvial e passar umas horas na praia ou no pinhal do Cabedelo, na margem esquerda? Ou, um pouco mais a sul, conhecer a praia da Amorosa? Ou, mesmo, se está de transporte próprio, um "giro" pela costa atlântica até Vila Praia de Âncora, ou Valença, ou Monção, ir até Melgaço, tomar um alvarinho?. Olhe, vire a Oriente, visita Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez. Deslumbre-se!

        Já agora, não vá embora sem gozar da festa diferente de todas que acontecem em Portugal . Viu Viana ao natural, vai conhecer "a outra" em três dias, apenas. Quer pela primeira, quer pela segunda razão, ficará a apaixonado por Viana. 

       Vai voltar.


Avenida dos Combatentes da Grande Guerra e partir da nova Praça da Liberdade, no estuário do rio Lima.        


        Praça da Liberdade com o monumento em ferro a autoria do escultor José Rodrigues e pretende representar a rotura do regime de ditadura em 25 de Abril de 1974.


                           Vista da montanha de Santa Luzia a partir da Praça da Liberdade.
          

                   A estrutura metálica que domina a Praça da Liberdade

              Vista sobre o estuário do rio Lima com a ponte metálica Eiffel, ao fundo.

                            Novo ângulo da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra.

                               Cais de embarque para a margem esquerda (Cabelo)

Vista do estuário do rio Lima, para montante, local de lazer e com esplanadas diversas-


                      O bacalhoeiro Gil Eannes, antigo navio-hospital, barco-museu e Pousada de Juventude, com restaurante. Aberto a visitas guiadas. Encontra-se na doca seca, perto do Centro Cultural. Zona da restauração na Avenida que passa do lado e leva à lota, ao Campo d'Agonia, ao Castelo de Santiago da Barra, à Praia Norte e à nacional 13, que pela costa marítima liga à Espanha.


                     Monumento a João Álvares Fagundes, navegador vianês, deslocado para perto do Gil Eannes depois de ter estado erguido no Jardim Público.

                    O último edifício construído junto ao rio Lima -com  o último nome de Centro Cultural-projetado pelo arquiteto Souto Moura. Apenas tem condições para espetáculos musicais, conferências, exposições, etc..
                                 Restaurado por subscrição pública e salvo da sucata, é hoje Museu e restaurante e Pousada de Juventude. É visita obrigatória pelo interesse de conhecer a história de um barco que foi utilizado em várias missões, tendo sido principalmente um navio hospital de apoio à pesca de bacalhau na Terra Nova. Foi um dos primeiros barcos saídos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, este ano extinto.

                        Um navio em manobra de saída do porto na margem esquerda do Lima

Edifício da Biblioteca Municipal da autoria do aquiteto Siza Vieira. Na margem do Lima.

                                Rua de Camões, na frente ribeirinha. Ao fundo, funcionou o Hotel Aliança até há poucos anos atrás. Nas arcadas, era o famoso restaurante "A Margarida da Praça", onde o prato famoso era o de bacalhau. Hoje, recebe senhoras para tratamento de beleza e penteados.

              Início do Jardim Público desenhado e concebido por Gaspar Malheiro Pereira de Castro, no exercício de presidente da Câmara de Viana do Castelo, com família em Lanheses, filho adotivo da terra mais oriental do concelho. No início a estátua de Viana, deslocada do Largo de Altamira onde "estacionou" vários anos e, ao fundo, à esquerda o polémico e resistente "Prédio Coutinho" "mil vezes demolido" mas que continua em pé. Antes do seu levantamento no local, existiu lá  um mercado de abastecimento de bens comestíveis, sendo construído um de raíz a poucos metros de distância, que entretanto também foi destruído para construção de apartamentos, funcionando presentemente o mercado num edifício adquirido pela Câmara entre o Horto e a Cadeia municipais.

                      O Monumento a Viana do Castelo.

                  Rua Marginal frente ao Jardim Público, com comércio variado e restaurantes.

                                                          Idem.

                       Rua de Gago Coutinho ou das Malheiras, que do Jardim Público leva à Praça da República, passando em frente à Capela das Malheiras e ao palácio particular que lhe dá o nome, onde abriu até 31 de Agosto uma exposição de pintura.

 
A belíssima fachada barroca da Capela das Malheiras. Não está aberta ao público.
 
        A Sé de Viana do Castelo.Sofreu alterações arquitetónicas ao longo do tempo, tendo sofrido um incêndio no séc. XVIII (?) tendo tido perdas valiosas do seu património.

RUAS TÍPICAS DE VIANA DO CASTELO NA ZONA TURÍSTICA MAIS ANTIGA CERCA DA PRAÇA DA REPÚBLICA E DA SÉ.





                                                                                fim

Texto e fotos
Remígio Costa.

2 comentários:

  1. Reportagem espetacular! Espelho da realidade!
    Parabéns!

    ResponderEliminar
  2. Postagem espetacular! Reflete a realidade!
    Sou brasileira e em viagem a Portugal, conheci Viana do Castelo em dezembro/2016 e fiquei fascinada!
    Parabéns pela bela reportagem e obrigada por compartilhar!

    ResponderEliminar