domingo, 20 de abril de 2014

POETAR EM DIA DE PÁSCOA.



                                   POETAR EM DIA DE PÁSCOA

O dia amanhece cedo.
Acorda o silêncio ao som do sino.
Dá o melro início entre o fresco arvoredo
Ao seu mavioso concerto de violino.

 Foguetes estralejam no ar
Com o Compasso a sair:
O prior a comandar,
O mordomo logo a seguir.

O rapaz da campainha, de capinha e gravatinha,
Mais a moça da bolsinha para o óvulo recolher,
Trocam sorrisos,
 contentes,
A imaginar os presentes
Que lhes vão oferecer.

À porta das moradias aguardam,
Expectantes e muito falantes
Parentes, amigos e outros tais;
E, quando chega o Compasso,
Depois dos cumprimentos formais
Osculam com um beijo baço
A Cruz que trás o abraço
De Paz e Amores celestiais.

Desanuvia o champanhe espumoso
com o salto vivo da rolha, num estouro;
serve-se com o pão-de-ló, fofo  e saboroso,
tostadinho e lindo como ouro.

Já o dia se apressa a poente
Deixando a festa a aboborar
Na alma do povo que a sente
E deseja assim  perpetuar.



Páscoa, Abril 2014.



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