quinta-feira, 26 de abril de 2018

ACERCA DA SAFRA DA LAMPREIA, EM LANHESES

                 Esta não é a genuína embarcação usada na pesca amadora da lampreia no rio Lima, em Lanheses,  mas o Caninhas é um dos que a pratica em modo profissional e amador, utilizando tanto uma barquinha como a canoa construídas por ele, tal como o barco de recreio da imagem recentemente lançado à agua.

    Está a chegar ao fim a época legal da pesca da lampreia. De todo o modo, dizem os apreciadores, que o famoso e saboroso pitéu perde qualidade e por isso esmorece o desfastio do seu consumo, se o peixe for pescado nos meses que não têm "r" como acontece com maio que se apresta a chegar. Tal pormenor não impede que a lampreia esteja totalmente banida nos restantes meses da dieta circunstancial daqueles que a não degustaram na época sazonal, uma vez que permite ser congelada e cozinhada a gosto sem perda ou diminuição das suas ímpares caraterísticas naturais.


     A época da pesca decorreu esta ano de nodo bastante atípico tendo sido fortemente condicionada pelo estado do tempo, designadamente, para os pescadores amadores que a praticam nas típicas barquinhas, se e quando as condições do tempo o permitirem. O grau de pluviosidade no inverno foi alto provocando o engrossamento do caudal do Lima em períodos longos e forte impetuosidade na corrente, e o anormal arrastamento das cinzas e lamas provenientes das terras descarnadas pelos incêndios tornou a água impenetrável à vista do pescador que usa apenas o bicheiro para prender pelo bojo o peixe em descanso. Nos anos anteriores mais recentes, andavam muitos mais barcos e por mais dias no rio do que nesta época a extinguir-se se viram (e ainda veem porque a licença é válida até ao dia dez de maio próximo). Por estas razões, confessam os amadores da pesca artesanal tradicional, que a safra do ano em curso, dececionou, não sendo compensadora do tempo dado ao ofício e aos gastos feitos.


      Mas, o que é facto e me foi dado a conhecer por quem anda na pesca para comercializar o produto e o faz com recurso às artes /redes adequadas e permitidas legalmente em períodos diários, estabelecendo uma relação com os números alcançados no dois últimos anos, afirma "não tem razões de queixa" , porque, este "foi bastante melhor". Não houve escassez do produto nem o preço  disparou para além do que tem vindo a ser praticado, tendo a procura estabilizado. 



        Lanheses é desde antanho um terra de pescadores da lampreia-marinha, a espécie mais apreciada e popular da meia dúzia que a ictologia concede como autóctones do nosso país. O espaço onde mais frequentemente a pesca amadora nesta freguesia é ocupado, por pescadores das duas margens, é no sítio da Passagem, a montante da ponte de Edgar Cardoso, enquanto a jusante e até à foz do Lima é permitido sob licença a captura profissional com uso de redes, como acima foi referido, ou a pesca com o bicheiro, em simultâneo. Grosso modo, andam com regularidade no rio naquela zona sete ou oito embarcações, que podem atingir uma dezena subindo o rio algumas centenas de metros, variando o número com o estado do tempo e a disponibilidade do pescador amador.



        
      O prato de lampreia confeccionado em inúmeros restaurantes e bares nas várias versões da culinária regional converteu-se, na atualidade, num saliente ex-libris da dieta sazonal minhota, designadamente nos restaurantes e lares das populações ribeirinhas dos rios Minho e Lima. É famoso o "arroz de lampreia", quiçá a mais antiga, popular e mais genuína receita para realçar o ímpar sabor da lampreia-marinha.


Fotos: doLethes
Remígio Costa

      

     
     

      

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