domingo, 13 de dezembro de 2015

- ESPELHO MEU, HÁ OUTRA MAIS LINDA DO QUE EU?

         


                             Este espelho não engana

               A beleza da vila mais antiga de Portugal não cabia completamente no espelho de água formado entre as pontes romana e da Senhora da Guia, nem o lençol de água do rio Lima onde se desenhava a silhueta do casario das duas margens (e a capela de Santo Ovídio no alto do monte)  tinha a profundidade e a extensão requeridas para pista de aprendizagem fazedora de campeões na arte de remar. Estendeu-se o espelho e do leito saíram montes de areia e, agora, até os enormes plátanos do passeio marginal da frente ribeirinha com o Museu dos Terceiros, junto com o batalhão dos soldados romanos cabem, inteirinhos, no alargado lago que se formou..



               Para além da valorização panorâmica e da sua utilidade económica, foi criado mais um interessante atrativo turístico e funcional, a juzante da ponte moderna. Trata-se de um açude de características curiosas cuja finalidade principal é a de fazer crescer a profundidade do leito do rio pela retenção do caudal, mas que tomou em conta, necessariamente, a preservação da fauna autóctone do rio Lima. Na margem esquerda ficou aberto um corredor em declive com peões graníticos por onde a água escorre em turbilhões de espuma e, um pouco para além do centro do leito, ela passa entre pedras soltas ao som da música das levadas. Doravante, Ponte de Lima adicionou ao seu cartaz turístico já de si aliciante, um chamariz capaz de concitar a curiosidade de multidões a quem será oferecido um espetáculo inédito e gratuito proporcionado pelas espécies autóctones do Lima, como o salmão, truta-marisca, boga, enguias e, eventualmente mesmo meixões, como nas pistas dos estádios os desportistas a saltarem barreiras,  para chegar aos locais da desova. E, apressem-se, porque se anuncia a época da famosa lampreia minhota e, só de vê-la sinuosa, enleante e esguia, às vezes parecendo adormecida pelo cansaço da subida contra a corrente, por entre os marcos de granito para vencer a corrente antes de chegar aos pratos nos restaurantes locais, é prenúncio de satisfação total.



               Podem confirmar pelas fotografias aqui inseridas o que fica dito no texto. Mas, por mais que se defenda que uma imagem vale por mil palavras, não alinhe em conversa fiada: confirme por si, vá ao local, espreite e grave na gavetinha das melhores das suas boas memórias mais esta que a mais jovem e simpática velhinha que conheço tem para mostrar.

              À vista, está perfeita, a obra. Faltará, digo eu, a requalificação da praia fluvial da margem direita, a juzante da ponte da Senhora da Guia, onde estão amontoados os milhares de metros cúbicos de areia retirados ao leito do rio Lima. Quando isso estiver concluído, arborizado e alindado, a Vila tem forte motivação para se olhar ao espelho e interrogar-se, dengosa e narcísica:

                        - Espelho meu, espelho meu, haverá outra mais linda do que eu?







Fotos: doLethes
Remígio Costa



              

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