terça-feira, 21 de março de 2017

CEGONHAS ABDICARAM E MUDAM-SE PARA PALMEIRA.

    

    As cegonhas brancas capitularam na luta que travaram para se manterem no topo da chaminé onde procriaram sete anos, mas continuam nas imediações do Largo Capitão Gaspar de Castro adaptando-se no cimo de uma palmeira morta de um quintal particular, a norte da posição anterior. Dona Lala e sr. Lima não dispunham de muito mais tempo para iniciar a postura da nova criação, e à falta de uma solução mais consistente alojaram-se em novo local, ao que tudo indica, definitivamente.

     O casal tem permanecido com regular assiduidade no cimo da palmeira vendo-se o que parece ser o macho ocupado nos cuidados de limpeza das penas, e aninhada com apenas a cabeça visível quiçá na postura dos ovos, a fêmea D. Lala.

     Ao longo dos oito anos em que venho a dar notícia referente às cegonhas e ao local onde pela primeira vez se estabeleceram, nunca aqui escrevi uma palavra que fosse de censura ou de reprovação sobre as reações e legítimos interesses dos proprietários do edifício sujeitos a arcar com os inconvenientes e prejuízos inerentes à vida das aves naquele espaço. Funcionando no rés-do-chão, na vertical da chaminé, uma escola de condução, e não havendo espécie alguma de proteção que o impedisse, os excrementos e dejetos vindos de cima caíam livremente do alto conspurcando  a toda a hora o espaço da porta de entrada sujeitando os proprietários a permanente limpeza e aos correspondentes encargos. Porque tinha consciência dos inconvenientes da situação não estranhei que esgotada a paciência dos lesados, eles tivesse posto fim à situação fazendo valer as suas razões junto da entidade própria que terá autorizado a "demolição".

      Se o assunto, suficientemente ponderado e negociado com quem de direito poderia ter outra solução, isso é matéria que fica por esclarecer.



Fotos: doLethes
Remígio Costa

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