quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O EFERVESCENTE MÊS DE AGOSTO.

          

              Agosto avia as malas e apresta-se para partir para nenhures, os dias fenecem mais breves e o calor amacia o sufoco dos velhos; no escuro da noite limpa de luar brilham mais as estrelas a cintilar, as andorinhas ajuntam-se em bandos pousadas nos arames das vinhas chilreando a acertar horas de cumprir destino, espaceiam os sons longínquos do estralejar das girândolas e o dobrar dos sinos dos campanários voltam a anunciar, melancólicos, as horas, as meias-horas e os quartos de hora do tempo que passou; secam as  flores e a erva dos campos, os pássaros esquecem os ninhos vazios e exercitam voos nas copas das árvores desmaiadas, desliza ronceiro o Lima com mais tempo para sonhar, veraneante de ocasião estão de volta aos afazeres que suspenderam para cumprir aventuras fantasiosas em paraísos adivinhados na leitura das fotografias do markting das agências turísticas,  não se veem já no ninho da rua de Santa Eulália as cegonhas brancas de bico alaranjado.

              Lanheses represtinou a pacatez viciosa da sua mornidão de nove meses para vestir a velha opa cinzenta e voltar a ser Lanheses.



              Cresceu o espaço no Largo Capitão Gaspar de Castro que sente, agora,  a falta do movimento anormal este ano verificado no decorrer do mês a terminar. .É recorrente nesta época a afluência dos lanhesenses que exercem atividade no estrangeiro, com maior destaque para a diáspora francesa e países da (ainda) UE aumentada pelo surto migratório menos duradouro, ao contrário do que foi o dos anos sessenta e seguintes, mais resistente às saudades.  A facilidade de deslocação através das vias rodoviárias, a agilidade no uso e os baixos custos dos transportes em avião, a comodidade e a segurança no recurso aos automóveis , a ausência (por ora...) de atos terroristas que os estrangeiros sentem atualmente em Portugal e a perspetiva de tempo estável e recheado de sol e calor neste verão, boa comida com custos de IVA reduzido e acolhimento simpático do povo português, contribuíram para um substancial aumento do afluxo de pessoas em férias que alterou radicalmente a quietude do quotidiano de Lanheses. E, para nós habitantes radicados na nossa freguesia, foi lindo de ver e saudar amigos e conhecidos, ouvir acaloradas altercações acerca de renhidos  campeonatos de petanca, constatar que famílias inteiras estavam de visita à terra dos pais e mesmo dos avós porque são já várias as gerações passadas e são agora os mais jovens quem os acompanha, ouvir conversas em língua estrangeira genuína ou assimilada , de ver repletas as mesas das esplanadas das pastelarias e demais comércio, os atos religiosos procurados, em convívio no campo de futebol, nem a espera junto dos balcões de atendimento e das filas das caixas de ATM ou a falta de espaço para estacionar, beliscaram a paciência e a exigida temperança dos residentes fixos no apreço que demos e no gosto com que convivemos este (demasiado) curto período em comunidade.

               E, depois do Milheiral (no próximo fim de semana) e das Feiras Novas em Ponte de Lima (a seguir), tudo em Lanheses regressará ao trivial. Até ao regresso do verão.



Fotos: doLethes
Remígio Costa       

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