sexta-feira, 9 de novembro de 2012

FAZER FILHOS, JÁ!

              

              Portugal tem vindo a acentuar progressivamente a diminuição da taxa de natalidade, o que originará que dentro de trinta anos, a população portuguesa não vá chegar aos 6,5 milhões! O assunto é demasiado sério pelas implicações que se farão reflectir nas regras pelas quais a sociedade se rege no tempo de hoje, nomeadamente na sustentabilidade da segurança social e na continuação do sistema de reformas que actualmente vigoram.

              Invertendo uma tradição que se acentuou a partir dos anos sessenta e acelerou após a implantação da democracia os casais portugueses optaram por ter famílias reduzidas, de um ou dois filhos ou mesmo sem descendência, atingindo-se neste momento uma taxa de natalidade das  mais baixas da Europa, o que se traduz num progressivo distanciamento entre a população jovem e idosa do nosso país. Por outro lado, a esperança média de vida tem vindo a crescer acentuadamente alargando o fosso entre os que trabalham e aqueles que já deixaram de exercer actividade profissional remunerada.

             Mas se trouxe ao blogue o tema da natalidade não foi propriamente com o intuito de apresentar um trabalho pessoal minucioso e com dados concretos que ajudassem a compreender a realidade do momento presente em relação ao tema em questão. Muitos já terão tido acesso a artigos e trabalhos de entendidos nesta matéria pelo que não seria aqui que esperariam encontrar algo de novo para melhor esclarecidos ficarem.

            Na  leitura diária do Jornal de Notícias (JN) que não dispenso, o cronista Jorge Fiel escreve com o humor e sapiência que lhe são próprios, uma deliciosa mensagem aos portugueses no sentido de os encorajar a fazer mais filhos. Para aqueles que dela não tiveram conhecimento, faço aqui a sua  transcrição com a devida vénia ao ilustre autor e ao JN.
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FAZER FILHOS É PATRIÓTICO - por Jorge Fiel (JN)
        
"É uma vergonha. Somos o 14.º melhor país do Mundo para ter filhos - de acordo com a tabela da Save the Children (a Noruega é o melhor e o Afeganistão o pior) - mas não tiramos partido disso. Temos a taxa de natalidade mais baixa da Europa, 1,3 filhos em média por mulher em idade fértil. Neste particular dos bebés, até a Grécia nos ganha. E não é por falta de prática, já que nós, portugueses, somos os que fazemos mais sexo (em média, duas vezes por semana) no universo de 13 países europeus de um estudo promovido pela multinacional farmacêutica Lilly.
É uma vergonha. Em 1956, o ano em que a minha mãe me trouxe ao mundo, nasceram 210 mil bebés em Portugal. Em 85, a Mariana, a minha primeira filha, foi uma das 130 mil crianças nascidas no ano anterior à adesão à CEE. Três anos depois, em 88, quando nasceu o Pedro, já o número de partos tinha caído para 122 mil - pouco mais que os 120 mil bebés registados no ano 2000, quando lhe dei o João como irmão mais novo.
Este século XXI tem sido uma miséria, com a natalidade em queda livre e consistente. Em 2009, caímos pela primeira vez abaixo dos 100 mil bebés. E neste ano vamos bater novo recorde negativo. No primeiro semestre, registaram-se menos quatro mil nascimentos que em 2011, pelo que não vamos chegar aos 90 mil. Uma vergonha, até um em cada oito bebés é filho de estrangeiros residentes em Portugal.
Anda tudo com os olhos postos na dívida pública, o desequilíbrio nas contas externas, a galopante taxa de desemprego e o défice orçamental, mas pouca gente se preocupa com o alarmante saldo natural negativo. Em 1961, nasceram mais 118 888 portugueses do que os que morreram. Em 2011, houve mais 4735 funerais do que partos.
Os mortos estão a ganhar aos vivos, dando razão à previsão da ONU de que em 2100 seremos apenas 6,7 milhões, ou seja, que num século a nossa população recuará cerca de 40%.
A letal combinação entre o envelhecimento acelerado e a queda a pique da natalidade arruinará a sustentabilidade da Segurança Social e comprometerá o nosso futuro coletivo.
O aumento da produtividade que a competitividade do país exige não se pode limitar aos locais de trabalho - tem de se estender à cama. Alguém tem de fazer alguma coisa, e esse alguém somos todos nós. Fazer filhos é patriótico. É investir no futuro.
A crise não pode ter as costas largas. Em 1960, Portugal era muito mais pobre, havia muito menos apoios sociais e económicos à maternidade e, apesar disso, produzíamos 200 mil bebés por ano. Mais do dobro que agora. Dois filhos por casal é o mínimo, para repor o stock de portugueses. E não pega a desculpa de que na altura só havia um canal de Televisão e era a preto e banco. Bora aí fazer filhos como se não houvesse amanhã!"

1 comentário:

  1. é verdade que a taxa de natalidade é muito baixa em Portugal, mas a culpa não é dos jovens que estão em idade de procriar.Conheço tantos que gostariam de ter filhos, mas a situação em que se encontram é de tal modo precaria que vão sempre adiando...e o tempo passa.

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