sábado, 16 de junho de 2012

MÚSICA, POESIA E ESTÓRIAS PREENCHERAM A NOITE DA II TERTÚLIA.

          

                    Decorreu ontem à noite na sala da biblioteca da sede da Junta de Freguesia, a II Tertúlia organizada pelo executivo presidido por Ezequiel Vale, tendo desta vez como tema de fundo o Rio Lima. A primeira destas inéditas iniciativas decorreu no passado mês de Abril e foi integralmente dedicada à apresentação do livro "Lanheses a Preto e Branco", obtendo então um interesse e brilho verdadeiramente surpreendentes.

              
           A antiga sala de aulas da escola primária agora adaptada a Biblioteca e exposição de fotografias a preto e branco que retratam instantâneos da vida quotidiana dos lanhesences desde há cerca de um século a esta parte, condiciona a participação de tertulianos dada a sua relativa pequena dimensão, limitando a cerca de trinta e cinco as inscrições prévias e garantidas por ordem de chegada aos serviços.



               A animação musical esteve a cargo do duo Ana e Paulo Pinto, na voz e ao piano, respectivamente, que também tinha actuado na I Tertúlia, apresentando um variado e cuidado reportório de canções e músicas que foram e ainda são êxitos assinaláveis de impacto nacional e mundial alguns deles, justamente aplaudidos e participados por todos os presentes.


              A Poesia está associada indelevelmente à natureza do Lima, à mansidão da sua corrente  e ao bucolismo das suas margens e de todo o vale que lhe serve de leito, tendo inspirado poetas e prosadores que se deixaram apaixonar pelos seus irresistíveis encantos. Um deles foi Teófilo Carneiro, de quem Rosa Castro recuperou e leu um poema para lançamento do tema e das intervenções. Ezequiel Vale, que se incumbiu de apresentar e coordenar todo os programa previsto, trouxe a colação o estudioso etnógrafo, autor e poeta torreense Carlindo Vieira, lendo um dos poemas sobre o rio e os barcos do Lima.




              

               Manuel Paraíso apresentou-se a seguir com uma cuidada e minuciosa preparação do tema em debate e, num estilo arrebatado e empolgante, inundou a sala de uma bela prosa poética onde realçava os encantos paradisíacos do vale do rio e das serranias que o envolvem, de "uma beleza que não de pinta", disse, citando ainda Teófilo Carneiro. Fátima Agra, falou de Diogo Bernardes e, de uma publicação de Couto Viana, o escritor vianense recentemente desaparecido, enalteceu António Ferreira, poeta limiano não muito conhecido mas com valor reconhecido. Rosa Maria Franco, encerraria com a leitura de um poema a primeira parte da sessão.






               Depois do brinde proposto pelo presidente da Junta, foi a vez de Sérgio Moreira, gestor do blogue Something Special do Vale da Serra d'Arga, ler o primeiro dos seus poemas originais a que deu o nome de "Sentado à Beira do Rio Lima", onde espelhou todo o seu carinho pelo local onde passa muito dos seus momentos de lazer e recupera do afã do trabalho.


               A Tia Áurea (fez questão de assim  ser tratada) inaugurou as intervenções sobre histórias reais e vivências pessoais nos contactos com o rio, falando do tratamento do linho e do barqueiro Coutinho, personagem incontornável para algumas das presentes que o chamaram muitas vezes para as transportar entre as margens a fim de se abastecerem do soro (extraído do leite) que servia de alimento para os porcos. Judite Pinto, corroborou os trabalhos necessários para tratar o linho e o processo da sua submersão. José Azevedo pegou na deixa e vá de contar a história do porquinho que vinha no barco comprado na feira de Ponte de Lima e caiu à água em virtude do barco ter ficado preso num banco de areia de repente, tendo-se lançada vestido para salvar o bacorinho. A cantora Ana fez questão, a seguir, de declamar Carlindo Vieira, e, de novo, Paraíso mostrou os seus dotes e disponibilidade para intervir declamando novos versos a propósito.






                Caninhas (Manuel João), estava presente como se impunha e instado a falar do rio o criador do água-arriba, no seu jeito simples e pausado, não se fez rogado. Disse da riqueza do seu pescado na qualidade e do custo de algumas espécies que ultrapassa os mil euros, dos salmões de 4,5,8, e, até, 10 quilogramas que ali são pescados e alcançam os 250 € o quilo, dos meixões que aqui se conhecem por "meijões" ou "caçafios", espécie cuja recolha não é permitida no Lima mas é no Minho (não sei porquê, estranha), das lampreias, trutas salmonadas, solhas, barbos e taínhas, e outros. Aludiu, também, à construção do água-arriba, deu explicações sobre o nome das estruturas que o formam e da disponibilidade em levar a cabo um novo projecto em colaboração com a Junta, o qual, para já não quis revelar.


                 O sarau prosseguiu com o Sérgio lendo uma composição sua ali escrita, seguindo uma história do Doro que tomou banho com as cuecas do pai, da Cecília a recordar história que metia bruxas e caçadores delas com espingarda e tudo, do Artur Gomes a recordar a fantástica aventura do Zé do Rego, figura  típica de Lanheses, que esteve dois dias no meio de uma cheia de lés-a-lés agarrado um cepo de amieiro e a quem ouviu os pedidos de socorro, indo o Lambranca (João Rocha) salvá-lo de barquinha.O Augusto Franco, relatando dois episódios caricatos, o Hélio a ler uma composição feita em trabalho de grupo da mesa onde estava e, por último, Amaro Rocha, a intervir para recordar a construção do água-arriba e a festa do lançamento nas águas do Lima.






                  No encerramento da Tertúlia ouviram-se cânticos tradicionais de Lanheses entoados pelos presentes, com realce para a Carma da Formiga que sempre o faz com muita alma e (ainda) bonita voz, e, num coro final acompanhando a magnífica voz e execução no piano do duo convidado, Ana e Paulo Pinto, a célebre canção que Amália Rodrigues celebrizou "Havemos de ir a Viana", com versos do poeta Pedro Homem de melo.


                  A Tertúlia não constou apenas de música, poesia e histórias. No decorrer das suas mais de quatro horas e meia de duração, houve oportunidade para se estabelecerem conversas informais sobre assuntos que interessam à freguesia, sobre ambiente e projectos em vias de concretização, como a requalificação da margem já com estudo aprovado. Também se ficou a saber que a sonorização do anfiteatro actualmente em construção será efectuada, sem quaisquer custos, pelos mesmos técnicos da Casa da Música, do Porto. 




                   No decorrer da sessão foram servidas viandas de várias espécies e sabores acompanhadas por verde branco e tinto da região, confeccionadas por funcionários da junta e colaboradoras voluntárias, existindo além disso uma sobremesa variada de doces regionais de fabrico particular a cargo de famílias ali presentes e dos próprios trabalhadores.



                   Com a chegada de Ezequiel Vale ao executivo da Junta da Freguesia, Lanheses rompeu com uma gestão tradicional de administração local de muitos anos  e iniciou um ciclo marcado pelo empreendedorismo e inovação até então pouco ou nada valorizados. Estes anos de gerência dos interesses autárquicos da freguesia de Lanheses, são verdadeiramente frenéticos por acção do professor de educação física e docente da Escola de Santa Maria Maior, o lanhesence Ezequiel Vale, que sabe o que quer, faz e manda fazer, concebe e gere, fala e é ouvido.

                     Batam palmas. Ele (e a sua equipa) merece!

      Uma "equipa" sete estrelas (só mesmo nas Arábias...)
                       


                                  Plano de requalificação da margem direita na Passagem

10 comentários:

  1. Reconheço o trabalho da Junta a nivel cultural,mas bater palmas,isso so depois da frequesia ter as infraestruturas indispensaveis em todos os lugares (como esgotos, por exemplo.) Estamos no séc.XXI e ainda ha pessoas a despejar as fossas no verao,durante a noite, por causa dos cheiros. Talvez os habitantes do Largo da Feira e arredores desconheçam esses pormenores...

    ResponderEliminar
  2. Anónimo 20:29

    Penso que não há ninguém em Lanheses que não desejasse ver satisfeitas todas as suas necessidades básicas. O saneamento é uma prioridade absoluta que deve ser extensivo a toda a freguesia. Foi preocupação de outros executivos como, tenha a certeza, é também deste. É assunto que todos os atentos lanhesences conhecem há muito, quer vivam no Largo Capitão Gaspar de Castro, na vizinhança ou no Lugar do Seixô...

    Remígio Costa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. jà estava a estanhar nao haver criticas tem que haver sempre isatisfeitos que a gente que trbalha pour lanhezes siga em frente david pereira

      Eliminar
  3. Para o Sr.David Pereira:
    O senhor acha que a frase : "reconheço o trabalho da junta..." é uma critica?
    A seguir vem exposto um problema de saneamento basico, que nao é dos menores que existem na freguesia.Sabe o Senhor que muitas màquinas de lavar despejam a àgua, com detergentes e outros produtos,na natureza e nos regatos,contribuindo assim para a poluiçao dos mesmos e para o desaparecimento de certas espécies animais?
    E existe uma ETAR...
    Expor um problema e chamar a atençao para ele,serà uma critica? Para o Senhor parece que sim, mas desculpe que lhe diga, os seus comentarios deixam muito a desejar!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. se nao lhe agrada ponha na beira do prato

      Eliminar
  4. Desta vez esqueceu-se de assinar! E critica os anonimos!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. numa resposta a um estupido nao è preçiso assiar david pereira

      Eliminar
  5. Que inteligência limitada! Mas mete o nariz em tudo o que aparece no blogue! Pobreza de espirito, mais nada.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. pensso que sei qem è o sr so lhe vou dizer que a minha intelegencia lhe garanto que è muito soperior à sua voulhe dar um coselho esqueça me david preira

      Eliminar
  6. Sim senhor, vou seguir os seus conselhos e no que diz respeito aos seus comentàrios, jà foram para o caixote do lixo. Respondi-lhe apenas porque me tratou de "estupido". Caso contràrio, nem teria perdido tempo com isso!
    Fique também sabendo que nunca intervim (excepto nesta pàgina) sobre o que o "senhor" escreve...Portanto, boa sorte para o futuro!

    ResponderEliminar