domingo, 5 de junho de 2011

EU " BOTO"! (evidentemente)

                                    Estas já "botaram" muitas vezes....

               Jogo no euromilhões todas as semanas como já antes o fazia com o totobola e totoloto, compro tudo quanto são rifas para sorteios onde o primeiro prémio é um bacalhau ou um aparelho de rádio ou uma bicicleta e, às vezes, até me habilito a um carneiro ou a um presunto, até mesmo a um porco de algumas arrrobas. Nunca  tive mais sorte do que me calhar um fogareiro no tempo em que o gás ainda não substituíra a lenha dos pinheiros cortados no monte, e, por isso, se continuo a jogar (nunca desistir de concretizar um sonho é uma das minhas preferidas obstinações ) faço-o na certeza de que mais depressa me cai um meteorito de algumas toneladas na cabeça do que ser eu, entre cem milhões de hipóteses matemáticas e outros tantos concorrentes, a ver no talão da aposta os cinco+dois que haveriam de fazer de mim o mais "excêntrico" dos excêntricos em que se tornam (a crer no anúncio) os sortudos bafejados pelas bolinhas caprichosas aos saltinhos dentro das esferas transparentes.

            Mas o que tem a ver com o "boto" nas urnas as apostas no euromilhões e quejandos, pois que se nem sequer para "botar" (por aqui muito boa gente diz que "deita") nem é preciso investir, não custa nicles? Para mim, tem muito e explico: desde que o voto é livre e constitui um direito (e, ao que se ouve) um dever, sempre a minha cruzinha foi inscrita no quadrado onde se inserem os símbolos dos (muitos...) partidos concorrentes e, depois de esmeradamente dobradinho em quatro partes, é introduzido na ranhura da caixa onde vai juntar-se aos dos outros meus concidadãos tão confiados quanto eu de que cumprimos com a nossa obrigação cívica.

           O "boto" é "a arma do Povo"!. É?

           Pois sim. Só lhes digo que não têm conta as vezes que o meu "X" desobrigou o meu nome do rol dos inscritos, as opções que, como nos jogos da Santa Casa, ele percorreu o espectro dos símbolos opcionais prodigamente criados, com ou sem fotografias, das mais variadas igrejas e credos com a esperança de que a SORTE, desta vez, vai mudar. E a cruzinha, às vezes de olhos fechados, lá fica, anónima mas legítima que a Constituição é (é?) para cumprir.

          Para mudar?

          Não sei a resposta, como ninguém a terá para afirmar que, apostando persistentemente na fortuna que, um dia,  há-de vir do euromilhões através dos xxx, ninguém poderá garantir que,  também eu não poderei vir ser, oh, deuses, ouvi-me!, por ela contemplado.

          Que diabo, eu faço a minha parte: jogo!

           Por isso e não obstante, continuo a "botar"!

                                       Podem crer que fui...

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