segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

HÁ DIAS ASSIM. OUTROS, NEM TANTO.



Saliência mal-humorada

Não era isto que eu deveria estar a escrever neste momento porque tinha previsto para hoje iniciar a parte que me compete de um trabalho conjunto do grupo onde tenho andado envolvido. Uma noite não muito bem dormida, com interrupções várias na corrente normal do sono (sei lá porquê, talvez por efeito da chuva e do vento a perturbarem o silêncio da noite que se fazia sentir), não deixou de influenciar o estado de espírito pouco optimista com que me levantei logo ao início da manhã, sem réstia de vontade para sorrir.

Não bastavam já as medidas preocupante tomadas pelos governo que vêm a inquietar e a pôr em causa os direitos adquiridos e, têm ainda os velhos que arrostar dias e noites seguidos com um Inverno tão ou mais inamistoso que as decisões que afectam os seus orçamentos familiares! É que um idoso limitado ao espaço do seu domicílio, retido em casa por imposição do inimigo implacável que o sujeita a condicionalismos cruéis e extremamente difíceis de contornar, fica privado do seu melhor amigo que lhe dá a luz e o calor de que precisa para atenuar as agruras dos seus derradeiros dias na Terra: o Sol!

Além do mais, o ar livre só dá benefícios e raramente contribui para aumento de gastos. Pode, até, ajudar a baixar a factura do  consumo da energia eléctrica por dispensar a ligação do aquecimento e da luz artificial e reduzir o tempo da utilização do computador e o uso do sofá em frente da televisão. Nem precisará de tirar da garagem a viatura para ir comprar o jornal ou cumprir o ritual de ir ao café tomar a bebida na mesa do costume. Nem corre o risco de ver o guarda-chuva (ou chapéu!?) desfazer-se numa rajada molhada ou de ficar encharcado até aos joelhos pela obliquidade da queda das gotas de água. Eu sei, não precisam de me lembrar que ficar em casa traz vantagens económicas relevantes. Também ando a tentar mentalizar-me para ir para a cama à hora que as galinhas recolhem ao poleiro, despir-me e vestir-me à luz da vela de cebo ou candeia de azeite, em lavar a roupa e a louça à mão , em tomar banho de chuveiro com água fria ou, quando o tempo o permitir, ir banhar-me ao rio Lima com sabão rosa e aquecer os pés à lareira de pedra à fogueira onde arde o cepo. 

Tudo porque também eu não vejo nesta fase da vida outra solução que não seja cortar, poupar, esticar. Descartada há muito a hipótese de obter rendimentos além dos que planeei no decorrer da minha vida activa, as alternativas de o conseguir em termos de trabalho normal honesto estão praticamente esgotadas por razões óbvias, a não ser que voltem aos caminhos e  estradas da aldeia, como no passado, os animais bovinos que as semeavam generosamente de bosta e era logo recolhida em cestos para com ela estrumar as hortas....

Há dias em que o melhor que nos acontece é mesmo ir à caixa do correio e não ter lá dentro uma notificação da AT (Autoridade Tributária) para liquidar mais um imposto ou um aviso para pagar uma multa por contravenção rodoviária por estacionamento indevido.

Olho para o relógio: pouco passa das duas da tarde. Nunca mais vem a noite.

1 comentário:

  1. Meu Caro Amigo Remigio:

    "E um fenonemo curioso:
    O pais ergue-se indignado,moureja o dia inteiro indi-
    gnado,come, bebe e diverte-se indignado, mas nao
    passa disto.

    Falta-lhe o romantismo civico da agressao.

    Somos, socialmente uma coletividade pacifica de
    revoltados" Migel Torga

    Um Abraco-HL

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