quinta-feira, 7 de março de 2013

MONUMENTOS HISTÓRICOS DO POVO ALTO-MINHOTO..

            Mamoa do espaço museológico do Mezio, Soajo.

             Dos monumentos mais antigos que transportaram até aos nossos dias fragmentos vivos da história dos povos que viveram nas terras montanhosas do interior do que actualmente é o Alto-Minho, as antas e mamoas permitem reconstituir o culto devido aos mortos reportado há, pelo menos, cinco mil anos atrás que coincide com o período megalítico pré-histórico.

             O corredor do acesso ao interior da mamoa é construção recente.

                  Existem no nosso Alto-Minho bastantes monumentos que atestam os costumes dos povos que por aqui estiveram, vários ao longo dos séculos que os historiadores julgam ser mais de vinte, onde os autóctones estavam longe de ser a maioria, beneficiando da geografia e riqueza do solo em pastagens favoráveis à reprodução de animais de boa carne para alimentação.

           Anta da Porta do PNPG, no Mezio

                      As antas e mamoas eram locais construídos para servirem de sepultura os seus mortos, usando pedras de granito de razoável grandeza colocadas geometricamente ao alto sobre as quais era colocada um outra em forma de laje a servir de cúpula sendo coberta com pequenas pedras e terra , deixando uma pequena abertura e, em alguns monumentos, com um corredor de acesso ao pequeno espaço interior. 

            
                    Muitos já conhecem o Centro Museológico do Mezio, na Serra do Soajo, em Arcos de Valdevez, onde se situam alguns dos mais bem preservados exemplares de antas e mamoas existentes no Alto-Minho. É um conjunto muito interessante sob o ponto de vista do conhecimento das práticas do povo primitivo da nossa região que se recomenda possa ser visitado pelo maior número dos naturais desta região, sendo que não será nesta altura o melhor período para o fazer por ser o ambiente tipicamente minhoto do local mais aprazível na época quente de Verão.

                     ESPIGUEIROS DE SISTELO






              Os pilares que sustentam o espigueiro são desenhadas para impedir o acesso dos ratos, os quais, mesmo subindo a coluna, não têm forma de se segurarem na base do apoio. Aqui, o "rato" é o Homem.
 





                                                       A FORCA.







            Mas não se restringe às antas o valor histórico desta incomparável região, pois muito mais há de interessante e antigo para suscitar o interesse dos alto-minhotos do litoral, já que os estrangeiros  há muito que o incluem nos seus roteiros de viagens, principalmente os nossos vizinhos espanhóis que conhecem melhor que alguns de nós os trilhos da serra do Soajo. Passar por Sistelo e visitar a eira comunitária onde se preservam os famosos caniços em pedra para guardar o milho e deambular um pouco pelas vielas apertados do velho casco do burgo onde o casario rústico de granito escuro quase se junta, como se quisesse compartilhar no inverno o calor das lareiras da comunidade, bater uns clics da forca granítica erguida no centro da praça, e, no típico restaurante ali à espera deliciar-se com um cozido à portuguesa, melhor diria, "à maneira do Soajo", onde só entraram produtos genuinamente autóctones e confeccionados como era tradicional fazer nos tempos antigos, provar o bolo de mel ou o pudim de mel caseiros, é abrir uma porta de um passado que sabe bem reviver em contraponto com a era  frenética, desigual, injusta e perigosa do pensamento neo-liberal para onde nos querem conduzir.





           

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