sexta-feira, 19 de março de 2010

RODODENDRO "GOLDEN GATE" SECULAR, EM LANHESES

(Em actualização)         
Um arbusto de porte raro para a espécie, em avançado estado de decrepitude, resiste ao tempo e continua a florescer, sob as copas frondosas de duas imponentes magnólias, no jardim da Casa do Paço, da família dos Condes de Almada, ao Largo Capitão Gaspar de Castro (Benemérito), em Lanheses.
                     Em cima: parte superior do arbusto gigante


           O vetusto Rhododrendon (RODODENDRO) (que se assemelha a um enorme "bonsai") pertencente à família das ericáceas, e é uma planta original da China, sendo ainda bastante comum noutros locais, como o Himalaia, Nepal, Japão e América do Norte, onde aparece na forma de  variadas espécies.




Em baixo: folhas e flores do Rododendro
                                                                               
           Sendo uma planta que, no seu normal desenvolvimento pode chegar aos 60-70 cm, (raramente atinge três metros de altura), os ramos desta que aqui divulgamos terá os seus galhos a cerca de dez metros do solo. O tronco, com um diâmetro de 1,27 m, tem dois braços que se abrem, um na horizontal para o lado norte e, outro, obliquamente para sul, alongando-se por cerca de 7 metros cada um, cresce ainda mais cerca de 1,2m, bifurcando-se em dois ramos abertos no mesmo sentido dos anteriores, sendo que um se encontra rachado.

           Os dois primeiros braços apresentam nas extremidades a folhagem permanente própria, brilhante e alongada, no meio da qual desabrocham as suas lindíssimas flores de cor rosa (deep pink).Os ramos mais altos aparentam estar já mortos ou em vias de secar, apesar da existência de pequenos rebentos com folhas confirmem que a seiva ainda circula no seu seio.

           A curiosidade maior deste arbusto reside, não apenas no seu tamanho descomunal para a espécie mas, principalmente, na sua longevidade, quiçá de alguns séculos (penso ter a curto prazo uma informação mais concreta sobre este aspecto, já que os dados que até agora recolhi não são suficientemente pormenorizados e de fonte segura). No seu tronco e ramos são claros os sinais de avançada decrepitude, notando-se várias fracturas e fendas nos seus ramos, indícios óbvios de muitos anos de vida mesmo para os olhos de qualquer leigo na matéria, como eu sou. A resposta para tão longa existência poderá estar relacionada com as condições ambientais do local e características do solo, onde a planta encontrou a protecção e sustento que lhe permitiram sobreviver a alterações de temperaturas e temporais ao longo de tantos anos.


O jardim da Casa do Paço é um espaço privado mas a simpatia e disponibilidade dos seus actuais proprietários permite obter fácil acesso ao recinto, onde existem outras árvores frondosas e muito antigas.
Refira-se que, bem perto deste ancestral arbusto, está implantado o velho pelourinho, símbolo da freguesia de Lanheses, bem menos idoso mas não de menor valor.

1 comentário:

  1. Caro Amigo.
    Parabéns por tão interessante e cuidado artigo.
    Por vezes temos espécies de excelente e rara qualidade à nossa volta, mesmo há frente dos nossos olhos, e não somos capazes de as ver sequer quanto mais de as apreciar devidamente.
    Agradeço-lhe imenso por isso, por nos fazer crescer o nosso Mundo que agora passou a ter um horizonte mais, com esta informação "florida", graças a si. Bem-haja. D. Lourenço de Almada

    ResponderEliminar