quarta-feira, 25 de outubro de 2017

"DURIUS" FOI, DOURO É.



   À velocidade média de 18 km hora, a viagem pelo rio Douro em barco de turismo entre Peso da Régua e o Pinhão, demora cerca de 02H30; a operação da transposição do desnível do rio na eclusa em Bagaúste, a quatro quilómetros de distância da partida, termina em vinte minutos, aproximadamente. Mas ninguém se impacienta ou reclama da demora, nem cansa quem, a 27 metros de altura na balaustrada da barragem, e no parque da estrada nacional 222 -o melhor traçado do mundo para a condução automóvel- (ver vídeo do youtube abaixo inserido), paralela ao rio na margem esquerda, assiste e aplaude a facilidade da operação, tão simples quanto o são as ideias geniais que facilitam o trabalho do Homem.


   A fama de um rio Durius que os invasores romanos lhe atribuíram por força da rebeldia em se deixar domar, os duros homens portugueses dos típicos barcos rabelos converteram em D'ouro, transmutado em vinho fino, suco das uvas das cepas alinhadas nos socalcos dos montes íngremes que marginam o seu leito, num paraíso terrestre sonhado que os olhos retêm e levam ao coração pelas veias invisíveis da emoção. Nos ondeantes relevos montanhosos entre a Régua e o Pinhão, a videira é vinho e pão, alimento do corpo, e a harmonia e espetacularidade do cenário natural o conforto do espírito e o gosto pela vida terrena.


   Na antiga Vila a reclamar para si o privilégio de "capital do vinho" duriense, o Pinhão orgulha-se de possuir a estação de comboios mais original do nosso país, ostentando em todas as suas fachadas uma singular coleção de vinte e quatro painéis datados de 1937, compostos por 3047 azulejos provenientes da cerâmica "Aleluia", de Aveiro, onde se retratam quadros relativos à atividade vinícula da região demarcada do Douro, a primeira de que há registo no mundo determinada por Marquês de Pombal, os costumes, as pessoas e o rio, bem como a topografia e geografia da paisagem onde ele passa. Uma jóia de arte e história na acolhedora, tranquila e saudável Vila banhada pela margem direita do Douro antigo.



      O rio Douro é hoje um roteiro turístico de topo, procurado tanto interna como externamente. Barcos, de tamanhos variados, circulam acima e abaixo a toda a hora, em rota de cruzeiros com lotação esgotada, todos os dias da semana, entre o Porto e o Pocinho, Régua ao Pinhão, a par de outras embarcações particulares de pesca desportiva ou turismo privado ou para acesso às quintas famosas do vinho de marca, estas sempre identificadas em bem visíveis cartazes.  Na margem direita, rente às montanhas e bordejando a água, passa a linha férrea; na esquerda, entre a Régua e o Pinhão, não há no mundo via para melhor conduzir do que a estrada nacional 222/Douro.

      O Norte é belo, Portugal é país apetecível, de todo.

                  

                         VISTAS DO DOURO ENTRE PESO DA RÉGUA E O PINHÃO



























                        (Estrada nacional 222/Douro - Vídeo Youtube)


Fotos: doLethes
Remígio Costa

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