quinta-feira, 18 de junho de 2015

J. PINTO DA COSTA FALOU DO TESTAMENTO VITAL À ACADEMIA SÉNIOR DO IPVC.

  Professor J. Pinto da Costa, na Academia Sénior do IPVC

         Falando de conferências, alguém que em muitas delas tem participado como figura convidada ou presencial, dizia com sentido de humor que "nem as faças nem assistas". Não custa a acreditar que não haja palestras desinteressantes, quer pelos temas que nela são tratados quer pela modo e qualidade de quem as apresenta.


           A convite do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) proposto pela fundadora coordenadora da Academia Sénior, doutora Ermelinda Jaques, esteve esta tarde no auditório 2 da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), o professor doutor J. Pinto da Costa, para falar do "testamento vital", uma opção legal que faculta aos cidadãos maiores de idade e no uso da sua capacitados mental prescreverem instruções a serem observadas em casos de doenças terminais de que venham a sofrer e de que resulte  incapacidade de manifestação de vontade em resultado dessas mesmas doenças.


          O tema é manifestamente atual embora a consciência do que significa e a sua provável subscrição apenas sensibilize os possíveis "utentes" (entre aspas porque o Professor não aprecia o termo) depois dos quarenta. Ao que parece, até àquela idade, o tema de morte ainda não preocupa a maior parte dos cidadãos. Escalpelizando os diplomas que pretendem regular os atos médicos e salvaguardar a responsabilidade de quem os pratica, J. Pinto da Costa, apontou sobretudo as contradições e imprecisões e a inexequibilidade prática em algumas situações que mencionou, daí que não lhe reconheça utilidade de maior. Citou exemplos verificados noutros países que foram notícia com impacto na comunicação social em Portugal, como o dos Estados Unidos de uma mulher que praticou eutanásia e na Alemanha onde uma enfermeira a praticou de motu próprio porque entendeu ser inútil o prolongamento da vida vegetativa, mas também nas capciosas leis da Holanda que permitem contornar a eutanásia sem a admitir explicita e inequivocamente.

                               Ermelinda Jaques

            Se aliarmos a preparação científica do laureado Professor, a sua figura patriarcal , a voz bem audível e os dotes oratórios, as palavras e o tom simples e coloquial usados com uma dose q.b. de excelente e oportuno bom humor espontâneo e inato , ninguém diria que a hora e meia da palestra foi "uma seca", mas uma oportunidade rara de beneficiar dos doutos ensinamentos de um catedrático que, de acordo com o testemunho de uma médica que o teve como professor tinha sempre lotadas de alunos as salas de aula da universidade onde ensinava.


          Vou terminar o relato sintético deste momento significativo para a Academia Sénior do IPVC, com as palavras com que J. Pinto da Costa iniciou a sua notável exposição: "nascemos ignorantes, vivemos ignorantes e morremos ignorantes". E, ainda assim,  a ciência cresce e muda a cada cinco anos que passam...

          No auditório estiveram presentes, a vice presidente do IPVC, drª Florbela Correia e o dr. Sousa Cintra, co fundador da Academia Sénior.




                                   Diretora da Academia Sénior e J. Pinto da Costa

fotos: doLethes

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