(5) FIGURAS E FACTOS DA HISTÓRIA DO
FUTEBOL
LANHESENSE
Efígie de Francisco Dias de Carvalho erigida na atual Casa do Povo de Lanheses
1.-PRIMEIROS
EMBLEMA E EQUIPAMENTO DO GDCP DE LANHESES
1.1 - O EMBLEMA
Os dados escritos a que recorro não contêm
quaisquer referências quanto à criação do emblema do GD da Casa do Povo de
Lanheses. O que primeiro constava no peito do lado esquerdo da camisola amarela tinha a
forma de um triângulo com o vértice invertido, e na parte superior desenhadas esferas
de cor pretas a sugerir atividade desportiva. No centro havia desenhada uma
bola de futebol de cor castanha sobreposta pelo Pelourinho (dedução pessoal), o símbolo da antiga
Vila Nova de Lanheses, num fundo colorido a amarelo e preto.
Não conheço registo
escrito que ateste a aprovação e o nome do autor bem como a justificação
simbólica dos seus elementos, podendo porém atestar que foram bordados por uma
jovem que dá pelo nome de Rosa Castro, hoje mãe e avó com família e domiciliada
no Largo Capitão Gaspar de Castro. Não cheguei a saber o custo do trabalho nem
se alguma vez a D.ª Rosa foi ressarcida pelo serviço prestado…Seria fácil esclarecer o assunto pois cruzamo-nos com frequência na
rua onde vive, mas não o faço porque não quereria ouvir o que me vai no
pensamento.
Cheguei a possuir um exemplar que
coloquei no tablier do meu Fiat600D, que
um dia deixei estacionado numa rua do Porto em frente à porta da pensão onde
estava hospedado por uns dias; de manhã, não tinha o estabilizador do rádio e o
emblema deve ter feito a felicidade do gatuno.
(Nota: do filho de Rogério Dantas Rio, Paulo Dantas Rio, tinha no messenger, depois de ter publicado este post, duas fotografias respeitantes ao emblema as quais possuem elementos de simbologia diferente. Um deles aproxima-se do que está na camisola do Rogério Agra, com a diferença de que incluiu um desenho de um barco e não do Pelourinho que eu inseri no esboço abaixo publicado. Será assunto a esclarecer)
1.2-O
EQUIPAMENTO.
A iniciativa de procurar equipar
urgentemente a equipa de futebol foi assumida pelo Rogério Pimenta Agra, filho
de José Martins Agra e de Samaritana Pereira Pimenta, cujo nome convém reter
porque de ora avante será figura central do desenrolar da(s) história(s) que aqui se
pretende escrever. Foi parceiro na ação, Manuel Dantas Rio, Neu da Dantas, outra figura indissociável
dos primórdios da modalidade em Lanheses, como atleta e treinador, ainda entre
nós para nosso agrado já que mantém uma espírito jovial e espirituoso como
ninguém, os quais, perto do fim ano de 1951, foram a S. Martinho da Gandra, uma
freguesia a norte do concelho de Ponte de Lima, contactar os responsáveis do
espólio resultante da extinção do clube de futebol local, com vista a adquirirem
o que restava dos equipamentos com a garantia de palavra no pagamento futuro
já que a Casa do Povo não dispunha de condições de financiamento para assumir o encargo.

O distintivo e o desenho da camisola (Rogério Agra) (digitalização extraída de fotografia em equipa.
O material desportivo adquirido
incluía as camisolas de cor amarela, que, por coincidência, também constava e se
mantém, da bandeira da Casa do Povo; os calções eram pretos e as chuteiras
muito deterioradas pelo uso, designadamente, com as pequenas peças transversais
cravadas com pregos à vista na sola, com o custo total de 2500 escudos. Consta que
o irmão do Manuel Dantas, de nome José (Zé
da Dantas, no tratamento comum), que fazia parte da equipa do GDCP a jogar muito
bem a defesa central, ao verificar o estado das botas teria dito que -“as chuteiras sãop tão grandes que
ainda estávamos a calçá-las no Lugar da Feira e já a ponta estava a chegar ao
campo”. A solução para as ajustar aos pés consistia em preencher o excesso do
tamanho com mangas das camisas sem uso. Foi feita também aquisição de uma bola
a estrear pelo preço de 200 escudos.
Posteriormente, o Grupo Desportivo da
Casa do Povo viria a vestir um equipamento próprio, indo ao símbolo da Casa do
Povo recuperar as cores amarela e preta em gomos triangulares alternados,
convergentes no centro da camisola, e o emblema no peito à esquerda, e com o calção preto
convertendo-o no equipamento oficial.
1.3. A BANDEIRA DA CASA DO POVO DE
LANHESES.
O desenho do distintivo original como
o do GDCP foram inspirados na bandeira representativa da instituição
corporativa Lanhesense criada em 1932, cujo processo decorreu no ano de 1948 sob
a autoria do prof. Gabriel Gonçalves. Em 18 de janeiro daquele ano seguiu para
Lisboa um esboço do projeto para a Federação Nacional para a Alegria no
Trabalho (FNAT) para ser submetido a aprovação superior, como era exigido pela
lei vigente, não tendo contudo obtido provimento porque, segundo a justificação
comunicada por ofício havia que ter sido elaborado de modo a “respeitar as regras práticas da simbologia
corporativa”, as quais, não teriam sido cumpridas com o fundamento de que a
cantarinha que fazia parte do desenho estaria desproporcionalmente crescida e se
assemelhava mais a um cântaro (a
comparação é da minha autoria). Deduz-se que a correção foi
cumprida e o símbolo aprovado.
Esboço (grosseiro) riscado de memória à mesa do café do que terá sido o 1.º emblema do GD Casa do Povo de Lanheses
A seguir: O novo espaço desportivo nos Cutarelos e a primeira inscrição da equipa de futebol nos campeonatos da FNAT.
Remígio Costa
(Continua)