sexta-feira, 31 de maio de 2013

MUITA GENTE COMPARECEU AO ENTERRO DO CORREIO DE LANHESES.

        



                        Muita gente compareceu esta tarde frente ao posto dos correios de Lanheses, no Largo Capitão Gaspar de Castro,  para se manifestar contra a absurda decisão de acabar com um serviço público (mais um)  de grande interesse para a população local e das localidades que lhe estão mais próximas, a qual, a partir de agora, terá de se deslocar a Ponte de Lima (10 km) ou a Viana do Castelo (15km), para ter acesso aos serviços dos CTT.

          

                       O posto dos correios localizados no centro cívico de Lanheses, com acesso privilegiado, com instalações modernas e um atendimento de excelência, prestava serviços essenciais múltiplos sendo requerido por muitos pensionistas, aforradores e assuntos relacionados com o fisco, tratamento de correspondência e mercadorias, servindo um Agrupamento Escolar com mais de duzentos agentes docentes, administrativos e auxiliares, bancos, companhias de seguros, uma zona empresarial, serviços médicos e comércio e indústria envolvendo muitas dezenas de utentes diários. Por isso se considera esta decisão absurda, cega, insensível aos interesses das pessoas, incompreensível e arbitrária e, mais do que tudo, muito mal explicada.



           A eficácia da manifestação terá sido nula em relação à anulação do acto consumado do encerramento decretado pela administração da empresa pública dos CTT, sendo que este é consequência lógica de uma política de desmantelamento das estruturas do estado público que vêm acontecendo por todo o país para as ceder à iniciativa privada, subvertendo uma legitimidade eleitoral baseada na social democracia para a converter num feroz neo-liberalismo não sufragado pelo voto do povo.



           O presidente da Junta, Ezequiel Vale, foi o único orador da manifestação tendo prestado informações sobre as diligências efectuadas junto da empresa e patrocinadas pela Câmara do concelho, revelando pormenores das exigências que foram propostas pela administração dos correios para assegurar a continuidade do serviço em Lanheses, descartando aquela, porém, a possibilidade de assumir a maior fatia dos encargos que deveriam passar para a Junta de Freguesia. Nem a cedência gratuita de instalações na sede e a melhor colaboração para que o serviço permanecesse na freguesia demoveram os responsáveis da EP que se propunha conceder uma verba de 300€ (!) para as despesas de contratação de um empregado. 





           Por agora, o posto dos correios morreu e foi enterrado. O povo, o que esteve presente e o que não tendo participado vai sentir o incómodo da sua extinção quando dele precisar, há-de questionar-se porque é que lhe cobram tantos impostos, lhe cortam salários, lhes aumentam as horas de trabalho diário e o tempo para se aposentarem, lhe reduzem os benefícios sociais, lhe negam o serviço de saúde gratuito previsto na constituição, o manda emigrar, o obriga a pagar as estradas, lhe encerra as escolas, extingue as freguesias sem ouvir os interessados, porque não estão presos os delinquentes da fuga aos impostos, os traficantes, os corruptos, porque se legalizam sem debate universal situações estruturais da sociedade portuguesa, enfim, o degradante estado em que está a Nação portuguesa e, como já aconteceu na nossa História outras vezes, não deixará de reagir para repor Portugal no caminho certo.

          





          




           

3 comentários:

  1. No dia seguinte à manifestação contra o encerramento do posto de CTT em Lanheses, são várias as pessoas que "batem com o nariz na porta", passando a expressão.
    Contam-se, também, histórias de lembranças passadas, provérbios, agora desfeitos, como por exemplo estes versos que, neste momento de tristeza profunda, vos deixo, saídos de uma pessoa idosa, sábia, lúcida e ocorrente dos acontecimentos que a freguesia passa, atualmente:
    " Ó Lanheses, ó Lanheses
    És pequeno mas tens graça
    Tens um chafariz no meio
    Dás de beber a quem passa... Davas, porque agora secou", diz cabisbaixo;
    "Adeus ao largo da Feira
    Onde canta a bela aurora
    Onde se espera o correio
    Do meio dia à uma hora... esperava-se, visto que a partir de ontem perdeu o (en)canto".
    Designam a minha geração de "Geração À Rasca"... então, como guerreiros que somos, mostremos quem é que está à rasca! A palavra "DESISTIR" não faz parte do meu vocabulário, já a palavra "LUTAR" permanecerá para sempre...
    Elvira Soares

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  2. Houve muita gente no dia do funeral...Mas era tarde! Era preciso lutar antes, lutar pela vida e não depois da morte. Resta-nos a esperança na Ressurreicção!

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  3. Portugal é o país mais antigo da Europa... Ou seja, é o país com as fronteiras inalteráveis há mais tempo na Europa... Isso só foi possivel porque os portugueses, as inumeras gerações de portugueses ao longo de séculos, nunca desistiram... sempre lutaram. A geração actual, como as gerações anteriores foram gerações de luta e não de conformismo. Nunca desistimos dos nossos sonhos, dos nossos objectivos...!!!

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