CHINFRIM DE PRINCIPIO AO FIM
O Verão apronta as malas,
Tem o outono à porta;
As favas foram contadas
Para alguém colher na horta.
Quando setembro chegar,
O Sol alivia o forno.
Passam gaivotas no mar
Trazem ondas em retorno.
Lenta, pálida, dormente,
Apaga-se a luz do sol;
A nuvem a ociente
Cobre o sol, faz de lençol.
Ouve-se grasnar o corvo,
Quebra silêncio a poupa;
Parar o sono é estorvo,
A paciência é pouca.
Está a alvorada a chegar,
Dá o galo um sinal;
Na torre o sino a tocar
Sai a voar um pardal.
Abre no céu luz d'aurora,
Pelo sol foi expelida;
O verão não foi embora
O outono que o diga.
E por agora apenas resta
Colher algum benefício:
Rejeitar o que não presta
E colher o desperdício.
Remígio Costa
2026.09.07
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