segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ESTACIONAMENTO.

   
 Largo Capitão Gaspar de Castro, hoje, segunda-feira, 4 de Novembro.


           Um nosso conterrâneo e meu amigo pessoal, trota mundos mas muito ligado à sua origem que o faz mitigar saudades frequentemente junto dos que lhe são próximos, comentava há dias a situação do estacionamento de viaturas no Largo Capitão Gaspar de Castro, com a seguinte interrogação:  

-Como se explica que vendo-se tantos carros aqui estacionados não se aviste, neste momento, um único transeunte (além de nós próprios, numa esplanada de café) no exterior das lojas de comércio ou cafés em redor?

       Como o assunto é recorrente entre os que aqui residem e muitas vezes motivo de conversas e comentários onde há sempre quem pretenda explicar as razões e dê palpites sobre as causas e a forma de resolver o aparcamento das viaturas no local , lá lhe expliquei que a situação já vem de longe e não deverá ter solução a contento, à vista. -E, então porquê, ripostou ele?

       Uma delas é que a maior parte dos espaços destinados ao estacionamento das viaturas está ocupado praticamente durante todo o dia pelos proprietários e seus familiares, empregados do comércio e dos serviços ali instalados; por outro lado, muitos "desocupados" que passam grande parte do seu tempo nos cafés não dispensam as suas viaturas para aceder ao Largo estacionando-as o mais perto que lhes é permitido do local onde permanecem.  Há, ainda, que ter em  conta aqueles que residem "a dois passos" do centro e não abdicam do automóvel para lá chegar lamentando-se não raras vezes por o não poderem estacionar à porta do local onde tencionam estar pelo tempo que lhes aprouver.

      Sendo assim, quem vem de fora para se abastecer de compras ou tratar de assuntos da vida corrente, como jogar no totoloto ou aceder às caixas de multibanco, coisas rápidas, ou até passantes ou turistas como acontece com frequência, tem muita dificuldade em encontrar espaço para arrumar o seu transporte tendo que recorrer a opções menos favoráveis: as ruas que ali confluem ou ao parque gratuito a sul da Rua de Santa Eulália a cerca de cem metros de distância, ou em sítios onde a GNR, ali passando, não deixará de intervir aplicando o código da estrada.

      Curiosamente, quem muitas vezes se lamenta da situação do estacionamento são os próprios comerciantes que acham que a falta de lugares para as viaturas dos putativos clientes prejudica o negócio, o que é verdade. Mas terão que ser eles próprios a dar exemplo e se habituem a estacionar os seus próprios veículos em locais onde eles não impeçam os fregueses de aceder aos seus estabelecimentos. 

      Antes das medidas coercivas, melhor seria apelar à consciência cívica de todos os que frequentam o local para que optem voluntariamente por atenuar os efeitos dos prolongados estacionamentos agora verificados no Largo Capitão Gaspar de Castro, alterando os seus enraizados hábitos de comodismo em favor do interesse colectivo. Poderá ser uma expectativa demasiado optimista, mas, se houver, futuramente,  alguma iniciativa nesse sentido por quem de direito e não resultar, sempre restará alguma margem para justificar medidas punitivas que ninguém gosta de sofrer.


    Rua de Santa Eulália. Ao fundo, à direita, parque gratuito de estacionamento.

        

        


     

1 comentário:

  1. Muito bem observado e corajoso. A grave falta de estacionamento para os utentes do comércio deve-se, sem dúvida e em primeiro lugar, à falta de respeito dos próprios comerciantes. Alguns comércios estacionam três viaturas durante todo o dia. Quando podiam estacionar em muitos sítios a 100 metros. Não querem dar uns passitos diários, até pela saúde, e depois querem que se inventem mais lugares de estacionamento. Só se for na veiga! E depois queixam-se da crise, dos políticos...Estão muitas vezes contra tudo e são invejosos uns dos outros em vez de se unirem.

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