quarta-feira, 12 de abril de 2017
INTERROGAÇÕES.
Quem consegue sentir (ainda) o cheiro da erva acabadinha de cortar, sem estar a sonhar? E o verde, verdinho, a contrastar com o azul do céu limpinho, sereníssimo, há alguém que não gostasse de um pouquinho para levar e guardar? E local para estar, simplesmente, estar, há quem tenha experimentado mais aprazível? Ouve o silêncio que faz? E o hálito do vento das marés a afagar as folhas novas das copas das árvores antigas, alguém o não escutou ou aspirou e viu, depois, partir? Ah, perturbou-o o voo do gaio arisco, o pio triste do pisco ou a presença discreta do melro guardando o ninho perto, escondidinho num galhinho? Ou, deixou-se atrair e distrair com a harmonia cândida e latente do casal jovem de falar diferente, mas igualmente latino como o seu, em desvelados cuidados para com a criança que a recém mãe alimentava de peito?
Não encontra as respostas? Mas gostava, ou não?
Fotos: doLethes
Remígio Costa
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