Ainda há na freguesia de Lanheses quem se recorde do estado em que se encontrava o assoreamento da margem direita do rio Lima no espaço entre o sítio dos Seixos e a freguesia de Vila Mou. Nas marés baixas o caudal diminuía acentuadamente no verão e, depois de tornear a margem esquerda, entrava pela coroa formada ao centro criando uma extensa praia de areia fina na margem direita, entre onde atualmente está a ponte rodoviária e o sítio da Passagem no, agora, Parque Verde. O amplo espaço acolhia no verão muitos banhistas, as crianças que as famílias levavam nas lavradas para as ter perto e vigiá-las, entretinham-se a fazer furos na areia até chegarem à água; outras, lavavam roupa e secavam-na na areia escaldante, e quem tinha lavoura e cultivava linho colocava debaixo da água os molhos durante vários dias a curtir e a seguir secar.
Aquela situação manteve-se até à altura em que a areia entrou nas necessidades da construção civil dando aso a que o negócio se expandisse a ponto de se tornar um produto muito rentável e utilizado, tendo parado por imposição legal.
A saída da areia fez baixar o leito do rio alguns metros em relação e o caudal, porque a extração decorreu somente na margem direita, encostou definitivamente à margem sem deixar à vista uma réstia de areia.
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