quarta-feira, 24 de junho de 2026

"HAVEMOS DE IR A VIA(E)NA"! E FOMOS!

           Viena de Austria, Taça dos Campeões Europeus, cap. João Pinto

       
 Éramos cinco: o Rogério Agra e o filho Carlos, o Rogério Vale, o Vieitos (empregado na bomba de combustíveis) e eu Remígio. Saímos do Largo da Feira pelas três horas da tarde de sábado, dia 23 de maio maio, no Citroen ainda pouco rodado do Rogério Agra, levando a mala  abarrotada de produtos alimentares que poderíamos ter necessidade de consumir no decorrer da viagem (que pouco gastámos). Atravessamos a Espanha e chegamos à entrada da França pelas três horas da tarde do domingo, seguindo em direção a Pontault-Combault onde morava o meu irmão Benjamim e a esposa, na situação de emigrantes. Aceitaram o nosso acolhimento sem constrangimentos, deram-nos pousio na noite da chegada e na de segunda-feira, tempo que aproveitamos para dar uma volta por Paris e arranjo do escape do automóvel em que seguíamos porque tinha rompido. 

           Saímos de Paris na terça-feira da manhã e seguimos o itinerário para a Alemanha; arranjamos dormida em hotel a vinte quilómetos de Munique. Na madrugada de quarta-feira estávamos a atravessar a capital alemã e, sem parar, chegamos à rota que nos levaria à fronteira de Salzburgo. Neste trajeto, fomos ultrapassados na autoestrada por um automóvel descapotável conduzido por um individuo que presumimos ser alemão, o qual, gesticolava furioso de braço erguido insinuando que o Rogério conduzia embriagado porque o nosso carro ia muito chegado à linha do meio da via, situação que admitimos poder ser objeto de denúncia a uma brigada policial, o que, para nosso descanso, não aconteceu. Já em território austríaco avistamos à nossa frente um carro de marca Mercedes, conduzido pelo então Presidente da Câmara de Viana do Castelo e nosso particular amigo, Lucínio Araujo, levando ao seu lado o um seu conterrâmeo adepto portista emigrante, também natural da freguesia de Meixedo.             .

          Fizemos um grupo na capital austríaca dando uns passos para conhecimento do local e, cerca das doze horas, fomos almoçar numa estreita sala onde estava apenas um velhote e um cão preto com aspeto pacífico. Vieram uns bifes, sobremesas e bebidas. Nem muito, nem pouco, antes pelo contrário. 

         Eram quatro da tarde estacionamos no Parque o confortável Citroen, viemos para junto do Estádio do Prater, onde a disputa da Taça dos Campeões Europeus iria decorrer. Demos uma volta ao Estádio levando a tarja "HAVEMOS DE IR A VIA(E)A", pintada pelo escultor e artista professor no Liceu de Viana, Manuel Vieira (já falecido) onde ambos trabalhávamos e criámos amizade; eramos cinco a pegar na tarja a passar com ela em frente de uma fileira sentada de adeptos do Bayern de Munique, a observar-nos silenciados como se fossem leões numa selva a perscrutar as rezes para decidir da sua sorte. Mas não nos incomodaram, graças a Deus.

        O jogo foi uma loucura. Não que a minha convicção fosse a vitória, porque, sabia, o Bayern tinha mais trunfos do que o FC do Porto para vencer. Mas a realidade foi outra; o Futebol Clube do Porto, depois de ter sofrido na primeira parte um golo,sem resposta, na segunda metade o fenomenal Rabath Madjer estabeleceu o empate numa jogada em que utilizou o calcanhar num golpe de sonho que jamais se apagou da minha memória e correu o mundo. O golo do triunfo resultou de um centro magistral do Madjer a meia altura ao segundo poste, com o brasileiro Djair a fuzilar numa entrada de relâmpago a baliza alemã. Depois foi uma ânsia na espera do fim, cada segundo uma hora, cada jogada de ataque do adversário um pesadêlo. O olhar fitava-se no relógio que parecia parado, mas um apito do juiz da partida pôs fim à voragem dos atleta da equipa alemã.

       Impossível descrever com fidelidade o que se viveu na bancada onde os portistas eram mais do que noutros lugares do Estádio. Abraços, expressões emocionantes, vivas, cantares, aplausos, bandeiras no ar, acompanhavam as voltas dadas ao redor do relvado de todo o grupo do Clube portista, com o capitão João Pinto a levantar a Taça sem a ceder a qualquer colega ou dirigente. 

      Já noite, regressávamos ao centro numa fila compacta de automóveis levantando as bandeiras nas janelas e no tejadilho. Um grupo de canalha turbulenta investiu contra o nosso carro com vista a roubar ou deteriorar a viatura. O Rogério invertou o trajeto estacionando numa praça com edifícios que pareciam públlicos pela grandeza e beleza estética. A polícia abordou-nos, recolheram pormenores do assalto, deram instruções que não seguimos. Tínhamos acordado dormir em Viena nessa noite, mas optamos pelo regresso (eram dez horas e trinta da noite) por um itinerário diferente da chegada.

     Eram quatro de manhã resolvemos não dormir em Graz, de acordo com todos. Retomamos a viagem por Mónaco, entrámos quarenta quilómetros na Jugoslávia para conhecer a capital, mas voltámos atrás para chegar à fronteira com a Itália. Foi um pagode: o Rogério Vale entabulou com um jovem guarda da fronteira um diálogo em línguas diferentes, tratando da conversão de dinheiro de coleção, terminado com assentimento e graça. Seguimos. Uns quilómetros corridos, parámos na berma da estrada para dormitar. Não deu resultado, recomeçamos a viagem até Nápoles. Entrámos num hotel, arranjamos quartos, tomamos banho, dormimos e comemos lautamente um pequeno almoço. Retomamos a viagem, passamos a Espanha, entramos em Portugal por Valença, jantamos em Vila Nova de Cerveira, chegamos ao Largo da Feira eram dez horas da noite.Oito dias e sete horas entre a ida e a chegada, cansados mas felizes.

    Não é fácil incluir e sintetisar num post num texto em que tudo quanto é vivido numa viagem de oito dias em sete países, nem descrever tudo o que se passou e saudou num triunfo brilhante e histórico que o Futebol Clube do Porto obteve pela priemeira vez desde a sua existência. Contudo, se há quem tiver pachorra e vontade de ler e interpretar o que acima escrevi, merece o meu sincero "obrigado".

   Entendi evocar a minha vivência futebolística face ao que está a decorrer no Campeonato do Mundo nos EU, Canadá e no México. Entre o presente e o passado não há comparação quanto ao número de Clubes participantes, ao número de jogos da competição, às lotações esgotadas dos estádios, aos gastos astronómicos na despesa, ao impacto mundial que a competição provoca na massa dos apaixonados do jogo da bola.  

  Quo vadis, futebol? 

 

Remígio Costa

2026.06.24 

 

 

    

    

        

segunda-feira, 22 de junho de 2026

BAGO A BAGO SE FAZ O SUMO

            

FERNANDO CASTRO SOUSA TENDO À DIREITA O PROF. DOUTOR SALVATO TRIGO

           BAGO A BAGO, é o título dado pelo poeta vianense Fernando Castro e Sousa ao sexto livro de versos da sua autoria, cuja apresentação pública decorreu no sábado dia 20 do corrente mês de junho no Auditório do Museu Municipal de Viana do Castelo no Largo de São Domingos, lotado para além da comodidade das pessoas sentadas. Por convite antecipado do meu particular amigo de há anos Castro Sousa, fiz parte das dezenas de assistentes que aderiram ao ato solene da apresentação da nova obra literária do autor.

           Fernando Castro Sousa, nascido em Lisboa mas aos sete anos de idade mudando de residência para a  Vila de Ponte de Lima, foi bancário de profissão em Viana do Castelo com intervenções em ações culturais e cívicas, sendo em vários anos colaborador do semanário A Aurora do Lima, onde assumiu a  organização do concurso de quadras na Romaria de Nossa Senhora d´Agonia, extinto que ficou após a sua desistência por saturação da cansativa organização. A nossa convivência e amizade estabeleceu-se quando ambos exerciam as profissões distintas aumentado depois da minha participação no concurso do semanário permanecendo até aos dias de hoje. 

           Na sessão usaram da palavra o autor para a saudação da praxe, o Doutor Salvato Pires Trigo Diretor e Professor da Universidade Fernando Pessoa, do Porto, a Profª  Drª Primavera na leitura de dois poemas e um duo de tocadores de guitarras com atuações a merecerem aplausos da plateia atenta. 

           Em toda a assembleia, de diferentes escalão de idades, apenas cumprimentei dois velhos amigos, o conpanheiro de Curso Manuel Fernandes, de Viana e o Silva pintor e escritor de Ponte de Lima que há anos não nos cumprimentavamos.  

 









                                         Prof.ª Doutora PRIMAVERA

                                     PROF. DR. SALVATO TRIGO
                            FERNANDO CASTRO SOUSA, O AUTOR POETA




 

 Remígio Costa 

2026.06.22 

           

           

           

             

            

FONTE DO CRELO QUE JÁ FOI

             


            Resiste à lei da Natureza o apagamento total da ancestral Fonte do Crelo, pertencente ao Lugar da Corredoura, da Freguesia de Lanheses, situada no fundo da encosta virada a nascente, a cerca de trezentos metros abaixo da estrada municipal e da urbe comunitária. O acesso é feito por um caminho apertado e irregular no piso a carecer de limpeza de arbustos e mato que encurtam a largura dificultando a passagem de viaturas ainda que de tamanho reduzido. A meip do caminho há uma única casa habitada em todo o trajeto.

             Para quem foi durante anos habitante corredourense e inúmeras vezes desceu e subiu a rampa de acesso à Fonte do Crelo, fica desoladamente chocado de tristeza pelo estado de abandono a que o local chegou; nem a frente da pedra semi-redonda da fonte e o bebedouro de chafurdo ao lado, nem a porta da mina e o tanque quase submerso estão visíveis, tal como a água que se ouve e sente sob os pés a passar por entre o manto de erva alta que cerca e esconde todo o espaço da fonte. Os tempos mudaram e com ele a alteração da vida corrente na Corredoura. A água canalizada chegou gradativamente aos domicílios, a fonte manteve o caudal mas a água continuou desaproveitada para consumo doméstico e na redução do uso do tanque, na rega dos lavradios que deixaram de produzir.

            Veio-me por momentos à memória o que foi para mim a Fonte do Crelo nos primeiros anos da minha infância. Recordei quando ia encher o cântaro de barro para abastecer os de casa e as panelas, e depois subir o caminho com ele cheio  na cabeça, ainda que nem sempre chegasse com a água porque me estatelava no chão e desfazia em cacos o cântaro, ou de quando descia o caminho levando à frente de mim uma pata-mãe com uma dúzia de filhotes para se banharem e recrearem na água da represa enquanto eu fumava o meu cigarrito proibido, ou esperava na fila para chegar a minha vez de encher a cantarinha quando a água no verão era um fio e os utilizadores muitos, ou conduzia um par de vacas leiteiras para casa depois de lhes dar de beber na fonte.

           A minha vontade de visitar um sítio por onde andei na juventude e que muito bem conheci e amei, nada tem a ver com a falta de limpeza do local, e se é ou não dipensável o arranjo à volta da fonte já que não serve a comunidade porque a sua utilidade pública deixou de ser relevante, tal como noutros pontos da Freguesia onde há situações idênticas e não deixam de ser do conhecimento de quem de direito. Depois, nem o caminho da fonte é muito utilizado sendo raras as pessoas que passam por ali quando têm propriedades por perto. O Turismo segue outros rumos.

 

           


                                TANQUE E AO FUNDO A FONTE
                                     TANQUE DE CHAFURDO
                                      TANQUE E FONTE 
                                                FONTE
                                        PORTA DA MINA
                                         CAMINHO PARA A VEIGA
                                                   TANQUE
                                       VISTA GERAL
                             PARTE FINAL DO CAMINHO DE ACESSO

            Remígio Costa

            2026.06.22 

             

             

             

             

             

domingo, 21 de junho de 2026

FESTA EM HONRA DO SENHOR DO CRUZEIRO E DAS NECESSIDADES, VILA HISTÓRICA LANHESES - VIANA DO CASTELO - ALTO-MINHO


CARTAZ DA FESTA 
                                                             PROGRAMA DA FESTA

                 Este, é o Programa da Festa do Senhor do Cruzeiro e do Senhor das Necessidades do ano de 2026, uma festividade ancestral que decorre na freguesia Vila Histórica de Lanheses, concelho e distrito de Viana do Castelo, província do Minho. À semelhança do que esta tradicional festividade vem demonstrando, o programa do ano em curso mantém a sua essência católica-profana como está referido no Programa e Cartaz. Saliente-se que nem tudo decorre na Igreja paroquial e no amplo adro circundante onde está a Capela do Senhor do Cruzeiro e Senhor das Necessidades, de fachada histórica no estilo figurativo  rococó

                 Entre as diferentes ações constantes do Programa, merece destaque especial a Solene Procissão, a qual percorre uma distância que supera dois quilómetros na ida e volta, num itinerário que comporta a Alameda 25 de abril, a Rua Condes de Almada, o Largo Capitão Gaspar de Castro ou Centro Cívico e retoma no regresso à Igreja o caminho para a Capela e Igreja. Como nota confirmada historicamente, esta Procissão chegou a ser levada em épocas antigas através da veiga marginal da margem direita do rio Lima, como prece ao Senhor do Cruzeiro e das Necessidades nos anos do estio para que tudo fosse regado pela chuva que não havia.

                  Realce-se a feitura do Cartaz da Festa pela primeira ves por uma jovem senhora Lanhesense, de nome Gina Teixeira,  sucedendo aos que em três anos sucessivos anteriores foram pintados pelo artista nosso conterrâneo e amigo de longa data, Manuel Militão. 

                 Seguem-se fotografias respeitantes às vendas na tenda de refeição e de sobremesa para levar para casa como constava da publicidade, bem como o ato da apresentação do Cartaz em frente à Capela do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades.

remigiocosta@sapo.pt 

                                                       NA TENDA A COMIDA
   



                                                      NO FIM DA MISSA
   


                                                   APRESENTAÇÃO DO CARTAZ


Pároco Daniel Rodrigues, à direita, faz a apresentação do Cartaz da Festa 2026







                               GINA TEIXEIRA, À DIREITA, RECEBE RAMO DE FLORES













Remígio Costa 

Texto e fotos 

2026/06/2026 

 

 

 

"HAVEMOS DE IR A VIA(E)NA"! E FOMOS!

            Viena de Austria, Taça dos Campeões Europeus, cap. João Pinto          Éramos cinco: o Rogério Agra e o filho Carlos, o Rogério ...