A MORTE DOS ÁGUA-ARRIBA
No tempo dos água-arriba
Outros barcos tinha o Lima;
Neles, famílias viviam
A navegar noite e dia.
Do barco faziam lar,
Cozinhavam e dormiam,
À noite, á luz do luar,
Oravam a um santinho.
A luz do sol ao nascer,
Dá sinal de novo dia.
Há trabalho a fazer
O bom tempo o pedia.
Sobe ao mastro grande
A vela quadrangular;
Zarpa o barco pra montante
Na maré que vem do mar.
Atraca em Ponte de Lima
Junto à feira quinzenal;
Lá, deixou tudo que tinha
Trouxe outra carga igual.
Fez transportes pra Viana,
Leva toros em jangadas;
A vela não está içada,
Vai passar sob a Eiffel
Fica na doca atracada.
O água-arriba encostou
Porque trabalho não tinha;
Auto-transporte o matou
Com gasóleo e gasolina.
Remígio Manuel Silva da Costa
2026,8,6


