sábado, 20 de junho de 2026

MEMÓRIAS PARA A HISTÓRIA DO FUTEBOL EM LANHESES (1932-1973) - LIVRO - VOLUME 1

 

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"União Desportiva de Lanheses"

 "A Direção da União Desportiva de Lanheses tem a honra de convidar V. Ex.ª para estar presente na cerimónia de apresentação do livro “Memórias para a História do Futebol em Lanheses – Volume I”, uma obra que procura preservar e divulgar a história do futebol na nossa freguesia, desde os seus primórdios até 1973.

A cerimónia terá lugar no próximo dia 4 de julho, pelas 16h00, nas instalações da União Desportiva de Lanheses, integrando um programa comemorativo dedicado à valorização da memória coletiva e do património desportivo da nossa comunidade.

A sua presença constituirá uma grande honra para a nossa instituição e para todos aqueles que contribuíram para a concretização desta importante obra.

Agradecemos, se possível, a confirmação da sua presença até à data mais conveniente para nosso mail, ou tlm 968613013.

Com os melhores cumprimentos,

A Direção - União Desportiva de Lanheses"

Hélio Lourenço"
 
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      FUTEBOL, O PARCEIRO DA MINHA VIDA
      
      Amo o futebol desde que aprendi a andar e a conhecer-me. Tudo o que me vinha aos pés eu chutava, mais com o direito do que com o companheiro do lado oposto mesmo quando, já adulto, o esquerdo se antecipava à parceira da direita. Nem sempre acertava na bola porque ela passava primeiro por cima da pedra que emergia do chão do que o meu pé descalço a esborrachar o dedo maior no calhau  ou a castigar o calcanhar do adversário. No sítio conhecido por todos nós pelo nome de Carvalheiras, que recentemente passou a ter numa placa o nome Largo da Corredoura na toponímia oficial, onde havia pelo menos duas dezenas de oliveiras num espaço com altos e baixos e pedregulhos salientes, decorriam os jogos da bola entre miúdos (às vezes graúdos com idade de adultos), cuja contagem de golos de cada confronto variava entre quinze ao intervalo e trinta no termo, em sucessivas disputa dos conjuntos formados, quase sempre terminados em lutas corpo a corpo, sopapos e ameaças de violência guardadas para intervenções oportunas futuras.
       O  futebol marcou o meu futuro na vida além do trabalho. Concluída a quarta classe fiz exame de admissão ao Liceu obtendo a classificação de "Distinto". Fiz o primeiro ano do ciclo preparatório mas baqueei no segundo. Com um colega de Barroselas de nome Aprígio, que viria a ser jogador de futebol quando estudante numa Escola Agrícola em Coimbra, desafiou-me em tempo de aula para o acompanhar até Valverde, em Viana a norte do Liceu, um campo liso que existia ao lado do cemitério de Santo António e é hoje um bairro de casas, sendo então um excelente espaço para o jogo da bola. Participei na brincadeira, faltei à aula e, sucessivamente, fui aumentando o número de ausências sem dar conta em casa do que andava a fazer. Resultado: reprovado! Consequência: fim de estudo liceal. Foi a bola que me fez mudar a linha de vida, mesmo que a minha integração no ambiente liceal tenha sido vetada por dois companheiros de turma plenos de ranço e complexo de superioridade, um agresssivo de raiz, os quais rejeitavam a minha aceitação no ambiente escolar porque era aldeão rebelde sem costume citadino. 
     
       Pelos dezasseis anos juntava-me no Largo da Feira a rapazes mais velhos em jogos de bola na placa do fontanário, mas sempre para ocupar a "baliza", espaço entre duas árvores,  porque os da frente eram maiores e suficientes. O mesmo aconteceu quando estando no campo dos Cutarelos a ver os seniores a treinar, ter sido autorizado pelo Manuel Dantas a fazer de treinador, a calçar chuteiras com travessões e pregos à vista para integrar o grupo do treino. Porém, no primeiro jogo que se realizou na estreia do terreno roçado de mato a fazer de campo, entre solteiros e casados, me entregaram a baliza. Resultado: três golos no primeiro período de jogo e substituição na segunda parte pelo João Rocha (Lambranca) na baliza cuja exibição lhe valeu a titularidade futura em clubes da primeira divisão nacional com fama e proveito.
 
       Não desejando esperar em Lanheses por chamada à equipa principal, só os adultos entravam na eqquipa, eu e o Artur Vale, da mesma idade que a minha, fomos de bicicleta para o campo do Vianense com vista a mostar a nossa habilidade; estava um jogo a decorrer com o resultado de 0-0 ao intervalo. O Artur foi para defesa direito (mais tarde seria guarda-redes como titular garantido pela classe demonstrada, eu para avançado centro-direita. Fiz quatro golos e o resultado final foi de 7-0! No dia seguinte, eu e o Artur, estávamos no Gabinete do Médico em Santa Marta de Portuzelo para inspeção física. Fomos juniores do Sport Clube Vianense duas épocas. Enfrentamos equipas de Clubes da pimeira divisão, designadamente, SC Braga, no Campo da Ponte junto ao Estádio 28 de Maio, Vitória Sport Club, de Guimarães, FC de Famalicão, e outros, sendo sempre titulares. Mesmo que viesse a ser treinado pelo húngaro J. Szabo seis meses, não me estreei na equipa sénior porque a finalidade do Clube era manter-se na segunda divisão, o que aconteceu e na equipa atuavam jogadores espanhois de grande classe.
       Depois, veio o serviço militar e a frequência do Curso de Formação Geral de Comércio, em regime noturno. Foram dois anos de tropa, com atraso de um no Curso que viria a completar depois dos vinte e dois anos. A convite do João Castro e Silva (João da Correia), entrei no escritório da Lacto Lima onde exerci um ano em serviço no escritório; a convite do Chefe da Secretaria da Escola do Jardim D. Fernando, sr. Mário Dias, aceitei o lugar para a Secretaria quando lá fui receber um prémio dos Estaleiros Navais pela nota obtida a uma disciplina. Aceitei, entrei na função pública como eventual na então Escola Frei Bartolomeu dos Mártire, fiz no decorrer de toda a carreira três concursos públicos (no último ganhei o segundo lugar entre 98 concorrentes) fui Chefe de Serviços em quatro Escolas sendo a última em Lanheses desde a abertura da Escola Secundária. Simultâneamente, fui monitor em trinta e dois cursos de adminstração pública, um dos quais nos Açores (Ponta Delgada) não tendo terminado a carreira como Inspetor porque não quis concorrer por razões da vida pessoal privada, e dei apoio aos funcionários em novas Escolas, em Monção e Melgaço; no Liceu de Viana do Castelo exerci a chefia na Secretaria passando como destacado seis anos em serviço na Delegação da DGE tendo como Diretor o Doutor António Gonçalves.
       Ainda estive ligado ao futebol amador da FNAT, como atleta e orientador do grupo da Casa do Povo, e fiz, antes, um ano na AD "Os Limianos", sem muito êxito. Fiz parte da Direção do UDLanheses três anos, sendo presidente José António Fernandes, "O Barbas", complementada com o Rogério Pimenta Agra e o  Albino Afonso Coelho da Costa e Silva, todos já falecidos.
       Em resumo, no futebol: fiz parte da equipa da Casa do Povo de Lanheses na qualidade de jogador, dirigente e treinador eventual, júnior em dois anos no Sport Clube Vianense, e uma época no SC "Os Limianos", aqui pouco utilizado por carência de treinos por força da obrigação de cumprir as funções do cargo que exercia na função pública.
 
      Atualmente, sou sócio nº 2 do União Desportiva de Lanheses (UDL), em paridade de contagem de tempo com Mário Pereira do Vale, ex-presidente do Clube.
 


 
Remígio Costa 

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