quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A MORTE DOS ÁGUA-ARRIBA

 





                        

                                      A MORTE DOS ÁGUA-ARRIBA

 

No tempo dos água-arriba 

Outros barcos tinha o Lima;

Neles, famílias viviam 

A navegar noite e dia.

 

Do barco faziam lar, 

Cozinhavam e dormiam,

À noite, á luz do luar,

Oravam a um santinho.

 

A luz do sol ao nascer,

Dá sinal de novo dia. 

Há trabalho a fazer 

O bom tempo o pedia.

 

Sobe ao mastro grande 

A vela quadrangular; 

Zarpa o barco pra montante 

Na maré que vem do mar.

 

Atraca em Ponte de Lima

Junto à feira quinzenal; 

Lá, deixou tudo que tinha 

Trouxe outra carga igual.

 

Fez transportes pra Viana, 

Leva toros em jangadas;

A vela não está içada,

Vai passar sob a Eiffel 

Fica na doca atracada.

 

O água-arriba encostou

Porque trabalho não tinha;

Auto-transporte o matou 

Com gasóleo e gasolina.

 

Remígio Manuel Silva da Costa 

2026,8,6 

 

 


 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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