sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MIMOSAS, MAS ENJEITADAS.

                                Torre, estrada nº 13 - Viana - Ponte de Lima
  

    Têm nome suave, folhas verdes rendadas e delicadas, são belas na cor amarela das flores das copas frondosas expostas ao sol. Ladeiam caminhos, bordejam os supés das florestas verdes das montanhas e as margens dos rios, levantam-se breves nas cinzas dos incêndios que consomem as espécies autóctones e favorecem o proliferar de outras. É a mimosa, estrangeira aclimatada ao temperado clima mediterrânico originária da Austrália a expandir-se em Portugal a partir dos finais do século XIX.

   Florescem logo no início de fevereiro atingindo rapidamente a plenitude do amarelo vivo da flor, sendo como que as prenunciadoras da primavera florida. O contraste com o verde da paisagem florestal do Minho (a cada ano reduzida e substituída pelo cinzento desértico do relevo natural), concedem-lhe uma visibilidade facilmente intuitiva e atraente, a ponto de poder ser perdoada ou, pelo menos, esquecida a sua condição de espécie invasora. 

  No último cartel do século passado, a mimosa teve o seu momento de fama em Viana do Castelo. A estrada que sobe sinuosa entre pinheiros e carvalhos até à Basílica de Santa Luzia, Pousada  e Citânia, além da vista fabulosa que dali se alcança, ficava congestionada pelas viaturas automóveis com milhares de ocupantes atraídos pela designada "Festa da Mimosa". A adesão de forasteiros ao evento, estando o dia convidativo, apenas era superada nas Festas d'Agonia. 

                               Torre, estrada municipal 13


    O evento não teve vida longa face às preocupações da corrente ambientalista vianense que desaprovava a promiscuidade da espécie entre as originais, tida por invasiva, pondo-se fim ao evento nos anos seguintes. Acabou a romaria dos ramos amarelos, mas a mimosa, persistente e resistente, não. Quem, pela A-27 acede pela Meadela à via Entre Santos, depara com as árvores floridas a partir do monte de S. Silvestre e, à direita, no seguimento da A-28 para norte, no começo da mancha florestal da montanha de Santa Luzia e outros mais locais avulsos como o que se encontra na estrada municipal nº 13 -Viana - Ponte de Lima na Torre, ou,na margem esquerda do Lima, frente a Lanheses e em muitos outros recantos arborizados do Alto Minho.

  Aos vianenses ambientalistas já a mimosa não lhes tira o sono.  

                      Área de lazer na margem esquerda do Lima

    
Fotos: doLethes
Remígio Costa 

"Sonata para Viana" - convite exposição



"Sonata para Viana" - convite exposição


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

DO MOLHE AO FORTE, NOVA PRAIA NORTE.

                                       Vista geral, ao norte

         Entre o molhe, a sul, e as ruínas do forte, a norte, uma nova Praia Norte (Viana do Castelo) está a nascer. Máquinas, guindaste, camiões, operários, montes de terra e escavações como se fossem trincheiras de campos de batalha, formam um cenário anárquico próprio das transformações urbanísticas profundas como a que está a decorrer a ocidente da cidade vianense. Já lá não moram os dois bares e o casarão transformado em restaurante, e começam a surgir as primeiras alterações definidas no projeto, como sejam o alargamento da zona do areal da praia e o ampliado passeio pedonal que a limita. Dentro de escassos meses, da paisagem anterior restarão as "pedras vermelhas" , os penedos escuros que caraterizavam a velha "praia dos pobres", das gaivotas atrevidas, e imutáveis e profundos, o mar e as ondas de espuma alva para lembrança futura de quem se acostumou a apreciá-la e a gozá-la num desenho menos polivalente e (pretensiosamente) cosmopolita. 


                                Zona de restaurantes, a sul




Fotos: doLethes
Remígio Costa 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O FUTEBOL DA NOSSA TERRA - Resultados e classificação geral



AF Viana do Castelo
Campeonato da primeira divisão
16ª jornada
2017.02.05

                       

                      - UD LANHESES VENCE EM CHAFÉ, MANTÉM A INVENCIBILIDADE FORA DE CASA, E FICA A 3 PONTOS DO SEGUNDO LUGAR DA GERAL; COM O LÍDER DA PROVA, SÃO AS ÚNICAS EQUIPAS COM APENAS UMA DERROTA SOFRIDA NA COMPETIÇÃO

                      - ARCOS BATE PIÃES QUE DESCE AO 3º LUGAR NA TABELA CLASSIFICATIVA,

                      - POR TROCA COM O CERVEIRA QUE FOI A ARCOZELO VENCER
    
                      - VIANENSE EM DIFICULDADE PARA GANHAR EM CASA PELA DIFERENÇA MÍNIMA O CASTELENSE

                      - NEVES SEM DÓ DO VILA FRIA ARRASA COM GOLEADA

                      - CORRELHÃ NÃO PASSA EM MONÇÃO
                         E DÁ FOLGA AO LANHESES NA CLASSIFICAÇÃO GERAL(5 PONTOS DE DIFERENÇA)
                      
                       - TÁVORA, QUE ATÉ AGORA É A ÚNICA EQUIPA QUE VENCEU O UD LANHESES,  AFUNDA-SE NA CLASSIFICAÇÃO E FICA COM OS PÉS NA ÁGUA...
          
                       

JORNADA 16 - RESULTADOS


































sábado, 4 de fevereiro de 2017

COMO VAI SER O ESTADO DO TEMPO, AMANHÃ?





     Nos tempos que atravessámos não serão muitos os que têm dificuldade em encontrar meio de obter resposta fiável quanto à previsão do tempo que vai estar a curto ou longo prazo. Especialmente nesta fase do ano em que as condições atmosféricas são incómodo de monta para a maioria das pessoas, é recorrente a preocupação em antecipar o humor do tempo atmosférico com que será preciso conviver nos dias que se seguem. 

    Com a expansão meteórica e espantosamente criativa dos meios tecnológicos dispersos pelo planeta e no espaço, o estudo científico dos dados recolhidos por especialistas e as conclusões que deles extraem, concedem às previsões uma fiabilidade quase absoluta, quer para áreas extensas ou circunscritas a zonas específicas que, depois, colocam ao dispor dos interessados difundindo-as através dos muitos meios existentes, sejam eles oficiais ou privados. Fujo à tentação de comentar o que sobre a antecipação do estado do tempo se faz por estes dias nos canais de televisão de referência, concedendo-lhe horas continuadas de reportagens sem conteúdo e a repetir a toda o momento avisos alarmistas vermelhos, laranjas e ondas de altura de prédios de, pelo menos, quatro ou mais andares, porque o que me motivou para abordar o assunto é lembrar um pouco do que fui ouvindo (e aprendendo) ao longo da minha convivência com o povo rural a que pertenço.


 
    Sem tv, jornais e raros ouvintes de aparelhos radiofónicos nem a impagável informação do carismático meteorologista da estação oficial de tv, Anthímio de Azevedo porque os telhados das casas não aguentavam as antenas de receção, as pessoas orientavam-se por sinais aprendidos pelo costume dos antepassados baseados na repetição dos fenómenos atmosféricos próprios de cada estação, as quais, ao contrário do que agora parece não suceder, cumpriam fielmente o calendário imposto pelo movimento do globo terrestre à volta do astro rei. Em determinadas épocas do ano eram fiáveis para o povo simples, fórmulas empíricas como as "temperas" (?) de que já não é fácil encontrar quem as saiba explicar (pessoalmente, não a memorizei) a qual consistia em anotar o tempo que fazia em determinados meses do ano anterior para, por alturas da quadra pascal do ano seguinte, os relacionar segundo uma ordem inversa e assim "adivinhar" como estaria o tempo naquele período . Mas havia mais: uma barra de nuvem formada inopinadamente a ocidente sobre o mar entre Caminha e Viana era, segundo o Ti Gusto barqueiro, sintoma de mudança de tempo; uma "touca" feita de água suspensa sobre a serra d'Arga, "a água era muita ou pouca" no saber do povo, como o adágio de "fraco é o Março que não rompe uma caroça", uma espécie de capa feita de junco, ou "em abril bebe o boi no rego"., "em abril águas mil" a prevenir que vem chuva "a cântaros" neste mês. No dia da Candelária (no falar popular há quem diga Canglória), a dois de Fevereiro, "se o dia "chora" (chove) está o inverno fora, se ri, com sol, está o inverno por vir", em novembro o "verão de S. Martinho, são "três dias mais um bocadinho", "Carnaval borralheiro (com frio e chuva) Páscoa solheira". Vento do sul e céu tapado com manto cinzento e cheiro a couves podres da fábrica de papel  é certeza de chuva próxima, o mesmo que soprar do sul o vento forte.  Mas não se esgota aqui a panóplia dos recursos empíricos das previsões, porque uma recolha mais rigorosa daria a conhecer quem acreditava que um "circulo na lua é sinal de aguaceiros, e que a "lua nova trovejada trinta dias é molhada". E, porque há sempre alguém que faz questão de confirmar o que dizem os livros, aí esta o "Borda d'Água" ed. de 2017, dia 4 de fevereiro, S. João de Brito, morte de Almeida Garrett, Quarto Crescente, "Chuva e vento". O Seringador, concorrente da edição citada, deverá corroborar a asserção do concorrente "Borda".


   De todas, as mais assertivas previsões que conheço sobre as alterações climatéricas ad hoc resultam das queixas físicas dos humanos: frequentemente somos confrontados com afirmações como "doem-me os artelhos, as cruzes e este maldito joelho; desde que parti esta perna lá vem ela com a dorzinha a chamar o "mau tempo", a desgraçada. Estou com enxaqueca, acordei molenga, apetecia-me ficar na cama, mas, é a vida, mesmo que chova a cântaros lá terei eu que pegar no guarda-chuva e ir para a luta desafiando o embirrento aviso vermelho, amarelo ou o raio que os parta que se não fosse o estado do tempo não sei como haviam de preencher a grelha dos programas.

Hirrrrrrrraaaa, p'rós "manda chuva"!

Fotos: doLethes
Remígio Costa  

NOVA MULTINACIONAL INSTALA-SE EM LANHESES.



   Imagem da ampliação em curso do Parque industrial de Lanheses.


Segundo notícia divulgada na edição de quinta feira passada no semanário vianense "A AURORA DO LIMA", o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, e o representante da multinacional Financière STEEP, François Zarifian, subscreveram um contrato de investimento para a instalação no Parque Industrial de Lanheses de uma fábrica de componentes de motor de automóvel destinados a construtores franceses e internacionais.

A Steep Plastique Portugal  dispõe de um lote de aproximadamente 48 mil metros quadrados para a criação da filial que visa uma estratégia de aproximação da indústria automóvel instalada em Espanha num horizonte com expansão a decorrer em quatro fases até 2020.

A empresa estima criar até 250 postos de trabalho na conclusão da instalação, contando admitir 50 trabalhadores no decorrer da primeira fase, atingindo o investimento global total 50 milhões de euros, dez dos quais gastos na primeira.

A opção da marca pelo Parque Empresarial de Lanheses foi tomada em função da posição estratégica geográfica, o acesso fácil pela auto-estrada, pelo crescente nível de desenvolvimento da zona industrial, pelo dinamismo do Parque Empresarial traduzido no crescente aumento de unidades instaladas e pelos benefícios fiscais concedidos pela edilidade vianense.

O início da construção das instalações da empresa deverá ter início no próximo mês de Maio para entrar em laboração em Junho deste ano. 

Foto: doLethes
Remígio Costa 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

CEGONHAS BRANCAS, FICAM!?

   

                                     No topo da palmeira
      
      Perante a impossibilidade de reconstruir o ninho que pela primeira vez há oito anos (desde 2010) levantaram no cimo da chaminé do edifício da antiga Casa do Povo, onde criaram sucessivas gerações com mais de duas dúzias de filhotes , o casal de cegonhas brancas, sr. Lima e dona Lala,  parece estar em vias de se instalar noutro local perto do anterior no centro urbano desta freguesia. Terão encontrado no cimo de uma palmeira morta existente num logradouro particular (moradia de Rosa Maria Correia Pinto, com fachada para o Largo Capitão Gaspar de Castro) a alternativa possível, já tentada nos anos passados por outros casais que acabaram por rejeitá-la.



   Ao que me tinham informado as cegonhas brancas pioneiras nesta localidade já tinham sido avistadas na último semana voando em círculo por cima do local onde tinham construído o lar inicial, laboriosamente e desafiando as leis do equilíbrio de fazer inveja aos mestres de engenharia, a enorme estrutura formada por paus e musgo, tentando pousar sem o conseguirem . Como não pude dar pela presença das aves nos dias que se seguiram, imaginei terem elas desistido e tivessem ido à procura de condições de se fixarem noutras paragens.  Hoje, cerca das 12 horas, tive oportunidade de ver, relativamente a pouca distância, um casal em movimentos cerimoniosos e emitindo o som característico, no topo da referida palmeira, tendo ficado convicto de que se tratava de casal desalojado depois de reconhecer as atentar e comparar nas caracterísitics mais evidentes.

  Será que vão ficar? 

                         Na chaminé da ex-Casa do Povo (2016)


                                 NO TOPO DA PALMEIRA (2017)



                         Obstáculos inultrapassáveis na chaminé


Fotos: doLethes
Remígio Costa